Bola e Bola Mesmo
15 de agosto de 2006
Os Cinco Fantásticos
Mesmo com a Libertadores e a dança de técnicos, podem anotar: não há quem tire o título das mãos de São Paulo, Inter, Fluminense, Santos e Cruzeiro.

Andaram reclamando que eu só tenho falado do Fluminense por aqui. Tanto que, antes de começar a coluna de hoje, tive que ler a da semana passada para não cometer nenhuma injustiça. Lá falo da demissão de Oswaldo de Oliveira por causa da falta de resultados, e hoje, um dia depois do próprio Oswaldo assumir o Cruzeiro, não posso deixar de falar da vitória redentora do tricolor, sobre o... Cruzeiro. Vejam vocês, o técnico que não servia para o Fluminense agora é a solução para o Cruzeiro, derrotado justamente pelo Flu.

Disse que a vitória foi redentora não para dar-lhe tons maiorais, mas porque ela trouxe, sim, redenção para os torcedores e para o clube, que investiu num bom elenco e tem como buscar o título. É sabido que não é de meu apreço vitórias de virada em cima da hora como a de domingo, mas quero destacar que ali contou a hora em que o treinador, que entrara temeroso em campo, decidiu ir pra frente. Mudou o time de um 3-6-1 para o bom e velho 4-3-3. E deu certo. A pergunta inevitável é: e por que cargas d’água o dito cujo não entrou com esse esquema ofensivo desde cedo? Porque, provavelmente, teve medo. Ou, por outra, decidiu usar a máxima de arrumar a defesa para depois conseguir atacar. Eu, lá no âmago, acho que o que valeu foi a força da freguesia, recente, mas freguesia, do Flu sobre o Cruzeiro. Tanto que vários jornais estamparam isso em suas manchetes. E pra fechar o papo do clássico, eu nem sei quem é Josué não sei das quantas, mas tenho certeza que ele não tem currículo para atuar na equipe das Laranjeiras. Não tem mesmo.

Na semana passada disse também que o São Paulo venceria a Libertadores, mais pela tradição e pelo fato do técnico do time adversário se recusar a ser campeão, do que por ter um time bom de verdade. Eis que, em pleno Morumbi, onde o fator campo, tradição e adjacências sempre é forte, o Inter botou banca e quase liquidou a fatura inteirinha. Disse quase, e é aí que mora o perigo. Por o Inter, de seu lado, é um tradicional amarelão, e tem esse problema do Abelão. Por isso acho que dá, ainda, São Paulo. Embora, honra seja feita, sou doido para ver o São Paulo se desmoronar, só porque não consigo acreditar numa equipe vencedora sem meias. E repito: não é possível o vencedor sem um único meia.

Voltando ao brasileiro, não foi só o tricolor que voltou a subir na tabela. Vejo lá em cima o Paraná, que é time pequeno, e o Santos, que tem técnico e camisa, mas não tem time. Portanto, não incomodam. Demorei a iniciar esta coluna e já posso dizer que Leão assumiu o Corinthians com carta branca. Ele não gosta de argentinos, diz isso publicamente, mas não é burro. Vai certamente tirar o time da lama, ou, se desafiado, sairá demitido como aconteceu na época em que esteve à frente da seleção brasileira. Só espero que a reação dos gambás não comece na quarta, justo em cima do Flu. Mesmo porque para o Timão o campeonato já era.

Brilhante mesmo é a recuperação do Palmeiras, difícil de ser freada, mas que, uma vez detida, deve arrefecer os ânimos. Outro, aliás, que não concorre mais, só vai encher o saco e tirar pontos dos líderes. Olho, olho para a tabela de classificação e não vejo time que tire o título dos cinco fantásticos: São Paulo, Inter, Fluminense, Santos e Cruzeiro. Entre o São Paulo e o Inter, quem perder a Libertadores vai crescer e é sério candidato a vencer. Os outros três vão viver altos e baixos até a última rodada, e um deles, pode, sim, chegar pra valer. Disse que o Santos não incomoda, mas já recuo. Em termos de Campeonato Brasileiro, Luxemburgo é sempre favorito. Eis a mais pura das verdades.

Até a próxima, que a Avenida Cuca acaba de ser inaugurada!!!

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