Bola e Bola Mesmo
25 de julho de 2006
Até Dunga sabe que não vai à Copa de 2010
Libertadores por um fio, Flamengo favorito, o vai-e-vem do brasileirão e a estratégia cruel da CBF.

Semana passada, vejam vocês, esqueci de falar de algo da maior importância. Simplesmente ignorei a segunda partida das quartas de final da Libertadores, que tem ainda dois clubes brasileiros, São Paulo e Internacional. De repente foi um lapso que veio para o bem, porque eu invariavelmente teria cravado que o São Paulo não conseguiria vencer por dois gols de diferença, o que realmente aconteceu. Diria, ainda, que o São Paulo deve ser urgentemente eliminado, pois, como sempre falo, um time sem meia não deve vencer. Ou, por outra, não consegue vencer. Eis a mais pura das verdades: não é possível o time vencedor sem meias, e assim o São Paulo, que tem vencido na camisa, está fadado à eliminação.

Ainda sobre a Libertadores, diria que o Inter venceria com facilidade a LDU, o que mais ou menos aconteceu. O Inter tem tudo para passar de passagem pelo Libertad na semifinal, porque tem time, tem elenco, tem sorte, tem tradição... O único problema é um técnico que se recusa a ganhar títulos, por mais que os fatos se esforcem a ajudá-lo. Mas chances são chances, e vamos lá, porque uma nova final brasileira iria pegar muito bem.

Comecei pela Libertadores não só para pagar uma dívida, mas porque tive vergonha de abordar uma pelada como assunto inicial de hoje. Porque aquele time que o Flamengo colocou em campo foi ridículo. Não só a equipe propriamente dita, repito, sem nenhum meia, mas a atitude de poupar todo mundo, incluindo treinador, massagistas e o escambau. Só faltou mesmo poupar os uniformes, e, por conseguinte, a própria torcida do vexame feroz. Tava na cara que aquela equipe cheia de cabeças de bagre jamais venceria qualquer jogo, nem contra o Santa Cruz, cujo elenco faz de tudo para retornar à segundona. Digo isso porque vi a primeira etapa e desisti do resto. Aquilo sim foi uma pelada colossal.

Engana-se, porém, que não vê o Flamengo como favorito para levar a Copa do Brasil. Não só pela vantagem de dois gols sobre o Vasco, e nem porque tenha uma equipe melhor que a cruzmaltina. Os dois times, sabemos todos, são equilibrados entre si, se equivalem em suas respectivas ruindades. Mas nessas horas, num clássico decisivo, é que a camisa rubro-negra joga pra valer, a ponto de superar todas as mazelas que a Gávea fabrica em série – da má administração a jogadores horrorosos. E ai a massa pode mandar quando você chegar no trabalho: “tem que aturar!”

De volta ao brasileirão, vejo que o Corinthians enfim chegou onde queria, no último lugar na tabela. Ia dizer fundo do poço, mas o buraco é mais e baixo. A equipe do Parque São Jorge não é ruim, e nem deve ser rebaixada, mas podem riscá-la da lista de candidatas ao título, que matematicamente, prova-se, isso é impossível, se nos basearmos nos números dos recentes campeonatos disputados no sistema de pontos corridos. O mesmo acontece com o Palmeiras, apesar da grande reação iniciada após o recesso para a Copa do Mundo.

Não vi muitos programas esportivos, mas no pouco contato que tive com as notícias, percebi que pela primeira vez a crônica esportiva deixou de apontar os cinco fantásticos (Internacional, São Paulo, Cruzeiro, Santos e Fluminense) como favoritos ao título, e voltou os olhos para Paraná e Figueirense. Pois podem anotar. Essas duas equipes não vão vencer nada tão cedo, não têm time nem camisa. Ok, Santos não tem time também. E o São Paulo, repito, vive de organização, do seu técnico, de planejamento e de salários em dia. Um time sem um único meia jamais pode vencer. Exceto pela tradição, claro. Agora, quem vai levar o brasileirão eu não tenho a menor idéia. Um temporão é que não será, se é que vocês me entendem.

Só faltava essa. Acabei de ouvir o apresentador falar: “Dunga é o novo técnico da seleção brasileira. Esse é o seu primeiro trabalho como treinador”. Como assim alguém que nunca treinou nem time de várzea é contratado para ser o técnico da melhor seleção do mundo? E nem venham me dizer que a CBF está seguindo o exemplo e Juergen Klinsmann, na Alemanha, ou Marco Van Basten na Holanda – dois fracassados, diga-se de passagem -, que aí eu desenterro o revés de Falcão em 91, que também jamais tinha treinado uma equipe em sua história. Das duas uma: ou os caras da CBF não conseguiram convencer os técnicos top de linha e colocaram o Dunga para se queimar nessa que deve ser a tal fase de renovação; ou estão botando fé que Felipão fracassa com Portugal na próxima Eurocopa, em 2008, e aí trazem o gaúcho mal educado, porém vitorioso, para a preparação para a Copa de 2010. Uma coisa é certa: Dunga não chega até a África do Sul como técnico do Brasil.

Até a próxima, que o Flamengo vai ser campeão!!!

ESCREVA UM COMENTÁRIO

Nome
Email
Site
Salvar informações pessoais?
Sim       Não
Comentário (you may use HTML tags for style)















desenvolvido por
Gabriel Lupi / zupa.net

ilustrações por
Flávio Flock


© 2005 - 2006 - Rock em Geral: gardenal.org/rockemgeral
Os textos publicados em Rock é Rock Mesmo podem ser reproduzidos total ou parcialmente, desde que sejam citados fonte, autoria e endreço do site. O sistema de comentários disponibilizado aos leitores do Rock em Geral é exclusivamente para a publicação de opiniões e comentários relacionados ao conteúdo deste site. Todo e qualquer texto publicado na internet através deste sistema, assim como os links oferecidos, não refletem, necessariamente, a opinião de seu autor. Os comentários publicados através deste sistema são de exclusiva e integral responsabilidade e autoria dos leitores que dele fizerem uso, e podem ser excluídos, a critério do autor do site.