
Dali até o intervalo o Botafogo promoveu um verdadeiro bombardeio que só foi parar na perícia e na sorte de Fernando Henrique. Mas para mim isso não é vantagem nenhuma. Goleiro e ainda mais com a camisa do Fluminense, tem a obrigação de pegar tudo e ter sorte mesmo, por capacidade, e, sobretudo, tradição de honrar uma camisa que já foi dos melhores arqueiros do país. Mas falava que o Flu se segurou e foi para o intervalo no lucro.
Lá, o técnico mudou o rumo da partida, tirando um centro-avante trombador (Tuta) e colocando mais um atacante de velocidade, Beto – o outro era Lenny, em campo desde o início da partida. Mais: fechou a defesa recuando Marcão para jogar definitivamente como terceiro zagueiro, fez de Juliano um motorzinho de ataque e defesa – tanto que o garoto saiu exausto do campo, vencido pelas câimbras – e deixou Petkovic livre para armar os contra ataques. Pet não o fez e foi substituído, e mesmo assim o Fluminense deitou e rolou, com a garotada de Xerém fazendo o diabo. As jogadas de Lenny foram um espetáculo. O time só não ganhou a peleja porque o árbitro, de novo ele, atendeu ao aceno equivocado de um dos auxiliares e invalidou uma jogada em que Beto entraria com bola e tudo. Uma pena.
Enquanto isso, no Morumbi, o São Paulo, que tem um time titular sem meias, via seus reservas serem humilhados pelo fraco Santos. Não vi o jogo, mas os melhores momentos denunciaram um certo domínio do time da casa, que acabou vitimado por uma lambança generalizada de sua defesa. Em três dos quatro gols um zagueiro do São Paulo aparece caído – de maduro – no lance. No outro, o mascarado Cléber fez uma jogada e tanto para Fabiano marcar. É esse o elenco são-paulino? Fala sério...
Acredito que o São Paulo não disputará o título desse ano. Primeiro porque, repito, tenho a convicção que time sem meias não ganha título. Depois, caso seja eliminado da Libertadores, cairá em depressão e na realidade das suas limitações. E, por último, caso vença a competição internacional, entrará de férias – como no ano passado – para se preparar para o mundial. E com esse time reserva que jogou domingo não dá mesmo. Na Libertadores pra mim os favoritos são Chivas Guadalajara e Internacional, este sim, com um bom elenco. O que pega para o Inter é o técnico, que se recusa a ganhar títulos.
Enquanto o Corinthians continua numa draga de dar dó, o Palmeiras faz bonito e arranca rumo ao primeiro pelotão. A única coisa em comum entre ambos é que nenhum dos dois vai ganhar o título desse ano. Para mim, tem outro: também não serão rebaixados. Os fogos de palha Paraná e Figueirense também já começam a mostrar brasa, e cabe às equipes de tradição ocuparem de vez o bloco intermediário. O Vasco já faz isso, e Grêmio, Palmeiras e Botafogo precisam se animar. Nem vou citar o Flamengo porque o clube da Gávea tem tudo para sempre ganhar, menos time. Seu título inesperado da Copa do Brasil – que previ aqui - só confirma a recente tradição de que times meia boca é que vencem essa competição: Santo André e Paulista que o digam. Agora é esperar o vexame na Libertadores do ano que vem.
E o Dunga, hein? Parece que ele aprendeu a armar time como fazia o arrogante Mário Sérgio no São Caetano, usando o esquema 1-10: um goleiro e dez cabeças de área. Como ele chamou cabeça de bagre para a seleção, que coisa horrível. E ainda só convocou dois meia atacantes, o inconstante Morais e o sumido Daniel Carvalho. Cada uma...
Até a próxima, que a Noruega vem aí!!!