
Afamado por lança singles e EPs nos mais diferentes formatos, nos últimos tempos o grupo tem se dedicado a gravar os covers mais inusitados, que vão de Rod Stewart a Jorge Ben, passando por Thin Lizzy. Em outra empreitada pitoresca, o trompetista Mick Cooke está produzindo uma coletânea só com grupos britânicos tocando músicas para crianças. “Colours Are Brighter” terá a participação de nomes com Travis, Flaming Lips, Franz Ferdinand e Snow Patrol, entre outros, e tudo com renda revertida para a Save The Children Organization, ONG que ajuda crianças carentes em todo o mundo. O B&S, aliás, já se envolvera numa empreitada beneficente quando ajudou as vítimas do furacão Katrina, que varreu os Estados Unidos no ano passado.
O que conta, entretanto, é que está na praça o sexto álbum do Belle And Sebastian, “The Life Pursuit”, onde a banda vai ainda mais fundo nas referências aos anos 60, seja no psicodelismo ou mesmo na soul music da época. Trata-se do segundo disco desde a saída de Isobel Campbell e Stuart David, e consolida a nova fase, com Stuart Murdoch (vocais, guitarra e teclados), Stevie Jackson (guitarra e vocais), Bobby Kildea (guitarra e baixo), Chris Gedds (teclados), Mick Cooke (trompete e baixo), Sarah Martin (violino) e Richard Colburn (bateria). O disco foi todo gravado em Los Angeles, e teve a produção de Tony Hoffer (Supegrass, Beck), depois do trabalho não muito bem aceito de Trevor Horn, no anterior.
Toda essa história nos foi contada por Mick Cooke, num de seus poucos momentos de folga na Escócia, em meio a viagens para a Ásia, Oceania e Estados Unidos. Escolhido a dedo por ser o mentor da coletânea infantil, ele também falou da atual fase do Belle & Sebastian e como o novo disco anda encantando os saraus mais animados do planeta.
Rock em Geral: Vocês estão lançando o terceiro single do álbum “The Life Persuit”, como está indo?
Mick Cooke: Este single acabou de sair, ainda não dá para saber se está indo tão bem quanto os outros dois, mas eu acho que vai dar certo, ainda estamos no “Top Of The Pops”... Bem, o “Top Of The Pops” acabou, mas quero dizer ainda estamos nas paradas.
RG: Esse é o segundo disco sem Isobel Campbell e Stuart David. Vocês já estão se sentindo à vontade para ir em frente com a banda, sem eles?
Mick: Eu acho que estamos bem, quando eles deixaram a banda ficou claro para todos que eles é que queriam sair, porque estavam infelizes. Não fica um clima bom quando depois de tanto tempo pessoas como eles deixam o barco, mas era mesmo o fim para eles. Se ficasse na banda Isobel causaria problemas para ela e para a banda também, então era justo que ela despendesse suas energias em coisas em que se sentisse bem.
RG: Trevor Horn, conhecido por produzir bandas de sucesso, produziu o disco anterior a este. Você acha que isso ajudou a banda a se adaptar melhor a uma posição dentro do mercadão?
Mick: Se você nos comparar com outras bandas com as quais ele trabalhou, sim, mas eu acho que o que ele fez foi nos ajudar a fazer alguma coisa de um modo diferente. Acho que é importante para uma banda que fica junto por um tempo muito grande sempre tentar fazer algo diferente, no mínimo que seja. Então tê-lo na produção foi algo bem diferente de tudo o que fizemos antes, o jeito de ele trabalhar é diferente, a masterização foi diferente da de outros álbuns.
RG: Mas vocês acabaram mudando de novo para este último disco...
Mick: Basicamente queríamos um disco que fizesse uma conexão com a banda tocando junto, ao vivo, sem instrumentos de orquestras que já usamos muito antes. Queríamos nos concentrar só na banda tocando, e escolhemos o Tony Hoffer porque ele tem mais esse jeito, de captar uma banda tocando. Estávamos procurando um produtor, e ouvindo o que ele havia feito antes, gostamos do seu estilo, e achamos que ele seria capaz e fazer as coisas mais simples, sem cometer erros de captação de som de uma banda tocando junto numa sala.
RG: Nesse disco tem muitas influências dos anos 60 e 70, de soul music a glam rock...
Mick: Estamos sempre tentando colocar uma outra coisa nova no nosso som, nada tão óbvio, de modo que as pessoas digam no ato que é isso ou aquilo. Mas eu acho que damos bandeira, tocamos muitos covers ao vivo, e esse tipo de experiência com diferentes tipos de música acaba influenciando naquilo que nós compomos.
RG: Vocês gravaram músicas do Rod Stewart e do Thin Lizzy recentemente...
Mick: Sim, “Baby Jane” entrou num single de 7”, e “Whiskey In The Jar” foi gravada num programa de rádio. O Thin Lizzy é uma banda de rock pesado, e temos esse componente na nossa formação musical também, somos definitivamente fãs de música desse tipo.
O ideal é tentar manter a banda como banda mesmo, sem nos preocuparmos tanto com o
mercado, dentro do possível
RG: Fala-se aqui no Brasil que esse disco é também o mais psicodélico do Belle And Sebastian. É isso mesmo?
Mick: Acho isso um componente, eu adoro música psicodélica. É um pouco subjetivo, ainda mais para quem está dentro da banda, mas que há psicodelia no nosso som, isso há.
RG: Você está produzindo uma coletânea beneficente, só com músicas infantis, chamada “Colours Are Brighter”. Como surgiu essa idéia?
Mick: Eu apareci com uma música infantil num dia, sobre macacos. Apresentei a música para a banda e decidimos gravá-la. Ficamos na dúvida sobre o que fazer com ela, e alguém sugeriu que pedíssemos a outras bandas que também gravassem músicas infantis para lançarmos um disco infantil. Não é uma coisa original, já foi feito nos Estados Unidos antes, mas nunca foi feito uma coletânea de músicas infantis com bandas britânicas antes.
RG: É um disco todo conceitual, com as letras falando de temas infantis?
Mick: Sim, e a música também, desde que começamos a contatar os amigos e bandas pedimos a eles que compusessem e gravassem músicas infantis. Não interferimos em nada, deixamos todos à vontade para fazerem que quisessem.
RG: As músicas foram compostas exclusivamente para essa coletânea?
Mick: A maioria... Há algumas que já saíram antes em outros discos, mas a maioria das músicas foi composta e gravada para este álbum.
RG: Que bandas vão participar?
Mick: Franz Ferdinand, Snow Patrol, o Flaming Lips nos deu uma música... Várias outras...
RG: Por que vocês escolheram a Save The Children Organization para esse projeto?
Mick: Porque eles têm uma atuação de caridade global, em todo o mundo, e nos pareceu um nome razoável para trabalharmos juntos. Eles fazem um trabalho muito bom com vítimas de guerra, basicamente fazendo caridade com a ajuda dos outros.
RG: Como entrará o dinheiro?
Mick: Das vendas do disco, que o invés de remunerar os artistas, vai para a organização.
RG: Essa é a sua primeira experiência como produtor?
Mick: Eu na verdade não sou bem o produtor do disco, cada banda está entregando o material pronto. O que eu faço e pedir que gravem e entreguem a faixa, esse é o meu trabalho. É um tipo de produção executiva, e é a primeira vez que faço isso, sim.
RG: Sobre a faixa do Belle And Sebastian, vocês já concluíram a gravação?
Mick: Sim, está pronta para disco, está sendo masterizada, tudo deve sair até o final do ano. Foi na verdade a primeira vez em que eu cantei, ficou bem legal, mas sou suspeito para falar.
RG: Sobre os shows no Brasil em 2001, o que você se lembra? Quando voltam a tocar por aqui?
Mick: Foi ima experiência incrível para nós, porque nunca tínhamos viajado para o hemisfério sul antes, e ainda por cima as pessoas estavam entusiasmadas com a nossa presença, o que foi uma grande surpresa para nós, não tínhamos a menor idéia do que iria acontecer. Já conversamos com nosso empresário sobre tocamos o Brasil no finalzinho do ano, queremos voltar a tocar no Brasil e também em outros lugares da América do Sul. Há definitivamente planos de fazermos algo em breve.
RG: No começo o Belle And Sebastian era uma banda cult, e agora é uma banda grande que toca em tudo o que é canto. Como você vê essas mudanças?
Mick: É engraçado porque depende do que significa ser ou não uma banda cult, e em que lugar. Nos Estados Unidos estamos longe do mainstream. O ideal é tentar manter a banda como banda mesmo, sem nos preocuparmos tanto com o mercado, dentro do possível.
Stevie Jackson e Richard Colburn curtem o calor carioca em 2001
Essa banda é uma bosta!
O Belle and Sebastian é hoje uma das melhores bandas britânicas, junto com Oasis e Travis (também escoceses, e de Glasgow). "The Life Pursuit" é, sem duvida, um dos melhores albuns dessa magnifica banda!
Abaixo-assinado quero Belle and Sebastian no Brasil: