Imagem e Tudo
06 de junho de 2006
Judas Priest – Rising In The East
Warner

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Um show de heavy metal é sempre um espetáculo à parte. Não só pelas guitarras raivosas, mas por toda a coreografia e indumentária que ele pede, ainda mais quando isso acontece com uma das banda precursoras do gênero, como o Judas Priest. Tanto que este DVD, com as exatas duas horas do show da última turnê, não tem – nem carece – de extras ou outro adicional. É um show do Judas de cabo a rabo e pronto.

Mesmo em se tratando de um banda de 35 anos de estrada, e esta ter sido uma turnê que voltou a ter Rob Halford nos vocais, ele que andou se dedicando a uma carreira solo nem tão satisfatória assim, não há nesse vídeo o mínimo sinal de repetição. Há, sim, muita vitalidade de quem poderia fazer um set de pouco mais de uma hora – como é habito nestes dias - mas opta por incluir nada menos que cinco músicas (metade) do último disco, “Angel Of Retribution” - muito bom, por sinal. E ainda se dá o luxo de recolocar clássicos antes esquecidos, mesmo em uma época em que o som do Judas nem era tão pesado assim, nos anos 70, como “Victim Of Changes”, ou estava em baixa, nos 80, como “Turbo Lover”.

O vídeo, gravado em Budokan, no Japão, no ano passado, traz o mesmo show que o Brasil viu em setembro. No palco estão as escadarias e as plataformas pantográficas que fazem Halford “desaparecer”, o fundo com um olho gigante, de onde ele inicia o espetáculo com “Electric Eye”, os adereços que simulam chamas, a moto que ele guia no primeiro bis e outras fanfarras. As luzes fortes e estouradas realçam a predominância do preto das roupas dos músicos. Rob Halford, com dezenas de roupas de couro cravejadas de arrebites é a personificação do gênero que ajudou a criar. Com ele, se juntam K.K. Downing e Glenn Tipton, também trajando couro e com coreografias impecáveis, e está formada tríade do metal que, no final do show, ergue as guitarras para o delírio dos fãs. Pena que os japoneses, frios e distribuídos em fileiras de cadeiras, não corresponderam tanto assim ao som do grupo. Só na hora da tradicional “regência” de Halford, com voz impecável, diga-se de passagem, é que a coisa ficou boa.

O repertório é realmente impecável, e a banda o executa com uma precisão comparável aos tempos de ouro Judas, muito embora não se possa reclamar dos dias atuais, em que logo em seguida a uma turnê temos o vídeo na íntegra para ver em casa. Entre as novas, destaque para as excelentes “Worth Fighting For”, a cadenciada “Deal With The Devil” e “Hellrider”. Já nos clássicos, como separar coisas do naipe de “Breaking The Law”, tocada antes da metade, com “Painkiller”, já no final? E isso sem falar em “A Touch Of Evil”, “Hell Bent For Leather” e “Metal Gods”, num repertório perfeito para um vídeo idem.

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