Som na Caixa
13 de junho de 2006
Theatre Of Tragedy – Storm
Rock Brigade

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Depois da baixa da vocalista Liv Kristine o Theatre Of Tragedy demorou um pouco para se acertar, não só com a entrada de Nell Sigland, mas também musicalmente. Assim como o sucesso do álbum “Aégis” incomodara a banda no passado, desta vez o grupo norueguês se viu refém de fórmulas da eletrônica e do metal industrial, fato notório nos dois álbuns mais recentes deles (já nos títulos), “Musique” e “Assembly”. A solução foi a volta a sonoridade de “Aégis”, só que atualizada (afinal passaram-se oito anos) e com o plus de ter uma nova voz feminina, que ganhou terreno em relação à de Raymond Rohoniy.

O disco já abre com Nell entoando a o refrão de “Storm” de uma forma arrebatadora, deixando para Raymond as demais partes. Essa é a música em que ele mais participa, e quando sua voz aparece, em todo o disco, está, via de regra, carregada de efeitos eletrônicos. Se de um lado uma das marcas registradas da banda – o contraponto entre a voz limpa, aguda de um, e a suja, rasgada de outro – aparece menos, de outro as linhas criadas por Nell são realmente um achado, e têm uma clareza impressionante. Somada ao recuo da eletrônica, a performance da nova vocalista recupera de certa forma todo o élan que o Theatre Of Tragedy construiu e que estava oculto nos trabalhos mais recentes.

Na parte instrumental, o tecladista Lorentz Aspen continua tecendo o fio condutor, e as guitarras aqui nem sempre aparecem com tanta distorção; o que há é o peso buscando um certo equilíbrio que dá propriedade às músicas. É o que acontece, por exemplo, em “Ashes And Dreams”, onde os teclados e as guitarras (antes do bonito solo) sustentam o vôo de Nell. “Begin And End”, de outro lado, é mais pesada (porém embalada) e mostra uma face mais crua do grupo, com riffs e evoluções bem interessantes. “Voices” seria a melhor do disco, se não terminasse abruptamente. A música se desenvolve num crescente dramático de empolgar, mas encontra o fim justamente no momento mais intenso, quando poderia dali se desdobrar em novas passagens, solos, etc. O que fica um gosto de “quero mais” incontrolável. O disco é, também, curto, e tem tamanho de vinil, o que o aproxima até esteticamente ao pós punk sugerido nas músicas. Já “Silence” e “Exile” conseguem o desfecho perfeito para músicas realmente cativantes.

No fundo o que “Storm” – o disco - propõe é o encontro da criatura com o criador, isto é, do gothic metal com o pós punk oitentista. Só que não em um formato retrô ou revivalista, mas atualizado e com os olhos voltados para o futuro. Resta saber como será o desempenho de Nell Sigland na banda, e o que isso produzirá de novo daqui pra frente, considerando o histórico de mudanças do Theatre Of Tragedy. A julgar por este disco, as perspectivas são das mais animadoras.

Veja também: entrevista com o guitarrista Vegard K. Thorsen

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