
Antes, porém, devo confessar que andei xeretando o site you tube, aquele cujo slogan é “broadcast yourself”. Lá, enfim, tive contato, em detalhes, com o bate boca envolvendo o goleiro Rogério Ceni e a jornalista Milly Lacombe. Uma baixaria dos diabos. Bem, nem tanto, mas algo que poderia ser evitado, de parte a parte, fosse o primeiro menos vaidoso e a segunda mais profissional não tão casual. A discussão já entrou para a história da mídia esportiva, é comentada em tudo o que é botequim, e certamente renderá um belo processo para Milly, a menos que ela apresente uma prova de que o goleiro artilheiro realmente falsificou uma assinatura, como ela disse no Arena Sportv, o programa vespertino apresentado por Cléber Machado.
Toquei no assunto porque, já há tempos, observo o despreparo da tal jornalista. Ou, por outra, preparo ela deve ter – é formada, tem experiência e tal -, só não sabe nada de futebol. E não é a única. Soninha, excelente apresentadora, também não se sente à vontade como comentarista, e até o respeitadíssimo – para não ficar só nas mulheres – Juca Kfouri, não sabe, em essência, o que é a bola rolando. Disse isso, todavia, para concordar com a moça. Acho o Rogério Ceni um goleiro apenas razoável, que erra mais do que acerta, e tem como grande virtude – olha que bizarro – fazer gols de bola parada. E isso porque joga num time sem artilheiros e sem meias, que, se tivesse quem fizesse os gols, certamente não sobraria essa tarefa para ele. Podem fazer as contas que a média de gols dele deve ter crescido na medida em que o time do São Paulo foi ficando ruim. Acode aqui, PVC.
Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Não dá pra dizer, num programa de TV, que alguém falsificou uma assinatura sem ter como provar. A gafe foi tamanha, que os companheiros de programa – entre eles os experientes Cláudio Carsugui, Alberto Helena Jr e Armando Nogueira – sequer esboçaram a defesa da colega. Sabiam que ela errara feio. Pagou, sim, por inexperiência e inabilidade, mas também por estar num esquema “à vontade” e de certa leveza que têm habitado as TVs nos últimos tempos, sobretudo nos canais por assinatura. É aquela coisa de tornar a programação mais próxima do telespectador, com participação ao vivo e tal. Milly se sentiu numa mesa de botequim onde torcedores discutem tudo sobre tudo, e sem, claro, a mínima relevância. E aí falou o que se fala num botequim; jamais deveria ser dito, da forma como foi dito, num programa de TV. Errou ela e erraram todos no Sportv. Que paguem todos. Já Rogério Ceni, nem deveria ter se dado op trabalho de entrar ao vivo no programa, por telefone. Ou, por outra, se entrou, deveria ter esclarecido as coisas, ao invés de ficar fazendo ameaças. Foi injuriado? Vai processar? Processa logo e pronto. Simples assim.
Falei, falei e não fiquei de um ou outro lado, porque ambos estão errados, cada qual na sua medida. Sábios foram os que ficaram, até onde pude ver no you tube, calados.
Mas falava do personagem da semana que o velho cronista escolheria. E certamente este personagem seria Rogério Ceni. Não por essa patacoada toda que eu falei, mas pelo aquilo que fez (ou deixou de fazer) em campo. O goleiro, que havia sido apontado como o responsável por ter levado o São Paulo a mais uma final de Libertadores, quando pegou pênaltis de maneira irregular (ok, as cobranças valeram), foi quem entregou o jogo para o Inter na última quarta-feira, numa falha clamorosa, como diria Cláudio Carsugui. Tá certo, eventualmente o colorado venceria de uma forma um de outra, mas se quando é a favor dão mérito a César, vamos lhe dar o demérito nesse caso também.
Domingo, no Mineirão, Rogério Ceni voltaria a ter uma jornada de herói, até porque, naquele São Paulo humilhado e remendado, e isso num time que, repito, já não era lá essas coisas, só mesmo um goleiro artilheiro para se destacar. Pois o São Paulo desandava a dar botinadas para cima e para baixo, numa desorientação total. O Cruzeiro já vencia por dois a zero, ainda no primeiro tempo, quando o árbitro assinala cruelmente um pênalti a seu favor. Seria o terceiro tento e a pá de cal naquele irreconhecível São Paulo. Eis que Rogério Ceni salta espetacularmente e defende a cobrança de Wagner. Defendeu, sim, porque o artilheiro bateu muito bem, mas Ceni foi bem no cantinho e espalmou a batida.
Já seria o bastante. Mesmo porque o jogo era bom e, do outro lado, Fábio também fazia das suas estripulias e garantia o resultado. Isso até que, de falta, Rogério Ceni marcasse o primeiro do time paulista. No segundo tempo, jogo movimentadíssimo, e o São Paulo tem um pênalti a favor.Rogério Ceni vai lá, marca, empata o jogo e passa a ser o goleiro com maior número de gols na história. O mesmo que entregou a Libertadores de bandeja ao Inter, tirou da cartola um empate com o Cruzeiro, na casado adversário. É ou não é um típico personagem rodrigueano?
Até a próxima, que vem processo aí!!!
Eu gostei. Talvez ela tenha colocado mal o negócio do Arsenal, mas, é só. Ela consegue ver os defeitos do Goleiro, coisa que muitos jurássicos (inclusive alguns que ali estavam) não conseguem. Concordo com você sobre gente que não tem lá aquela competência em termos da bola rolando. O Cláudio Carsugui deve ser respeitado. Esse, dificilemente, fala sem saber do que está falando, pelo menos, eu nunca ouvi.