O Sepultura apresentou o novo baterista para
o público carioca
Um Circo Voador cheio, mas não lotado, recebeu a mais nova encarnação do Sepultura, agora com o batera Jean Dolabella ocupando o lugar deixado por Iggor Cavalera. Essa poderia ser apenas uma mudança corriqueira, não fosse Iggor o fundador do grupo, e o que mais segurou a onda da saída do mano Max, há dez anos. Mas o público não queria saber de muitos questionamentos, afinal estava ali o Sepultura, fazendo o primeiro show desde a volta do Circo Voador, há cerca de dois anos. Nos primórdios a banda sempre tocava no local, em geral acompanhada de Ratos de Porão e Dorsal Atlântica, a eterna fonte de inspiração de Max e asseclas.
O repertório do show também foi renovado
Por isso quando as luzes estroboscópicas piscaram e Derrick Green entrou mandando “Dark Wood Of Error”, a festa começou pra valer, e o público entrou em transe de vez quando a banda engatou “Refuse/Resist”. Jean estava bem à vontade, embora fosse notória a intenção de fazer exatamente o que Iggor fazia, o que é natural se julgarmos que ele anda não gravou uma faixa sequer com o restante da banda. Apesar de Derrick “improvisar” alguns cumprimentos, é Andreas quem toma conta do show, e cabe a ele recolher os cacos e manter a banda na ativa. Por isso foi a primeira vez em muitos anos que o repertório do show foi modificado pra valer. Saíram aqueles pout pouris desanimadores para prevalecer as músicas tocadas na íntegra, como “Dead Embrionic Cells”, a segunda clássica da noite. Voltou ao set “Beneath The Remains”, que não era tocada há muitos anos, e entre as da fase Derrick, prioridade total para as novas (cinco no total), como a excelente “False”, que teve efeitos pré-gravados fazendo as vezes das cordas e sopros na versão registrada em “Dante XXI”.
Mas os clássicos é que agradaram ao público
O problema é que uma hora e dez minutos de show é muito pouco para uma banda com a história do Sepultura. Andreas deveria ter aprendido com Dio, com quem tocou “Mob Rules”, do Black Sabbath, recentemente em São Paulo, que um show de verdade deve ter em torno de duas horas. Assim ficaram de fora as músicas mais recentes e ainda clássicos como “Inner Self”, “Attitude”, “Desperate Cry” e “Biotech Is Godzilla”, só para citar algumas. As que mais agitaram o público foram “Territory”, “Troops Of Doom”, “Breed Apart”, que hoje soa como a mais perfeita síntese do nu-metal, “Arise”, que fechou o set, e o bis com “Roots Bloody Roots”.
Passados dez anos da saída de Max, e considerando as últimas mudanças, o Sepultura hoje não passa de uma pálida versão da grande banda que já foi, e vive muito mais do sucesso conquistado no passado do que pela qualidade do material produzido recentemente. Vamos ver se a entrada de um novo integrante oxigena um pouco a banda, ou, de outro lado, desencadeie de vez a reunião da formação clássica, com a volta dos Cavalera.
O Krisiun foi atrapalhado pelo equipamento
Inexplicavelmente antes do horário previsto - 22h, no site - pela produção do Circo, tocaram Krisiun e Sayowa, este para praticamente ninguém. Entre discursos do tipo “vamos divulgar o metal brasileiro doa a quem doer”, o Krisiun penou para tocar com uma qualidade de som muito ruim, talvez por causa de um boicote por parte da equipe do Sepultura, já que no show principal tudo estava perfeito. Não foi o bastante para desmotivar o público, que se esbaldou até com o solo de velocíssimo do batera Max Kolesne. Nas duas músicas do bis, Andreas – o maior arroz de festa dos últimos tempos – tocou duas músicas, entre elas “In League With Satan”, do Venon. Depois um empolgado Alex Camargo deu até um stage diving no meio do público.