
Bem, demo é a maneira de falar se levarmos em conta que este disco não foi lançado comercialmente, porque a gravação é de fazer inveja a muitos CDs com chancela de gravadora grande por aí. Gravado no Melhor do Mundo Studios, traz quatro músicas. “A Curva” é a melhor e mais pesada do disco; tem cara de carro chefe para o grupo. “O Grande Crime” começa com jeito de metal – e lembra o Infierno – mas logo envereda por um minimalismo (lembra as maluquices de Mike Patton) que esconde boas passagens de guitarra e um baixo estaladão que sustentam um bom refrão que diz: “meu crime é voltar atrás”. Ato falho ou sinais de arrependimento?
A segunda parte é mais suave. De novo é o baixo que domina em “Homem ao Mar”, mas a música só cresce no instrumental do final, não em intensidade, mas mostrando um clima intimista muito bem elaborado. Ela dá a deixa para “Canção Para os Amigos”, a mais calma de todas. Ambas flertam com o samba e a mpb, e levam à (inevitável) comparação, ao menos estética, com o que anda fazendo seus ex-companheiros de banda. A diferença é que o Eskimo traz um acabamento musical há tempos dispensado pelos desmazelados Hermanos.
A despeito da qualidade musical o disco é praticamente impecável. Mas, como projeto (instrumental) de um homem só, carece de uma certa “aura” que só uma banda e os palcos podem pode trazer. Contraditoriamente, as quatro músicas deste “EP”, juntas, não apontam para lugar algum, falta unidade e uma certa homogeneização, coisa que talvez se dê melhor, também, como formação de banda. Ou seja, para ganhar vida de verdade o Eskimo precisa sair do papel, ops, do estúdio.
Contato:
www.eskimosounds.com
eskimocontact@hotmail.com
Veja trambém: entrevista com Patrick Laplan
Adorei os comentarios sobre o "EP"... Espero que a família Eskimo nao seja vista apenas como uma lembrança, e com comparaçoes a bandas anteriores, mas vista como e epenas Eskimo1 Aparte disto adorei