
Aquela alegria besta de indie que opta esteticamente pela tristeza e tem vergonha de ser feliz continua marcante, como se vê em “Funny Little Frog” e em “Another Sunny Day”. É fácil, ao ouvir essas duas músicas, lembrar do clima de sarau que o grupo impôs quando tocou o Brasil. As referências aos anos sessenta continuam firmes, mas agora um pouco mais, digamos, localizadas. “The White Collar Boy”, por exemplo, é típica canção da época, carregada de coros à Beach Boys, assim como a alegrinha “We Are The Sleepyheads”. Já “The Blues Are Still Blue” é a cara do XTC (do disco “Orange & Lemons”, de 89), e chega a flertar até com um T-Rex menos engajado com o glam rock. Ao mesmo tempo, é inegável a semelhança vocal de Stuart Murdoch com Lloyd Cole, notadamente em “Sukie In The Graveyard”, até pela origem escocesa de ambos. As duas citações permitem estabelecer uma conexão ainda com os anos 80, visto que, na época, eram os 60 que faziam a cabeça das bandas que então renovavam o rock com o pós punk.
É na junção disso tudo que se localiza o som do Belle And Sebastian, hoje dono de uma sonoridade musical facilmente identificável e que lhe é própria, como já foi dito lá em cima. Perspectiva que também pode ser verificada no farto encarte. Metade do espaço é destinado a perguntas dos fãs postadas no site e respondida pelos integrantes. Na outra parte há as letras e as sempre belas fotos aparentemente “nada a ver” com a banda. A novidade são as imagens discretas de cada membro, numa impressão tipo “sépia”. Pequenas mostras – não só musicais - de que o Belle And Sebastian continua o mesmo, mas aos pouquinhos vai mudando.
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