Rock é Rock Mesmo
27 de julho de 2006
Se você quer o rock, o rock vai até você
Como atuam as forças de atração entre o fã do rock e aquela banda pela qual ele se interessa.

Meus amigos, a noite cai azul. E rosa. E cai bonita porque estamos no inverno, é bom que se registre. Cai e nasce assim, azul e rosa, como já disse certa vez e virou história, assim como na capa de “Caress Of Steel” – ou “carência de metal”, na tradução etílica festivalzóide que um dia proferi. Compor influenciado por drogas é isso aí, assunto, aliás, abordado com brilhantismo na última edição da Bizz. Os caras conseguiram pegar um tema batidaço, o clássico clichê, e fazer uma parada legal. E olha que eu, que não gosto desse negócio de listas pra vender revista, curti, e muito.

Como de hábito, há muita coisa sobre o que escrever, e, desta vez, também, pouco tempo. Não há tempo, na verdade, mas tem que haver. E um tema tem me perseguido já há um certo tempo, mas por um ou outro motivo, não o destrincho aqui, e ele, vejam vocês, continua a se reforçar através dos fatos mais diversos. Ou, por outra, nem é um tema propriamente dito, mas uma banda que, nos anos 70, era quem mandava nos palcos de todo mundo no quesito rock pesado.

Não é o Rush, não, mas falava do trio canadense, que, sabe-se, é um dos preferidos da casa. Citei-o por conta da imagem da capa do disco “Caress Of Steel”, que pra mim representa o entardecer/alvorecer de inverno aqui embaixo do Equador. E é, também, um disco de razoável significação pessoal, dada a descoberta das meninas, das drogas e do rock’n’roll da juventude de duas décadas atrás. Mas um pouquinho na verdade. Bem que podemos chamá-lo de um trabalho de transição, se considerarmos o início à Led Zeppelin, e depois excepcional peça de rock pesado/progressivo criada com “2112”.

Acontece que volta e meia decido por desafiar até mesmo as sincronicidades. Dou de ombros para a concatenação conjuntiva que aponta para que isto ou aquilo deve ser feito até esgotar todas as possibilidades, embora tema, até, eventualmente, deixar o assunto passar batido pelo vencimento dos fatos ou até mesmo por esquecimento. Não sei se me faço entender. Até quando a bola vai ficar quicando ali na frente da área para eu chutar? E se alguém chutar antes, na direção contrária? Percebem?

E o rock? E o rock? Pergunta o leitor achando a divagação pra lá de descabida. No que retruco: não vai ser hoje, não. Embora o texto possa indicar um certo suspense de meia tigela para apontar aquela banda que surge na cabeça da gente ou em fatos um após o outro, se tem-se o mínimo de faro jornalístico, vou desafiar. Não só os fatos, mas até a tal da sincronicidade que eu tenho sempre explicado e defendendo aqui, e que, já há muito tempo, para mim, é uma verdadeira profissão de fé.

Um desdobramento da tal teoria – não sei se me repito – é outra segundo a qual ao invés de irmos atrás de uma música, um disco, uma banda, eles é que vêm até nós. Ou, por outra, ambos – nós é eles – é que se aproximam mutuamente por interesse do primeiro. Explico. Se o sujeito ouve no rádio – e aqui parto do exemplo da tal forma convencional de se ouvir música – uma certa música e se interessa por ela, fatalmente este interesse plantará nele uma vontade de ouvir, descobrir e saber mais sobre tudo que envolve a canção, desde quem toca, até quem compôs, de que disco é, etc. No rock é assim. Só que, uma vez esse interesse disseminado no íntimo do camarada, por alguma atração física, metafísica, simbólica ou psicodélica, a tal música, artista, etc, também se “sentirá” atraída pelo flerte do cara que ouviu a rádio, em princípio, sem muitas pretensões. Pode parecer uma coisa sem nexo, mas tal teoria se apresenta, isto sim, mais próxima do imponderável do que da irrealidade.

Não é uma ciência exata, nem há fatos que comprovem tal teoria. Não existem registros de estudos mais aprofundados, nem, tampouco, sei se alguém um dia já concluiu algo assemelhado. Mas aposto que há alguém aí do outro lado da tela que eventualmente pode ter se identificado com esse vai-e-vem de palavras. Quem nunca, por exemplo, se interessou em comprar o disco de uma banda, e, por um ou outro motivo, deixou uma oportunidade passar até que, do nada, se deparou com o mesmo disco uma outra loja, tempos depois, meio que sem querer? Ou mesmo encontrou o referido artista na coleção de um conhecido? Quem nunca ficou com uma música na cabeça, um nome de música pronunciado rapidamente pelo locutor de uma rádio, e, depois de tanto procurar e até esmorecer, não encontrou tal música numa situação das mais inesperadas? Quem nunca começou uma conversa com um conhecido, e tal artista sempre apareceu de forma recorrente no bate papo? É disso que eu estou falando

Não adianta. Se você quer o rock, o rock vai até você. Eis o que eu queria dizer. Nenhum gênero musical é tão envolvente, em todos os sentidos, como o rock. Esse contagiante nato que nos encontra e nos revela em todos os sentidos e possibilidades.

Até a próxima, e long live rock’n’roll!!!

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