
Vi o jogo de ontem mais de uma vez, assisti a vários programas na TV, li e reli matérias. Blogs. Colunas. E definitivamente concluo que, tal como o torcedor, os profissionais da imprensa brasileira são uns eufóricos exagerados. Na hora de criticar radicalizam; na de louvar, vão às raias do imaginário. Disse isso e explico. Para mim a seleção não foi tão mal assim nos dois primeiros jogos; nem tão bem no de ontem, contra o Japão. Ronaldo não melhorou tanto assim. E Carlos Alberto Parreira não era uma besta e nem (muito menos) passou a bestial.
Não vi, no Estádio de Dortmund, ontem, “a volta do verdadeiro futebol brasileiro”, “uma exibição impecável” ou “um show de bola”, como andam dizendo por aí. Vi, sim, uma seleção com muitos reservas em campo, a fim de mostrar serviço, jogando bem contra um adversário ruim e, acima de tudo, arrasado pelo próprio destino. Não quero tirar os méritos da seleção, mesmo porque o jogo foi bom, o Brasil jogou melhor – melhor que nos outros jogos – e mereceu a vitória categórica. E só isso. Ronaldo voltou a jogar bem, mas não comeu a bola como andam dizendo. Pode, sim, dar muito mais. Ronaldinho teve seu melhor jogo, e precisa dar mais também. Juninho entrou no time e jogou bem, mas não foi extraordinariamente bom. Claro que ofensivamente ele é melhor que Zé Roberto. Tanto que Parreira o tem no tal plano B. Os laterais foram bem, mas nada de tão melhor que os titulares. E Gilberto Silva, para mim o melhor entre os que entraram, foi perfeito, assim como Emerson tem sido. E, repito, Japão é Japão, né? Não chega a oferecer tanto perigo assim. Só fez um gol porque Cicinho (ou sua cobertura) deu mole.
Reparem que falei, um a um, dos reservas que jogaram ontem, e não contei com Robinho. Porque é evidente que ele ganhou a posição no ataque do Brasil. Assim como é claro que, contra Gana, todos os titulares voltam, e o time vai jogar tão bem (ou melhor) que ontem. Porque, afora Robinho, os demais não fazem tanta diferença assim. Parreira sabe disso. Mas, claro, deve fazer mistério e só revelar a escalação às vésperas do jogo. Tem gente que ainda se admira com as táticas e estratégias de Parreira. Eu, não.
Com o fim da fase inicial a primeira coisa é fazer constar nos autos a presença de três intrusos entre as dezesseis melhores seleções do planeta. Equador, Austrália e Gana acabaram roubando os lugares de Polônia, Croácia e República Tcheca, respectivamente. Uma pena, sobre tudo por esta última, que mostrou um futebol moderno e competitivo, mas não resistiu aos desfalques e a uma das coisas principais numa Copa: a falta de sorte. Caiu no verdadeiro grupo da morte e morreu cedo.
Vale o registro também, que todos os campeões do mundo, e portanto, favoritos, se classificaram, dois deles – Alemanha e Brasil - com cem por cento de aproveitamento, o que os credencia mais ainda. Nos confrontos das oitavas de final o Brasil se deu bem por ter Gana pela frente, mesmo com todos os perigos (Itália ou República Tcheca seriam mais difíceis), e a Itália idem, ao cruzar com a Austrália. A Espanha se deu mal porque vai ter que encarar a França, que perdeu o primeiro lugar do grupo dela para a Suíça, mas a sina dos espanhóis é perder mesmo. O resto tá tudo dentro dos conformes, com todas as seis seleções campeãs do mundo praticamente garantidas nas quartas. De azarões, entre Suíça e Ucrânia uma vai pras quartas. Um feito e tanto. A Itália espera com prazer. E o Brasil, se passar por Gana, terá a oportunidade de ir à forra contra a França. E Argentina e Alemanha vão se pegar. Lindo.
Viram como camisa faz diferença? O Equador só de ver a Alemanha em casa e com o estádio cheio amarelou. A Inglaterra, mesmo sendo dominada, foi buscar o resultado, e se não vence a Sueca há trezentos anos, também não perdeu e garantiu jogar contra o Equador nas oitavas. Trinidad & Tobago que não fez um gol sequer, Costa Rica, Sérvia & Montenegro (que nem existe mais), Irã, Angola, Japão, Coréia, Togo, Tunísia e Arábia Saudita já vão tarde. Vai jogar mal assim lá na Alemanha...
Seleção da Copa na última rodada da primeira fase:
Buffon (Itália), Bosacki (Polônia), Boulahrouz (Holanda), Lúcio (Brasil) e Lahm (Alemanha); Lampard (Inglaterra), Nedved (República Tcheca), Ballack (Alemanha) e Riquelme (Argentina); Henry (Portugal) e Ronaldo (Brasil).
Até a próxima, e long live rock’n’roll!!!
2x1 pra Gana!