Rock é Rock Mesmo
10 de agosto de 2006
O tempo não pára. Nem o rock
Um dos discos do ano, shows a rodo, tensão no ar, saraus, cabecismo...

Meus amigos, o tempo urge. E cada vez mais, num caminho que parece não ter volta. O ontem parece ter passado há décadas e o futuro já chegou... Ops, já passou. Em ano de eleições, isso aqui ta parecendo até discurso de candidato em campanha de TV. Mas não é, não. É o rock que faz pensar brigando com o tempo. Ou, por outra, com a falta de tempo, que é tamanha – como diria Maria Bethânia. Ao acaso, a citação da consagrada cantora leva a outro nome não consagrado, o de Serguei, que no início dos anos 80 era o rock em pessoa. Serguei e Banda Cerebelo. Agitação total e diversão garantida. Toca, toca, toca rock’n’roll!

Tensão é igual a força sobre área. Há anos a simples equação não me sai da cabeça, mas digo isso porque tenho ouvido discos tensos. Não sei se me faço entender. Discos de instrumental poderoso e que têm uma aura nervosa, tensa, como se um cataclisma fosse acontecer antes de o próximo acorde ser reverberado. Foi assim com “Dante XXI”, do Sepultura, e está sendo assim com “Black Holes And Revelations”, do Muse, primeiro no myspace, e agora em plástico e leitura ótica. Que discaço, esse, hein? Mistura de indie rock, rock inglês e rock de verdade. Citei a palavra rock em três das categorizações, só para se ter uma idéia de como a coisa vai bem com esse trio nervoso. E tenso. (Atenção: isso aqui não é uma resenha)

Circula por aqui também – quem diria – “The Life Pursuit”, o último do Belle And Sebastian, a maior banda de sarau de todos os tempos. São os ossos do ofício, ou a melhor coisa que pode acontecer: por conta do trabalho conhecer coisas nas quais, em princípio, eu próprio não investiria meus caraminguás. E não é que o disco é legal? Prova que, no rock, até um sarau pode ser animado. Bem, sempre é. Mas digo que até uma clássica banda de sarau tem lá seus méritos, assim como o rock. O rock, aliás, é o mérito em notas, guitarras e distorções. (“Assassin”, do Muse, é quase metal).

Isso aqui hoje está mais para Anti-Blog do que para Rock é Rock Mesmo. Não sei se o leitor de longa data se deu conta, mas tive um blog durante uns meses lá no site da Laboratório Pop. O tal Anti-Blog, que por questões profissionais tive que deixar de lado. Digo que isso aqui está mais para Anti-Blog porque lá colocava eu umas curtas notícias do mundo do rock, com um pouco de interpretação pessoal – afinal era um blog – e um certo veneno, porque no rock é assim que se faz. Ainda mais quando se quer pensar o rock como instrumento mutante de renovação. E aí é que entra Rock é Rock Mesmo e as coisas se fundem. É o tempo - de novo -, o espaço, a mutabilidade, a simbiose, a obsessão, a história. Aqui e agora. Mas atenção: isso aqui não é ponto de aula de ciências de primeiro grau de colégio estadual dos bons tempos. (Além de progressivo, tem até surf music e música árabe no disco novo do Muse).

Outro dia falei de um mês de maio espetacular em que todo mundo lá de fora veio tocar aqui no Brasil. No ano passado já tivemos um congestionamento de eventos ligados ao rock no segundo semestre, e nesse ano a coisa parece ser ainda maior. É como se os nossos produtores começassem o ano se planejando, fazendo contatos e captando recursos para realizar seus eventos, para só no segundo semestre conseguir colocar as coisas em prática. Há datas tradicionais como as do TIM Festival, mas de resto tá rolando um acúmulo de eventos dos mais interessantes, muito embora as datas sobrepostas possam prejudicar o comparecimento do público. Afinal ninguém anda por aí de bolso cheio, não. Era pra eu citar aqui o montão de shows marcados ou quase confirmados, mas segundo a máxima da Bethânia vou só colocar o link para o Lúcio Ribeiro, que eles já fez uma lista legal. Mas se liguem que o afamado jornalista às vezes omite coisas, digamos, mais tradicionais. Fica bravo, não, Lúcio. E, por favor, acrescentem por minha conta o show do Radiohead no TIM Festival. Ou, o mínimo, de Thom Yorke solo. Não é informação de bastidor, não. Só uma intuição. (Queen no disco do Muse? Tem, sim, senhor).

Agora, falando sério. Quantos de vocês aí do outro lado da tela conseguem compreender exatamente um disco de rock? Ou o conceito de um disco de rock? Ok, a bem da verdade isso nem é algo imprescindível num gênero cuja pretensão passa mais pela diversão pura e simples do que pelo cabecismo vão. Mas nem tudo é “for fun” como num disco do Ramones. Às vezes há conceito, início, meio e fim, sem que isso seja necessariamente uma coisa chata. Aliás, se tem uma coisa que o rock nunca foi, ou foi muito pouco, é chato. Por pura e simples definição. Faço esses devaneios enquanto tento entender o Muse de “Black Holes And Revelations” – verso-título que ilustra a bela “Starlight”, que deve ser o single, mesmo porque foi a música que a banda tocou no “Top Of The Pops”, que, aliás, foi para o saco. Mas e aí, vocês entendem o rock? (Queens Of The Stone Age no Muse? Tem também).

Eu vou jogando os dados. Se cair de um a três a gente fica junto; se cair de quatro a seis a gente joga os dados outra vez. Sinal de que vem coisa boa por aí. Nada que tenha com um ineditismo de pré-estréia em Cannes, mas o rock, claro. Sempre.

Até a próxima, e long live rock’n’roll!!!

em abril 12, 2007 05:21 PM [marcos andre monteiro]

Eu já fui o vocalista principal da banda Cerebelo até que chegou o Serguei, para tomar o meu lugar. Ele usou os Hells Angells do Rio de Janeiro, já que no gógó ele jamais conseguiria, ele me chamava de reencarnação de Bon Scot, os Hells me intimidaram de toda a maneira na época do Let It B, em Copacabana. O Marcelo Xavier, na época (guitarrista) me pedia paciência, foi quando no Circo Voador na noite dos pesados, no lançamento do compacto Hells Angells do Rio, a turma dele os motoqueiros, não apareceram, porque lá fora estava repleto de Balaios, aí o Serguei inventou uma desculpa esfarrapada e não cantou, aí eu fiz a festa, só de Led atacamos 13 músicas, as músicas Ventos do Norte, Uma Vez, Suicídio eram as minhas prediletas. Nessa noite tocou também a banda Alinaskina e o grupo Cadilac, e nós ficamos com o fechamento, nossa formação era Marcos Monteiro (vocal) Marcelo Xavier ( guitarra ) Bombinha (baixo ) e Otávio (bateria ), e a propósito a música "Toca Toca Toca Rock´n´roll era eu é quem dominava, a banda tinha tudo pra dar certo até chegar o prego e estragar tudo, também o líder, o Marcelo, dono absoluto da banda, cresceu o olho pensou que ia direto para o estrelato. Bom, eu segui outros caminhos, e os que permaneceram não cresceram pra lado nenhum, e as minhas músicas são melhores que as deles. Um abraço.



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