Fazendo Historia
02 de junho de 2006
Reading mostra pop inglês de olho na América
Marilyn Manson e Eminen encerram juntos a trigésima edição do festival. Cobertura do Reading Festival, realizado na Inglaterrra, em 2001. Publicado em setembro de 2001 no site Usina do Som.

O pop britânico já não é mais o mesmo. Pelo menos foi o que se viu na última edição do Reading Festival, que aconteceu entre os dias 24 e 26 de, em Reading, a oeste de Londres, e também em Leeds, norte do país. Juntos, os dois festivais são chamados de Carling Weekend, nome da cerveja que os patrocina. No palco principal do Festival, a maioria absoluta das bandas era americana, e as britânicas em destaque ou eram da Escócia e País de Gales, ou grupos que só fazem sucesso nas terras da rainha.

As atrações do palco principal no domingo, dia que teve a melhor média de público, foram Eminem e Marilyn Manson, precedidos por uma saraivada de bandas identificadas com o nu-metal, vertente da música pesada nascida no mercado americano e que ainda não colou na Europa. Todos americanos, claro.

Além do Main Stage, outros quatro palcos dividiam a atenção do público: o Radio 1 Evening Session Stage, o Carling Stage, o Dance Stage, que no sábado se transformou no Concrete Jungle Stage, um verdadeiro paraíso punk/hardcore e adjacências, e o Comedy Stage, com exibição de DJ’s e afins.

The Strokes

Já está tudo combinado, o queridinho do momento da imprensa londrina é o Strokes, de Nova Iorque. O show do quinteto estava programado para o Evening Session Stage, mas, graças às pressões, sobretudo do semanário NME (onde o Strokes foi capa na semana do festival) foi transferido para o palco principal, antes do veterano Iggy Pop e da bela PJ Harvey. E o Strokes não decepcionou, mandando um set seco, todo em cima de seu único álbum, o recém lançado “Is This It”. É rock tipicamente americano, em linha e sem muitas firulas ou os climas típicos do britpop. Mais uma prova de que o pop inglês está virado para o outro lado do Atlântico.

Montado sob tendas e de capacidade reduzida, os palcos secundários reuniam uma platéia muito mais coesa e participativa, como no caso do show do Ash, banda britpop pesada que surpreendeu ao roubar público do headliner Travis na noite de abertura. Apesar de tantas opções, nem sempre era fácil descolar um show interessante, como no horário em que o Green Day, ainda na sexta, fazia seu show/comédia, no Main Stage. Ao mesmo tempo, o ex-Lemonheads Evan Dando levava suas canções no Evening, o decadente Gary Newman (ex-Gang Of Four) atraía poucos no Dance Stage, e o monótono I Am Kloot fazia o público sentar no Carling. Hora da cerveja.

O dia dos ingleses

Algumas bandas não colam no resto do mundo, mas são superstars na Inglaterra. É o que acontece com os veteranos galeses do Manic Street Preachers e com o Supergrass, duas das três maiores atrações de sábado. É bem verdade que Frank Black e Rancid tiveram os shows mais disputados no gargarejo, mas poucas vezes se viu um público cantar tanto refrão de um só grupo como no set dos Preachers. Antes, o Teenage Fan Club roubava um público também bastante participativo do Fun Lovin’Criminals. E no Carling Stage Eddie Glass e seu implacável Nebula ensurdeciam todos, levando sem piedade o tal stoner rock às últimas distorções, enquanto o Reel Big Fish coverizava “Take On Me”, do A-ha, e o Rocket From The Crypt fazia o Evening dançar, numa deliciosa mistura psycho/ska/rock’n’roll.

Domingão nu-metal

Se o metal europeu se mantém fiel às raízes, o nu-metal criado na América invade o mercado da musica pop. É o que provaram as apresentações de Fear Factory, (Hed) P.E., System of a Down e Papa Roach. O público aclama essas bandas com muito body surfing, e da mesma forma que elas se relacionam entre si: parecem todos integrantes de uma única tribo. O viajandão Queens of The Stone Age, com nova exibição do peladão Nick Oliveri (sem a interferência de nenhum juiz de menores) fez um show melhor que o do Rock In Rio, e bem superior ao do Cult, a “única banda inglesa nesse palco”, como lembrou o afônico (já na segunda música) Ian Astbury. No Evening Session, pouca gente foi prestigiar a estréia de Stephen Malkmus, ex-Pavement, e o encerramento com o brilhante Mercury Rev.

A Arena do Rock apontava para as atrações principais. Marilyn Manson voltou a impressionar, sem novidade musical, mas com surpreendentes truques de palco que prendem a atenção de todos. Num piscar de luzes, ele aparece sobre uma saia com mais de quinze metros de altura, surge vestido de Papa e vira político retórico no palanque, entre outras facetas. Eminem, que se apresentou junto com o grupo rap D12, do qual faz parte, mistura animação no telão e abusa dos motherfuckers e pussys, o que parece agradar aos travados ingleses. No final do set, Marilyn Manson se junta ao rapper, e juntos eles cantam a inédita (porém já gravada) “The Way I Am”. Juntos, o homófobo e o andrógino. Coisa para inglês ver...

ESCREVA UM COMENTÁRIO

Nome
Email
Site
Salvar informações pessoais?
Sim       Não
Comentário (you may use HTML tags for style)















desenvolvido por
Gabriel Lupi / zupa.net

ilustrações por
Flávio Flock


© 2005 - 2006 - Rock em Geral: gardenal.org/rockemgeral
Os textos publicados em Rock é Rock Mesmo podem ser reproduzidos total ou parcialmente, desde que sejam citados fonte, autoria e endreço do site. O sistema de comentários disponibilizado aos leitores do Rock em Geral é exclusivamente para a publicação de opiniões e comentários relacionados ao conteúdo deste site. Todo e qualquer texto publicado na internet através deste sistema, assim como os links oferecidos, não refletem, necessariamente, a opinião de seu autor. Os comentários publicados através deste sistema são de exclusiva e integral responsabilidade e autoria dos leitores que dele fizerem uso, e podem ser excluídos, a critério do autor do site.