
Não há dúvida de que os avanços tecnológicos da última década tornaram mais fácil a gravação e a fabricação de um CD, mas, uma vez com o disco na mão, a dificuldade de fazê-lo chegar ao público consumidor continua a mesma. É preciso promover o trabalho para que o público conheça as músicas do artista e tenha interesse em comprar. É preciso colocar o disco nas lojas para que o público possa consumir. E é aí que aparece o grande gargalo do mercado fonográfico independente no Brasil: muitos discos gravados e prensados na fábrica precisando – e não conseguindo – chegar ao consumidor final.
Distribuição especializada
A Tratore é uma distribuidora independente criada em 2001 e que já conseguiu reunir 450 títulos de 100 artistas e gravadoras. É a única que só trabalha com distribuição. As demais, como a Independente, da Trama, são vinculadas às respectivas gravadoras. Para dar conta de tanto produto, a empresa conta com uma equipe relativamente enxuta, com 20 representantes trabalhando no Brasil, e parceiros nos Estados Unidos, Europa e Japão. Mas a Tratore não utiliza o mesmo sistema de distribuição das grandes gravadoras. “Temos nossos próprios métodos de trabalho, achamos o modelo deles ruim para o nosso tipo de negócio. Privilegiamos o lojista especializado, entendemos que ele é quem melhor trabalha com os nossos produtos. Firmamos parcerias com eles, e como vantagens oferecemos um serviço diferenciado: não temos pedido mínimo, não cobramos frete, faturamos 30 dias, etc”, conta Silvio Pellacani Jr., um dos fundadores da Tratore.
Em 2001, Midsummer, Monstro e Bizarre (outra gravadora independente), se associaram e fundaram a Cartel, para ter mais forças para negociar. Assim, eles assinaram contrato com a Tratore, mas a parceria não chegou a avançar em outras áreas. O que chama a atenção no depoimento de Lariú, entretanto, é que ele identifica uma faixa intermediária entre as independentes e as majors, que chama de “grandes brasileiras”, e reúne empresas como a Som Livre, Trama, Indie e Deckdisc, entre outras. A diferença seria o capital de investimento, já que ele considera que “os independentes são uma galera que faz porque gosta e já começou sem grana”.
Promoção e divulgação são outro problema
A despeito dos contratos leoninos oferecidos pelas majors para distribuir os independentes, há quem mesmo assim opte por associar-se a estas grandes empresas na hora de montar o próprio selo. Foi o que aconteceu com o produtor Bruno Levinson, conhecido por realizar, há mais de dez anos, o Humaitá Pra Peixe, festival independente que agita o verão carioca e revela novas bandas. Em 2003, Bruno resolveu ir à luta e criou o ‘Cardume’, selo ligado ao festival que lançou, de cara, quatro artistas: China, Bangalafumenga, Jimi James e a cantora e atriz Thalma de Freitas. A parceria com a EMI não incluía apenas a distribuição. “Foi um pacote completo, eles entraram também com verba para o artístico. Eles me deram uma verba para gravar e produzir o material gráfico e a promoção inicial dos artistas. Com ela, contratei os artistas, os produtores dos discos e todos os profissionais envolvidos no material gráfico e na promoção. Depois, segui fazendo promoção por minha conta”, conta Bruno.
Voltamos, então, ao início do texto, às mil cópias prensadas pelos selos independentes. Rodrigo Lariú considera que as dificuldades com a distribuição, depois que o Midsummer começou a trabalhar com a Tratore, já não existem mais, é como se a Tratore fosse seu departamento de distribuição. Mas isso não quer dizer que as vendas aumentaram, porque o selo também enfrenta problemas com promoção e marketing, já que é difícil sobrar grana para investimentos tão altos, como Bruno Levinson ressaltou. Para ele, só as ‘grandes brasileiras’ é que conseguem isso. De fato, uma artista como a cantora Pitty não teria chegado a 200 mil cópias não fosse o investimento pesado da Deckdisc e, claro, de toda uma estrutura de marketing e divulgação.
Bandas trocam majors por independentes
Outros exemplos pipocam no mercado, como o caso dos Autoramas. Esquecido pela Universal, eles romperam o contrato e em 2003 lançaram o álbum “Nada pode parar os Autoramas”, pela Monstro, e hoje estão entre os mais vendidos da gravadora. Caso curioso foi o da banda de heavy metal Shaman. Como o grupo faz sucesso no exterior, consegue bancar a gravação dos seus discos com a verba das gravadoras estrangeiras. No Brasil, eles chegam com o disco pronto, e fecham uma parceria com uma gravadora, que fica responsável por distribuir e promover o álbum. “Esbarramos em certas deficiências em relação à Universal, eles são tão grandes que têm que dedicar a máquina deles aos produtos que vendem mais. Quando havia um lançamento do Zeca Pagodinho ou da Ivete Sangalo, ficávamos a ver navios, porque toda a equipe de divulgação era deslocada para isso”, conta André Matos, vocalista da banda.
Já que citamos o exterior, como será que se faz distribuição fora do Brasil? A comparação com o mercado americano, por exemplo, passa por consideramos, antes, as diferenças de modelo econômico e poder aquisitivo da população, além do nível de escolaridade e interesse do público consumidor em cultura, em que a música se insere. Mas os métodos de distribuição são bem parecidos com os aplicados no Brasil, na opinião da maioria dos entrevistados. Reclamar das dimensões continentais do nosso país não conta, já que essa é uma característica comum ao território do Tio Sam. “Lá, toda a mercadoria pode ser devolvida pelos lojistas, se ela não vender. No mais, o grande lance, especialmente nos Estados Unidos, é o grande número de distribuidoras independentes. E algumas majors, como a Universal e a Warner, estão lançando distribuidoras para cuidarem exclusivamente de produtos independentes”, conta João Augusto.
Ou seja, a sugestão de Lariú, para que as majors brasileiras trabalhem somente com distribuição, para desafogar o mercado, é uma prática já utilizada no exterior, e que pode ser uma solução para o mercado brasileiro também. O fato é que a distribuição independente no Brasil precisa, no mínimo, acompanhar o ritmo dos lançamentos. Um processo que ainda tem muito para crescer, e é realmente a saída para os artistas independentes fazerem seus discos chegarem ao grande público.
O problema das gravadoras grandes é que elas forçam o artista a fazer uma única música, mesmo que não preste e depois joga na mídia com tanta propaganda que acaba mesmo chegando ao público, mas por que comprar um cd inteiro, com uma música que porventura você gostou se você pode na net ou gravar um cd personalizado com várias músicas diferentes. O "pecado" do Shaaman é ter um disco com "dez" músicas que prestam em vez te ter um único lixo que toca a exaustão na mídia que também controla as grandes gravadoras??? PS - Adoro o Shaaman, tenho todos os cds originais
Olá, sou guitarrista da Overrockband, e gostaria de saber onde posso encontrar os endereços das gravadoras independentes para envio de release e CD.
Somos uma banda de hard rock.
Obrigado
Pois é galera tenho uma banda e sempre tento contatos com gravadoras, mas como sabem e muito difícil, acho muito válido este debate pois a mídia vende porcarias enquanto boas bandas ficam em garagens. Vamos mudar isto, e você tocaram na ferida, valeu...
Lyu - Banda Ultrason - Cwb - Curitiba - Paraná
Discurso bonito tudo mundo faz, solução, todo mundo tem, mas só de boca. Melhor saida é cada um lutar com a arma que tem. ´´,conhecimento, inteligencia, ação direta,´´ Não posso ter nada, mas ao mesmo tempo tenho tudo,,,,, Estamos preparando pra mercado,, ou melhor o mercado está esperando por nós... é claro minha opição foi fazer musica pra entrar em todas as nas casas desse pais,,,,,,,Sou da Banda MR. GAP pop rock,Vladimir Sosa
Gosto muito da Shaaman, e gostaria de saber se ainda existe a banda Mata Hario, de Brasília, e como adquirir os cds. Gostaria de contar com ajuda para saber sobre essa banda e como fazer contato. Grato.
Massa, do caralho. Gostaria de mostrar também nosso trabalho, valeu!
Concordo plenamente com o comentario, e acho pertinente colocar que o nosso modelo de cultura hoje estabelecido pela massiva e brutal devulgacão desse lixo fonografico que nos colocam ouvido a dentro, deixando outos ritmos sem o devido reconecimento. +1fã do Shaaman.
Gostei muito da matéria, gostaria de receber, se vocês tiverem, o endereços das gravadoras com telefone para contato. Um grande abraço.
Se depende da forja de um ''Cartel'', já não é independente. Existe uma regra mercantil. O mercado de serviços móveis está em pleno crescimento no Brasil e no mundo, cada vez mais pessoas irão utilizar o aparelho celular para informar-se, ler e-mails, participar de comunidades e baixar música, pagando. Pode ser uma saída para os produtores de conteúdo independente - músicos, bandas, grupos, trios etc.