
Eis que, para ajudar a colocação do meu ponto de vista, o campeonato brasileiro, já a pleno vapor, apresentou neste final de semana uma autêntica pelada. Se não em 90 minutos, mas numa parte do jogo. Me refiro ao clássico Grêmio e Fluminense, decantado pela crônica esportiva como um dos melhores jogos do campeonato, “só” porque o placar foi um sonoro 4 a 4. E eu digo: existe um placar mais típico para uma pelada que este? Se esmiuçarmos os detalhes de cada gol, então, chega a ser covardia.
Só o goleiro do Grêmio entregou dois, sendo que num (o olímpico, de Petkovic) ele parece ter sido empurrado, embora um goleiro da estatura do Galato não pode ser deslocado, em sua área, por um baixinho como Juliano. E a defesa do Fluminense? Simplesmente ofereceu dois gols ao adversário. Se Oswaldo de Oliveira, que sabe armar uma defesa, não se cuidar, vai ressuscitar a Avenida Abel Braga que fez sucesso no ano passado. Para completar o tom peladeiro do jogo, só as patacoadas do árbitro. Expulsou o meia Tcheco, do Grêmio, com dois cartões em seqüência, por reclamação; tirou Jean do Flu, para compensar; e numa atitude típica de juiz caseiro, deu 4 minutos injustificáveis de acréscimo para que o jogo terminasse empatado. Ô peladinha boa.
E o Corinthians, hein? Seis jogos sem fazer um gol e perdendo todos eles. Os comentaristas avaliam que tudo acontece (ou não acontece) por falta de comando. Me parece algo muito abstrato isso, mas não é possível uma equipe com os jogadores como a do Corinthians não ganhar de ninguém. Não sou de fazer previsões precipitadas, mas é menos um para disputar o título esse ano. Tomara que meu time enfrente logo o Timão antes que ele saia dessa draga.
Se o assunto é título, ouço todo mundo dizer que a partir de agora só os quatro primeiros é que devem brigar pelo taça mesmo. Não me surpreendo porque os comentaristas de hoje não assistem aos jogos. Ou, por outra, assistem a todos ao mesmo tempo, em monitores, e não prestam atenção em nenhum. Vivem, a cada rodada, de comentar tabelas, então dizem que hoje os quatro da ponta são os únicos candidatos a vencer o certame. É óbvio que, se lideram, esses quatro têm boas equipes, mas análise não pode ser só por aí. E os times, jogam bem? O Cruzeiro, já vi, não é. O Inter, sim, é bom e tem elenco. O São Paulo, embora sem um único meia, também é bem armado, tem bom jogador e bom técnico. O Fluminense também nem tudo isso, mas ainda não se acertou porque os jogadores estão atuando irregularmente. O Pet mesmo, que fez dois golaços no domingo, vinha jogando muito mal, chegou a dar uma passe a Cerezo no Sarriá para o Grêmio fazer o segundo gol.
E dali pra baixo, nada? Quase nada mesmo. Um Santos ruim de bola, mas com um técnico sortudo. Um Paraná esforçado e bem armado, mas que não tem camisa. Um Goiás despedaçado. Um Figueirense que só serve pra tirar ponto dos outros. O resto é tudo japonês. Claro que Corinthians e Palmeiras devem reagir, mas para eles o título já era, podem anotar. Digo isso analisando os times que vi jogar como eles estão hoje, porque quando o mercado europeu abrir vai ser um troca-troca dos diabos, e aí tudo pode mudar.
Quarta começa a final Copa do Brasil. Vejam como esse formato de disputa em Copa nem sempre dá o título a quem tem melhor time. Flamengo e Vasco com um time meia boca cada um, e disputando a final. Juntando os três times – diz o Vasco que tem dois – talvez não dê para formar um. Mas agora é final, é jogo de camisa. Como na Copa, vou pela tradição, e aí dá Flamengo. Como, eu não tenho a menor idéia. Agora, que vai ser dois jogões num Maracanã lindo, isso vai. Pena não ser um Fla-Flu, o clássico mais charmoso do mundo. E mais colorido também. Mas acontece.
Até a próxima, e que a pelada não pode parar!!!