
Disse, naquela oportunidade, que o fim da Rádio Cidade mostrava, na verdade, a decadência, não só das rádios, mas do rádio enquanto veículo de comunicação. Mas, como de hábito, fãs de rock já se desesperam, e eu sei bem como é que é. No Brasil, o rock anda sempre tão no fio da navalha que qualquer sinal de recuo já causa estranhamento e desconfiança por parte de quem não vive sem ele. Daí o temor de que o rock vai acabar, uma paranóia que segue perseguindo todo e qualquer admirador deste gênero musical incoibível.
Pois eu estou aqui para reafirmar exatamente o contrário. O rock, ao menos no Brasil que nós conhecemos, vive justamente quando parece estar derrotado. Quando tudo parece ir contra é que ele renasce das cinzas como uma fênix triunfante. Aconteceu sempre comigo, e acontece o tempo todo, é só observar que estes ciclos se repetem há anos. Não fosse assim, não seria possível, por exemplo, o rock no Brasil sem a Fluminense FM. Ou sem o Rock In Rio todo ano. Ou sem aquela revista boa de se ler que não consegue mais ser impressa e só aparece na web. Pense bem, você, fã de rock, se em um ou outro momento em que estava desanimado, não foi justamente o rock que ressurgiu, através de um show internacional, uma nova banda, um festival, um evento, ou algo que o valha? Foi ou não foi?
Pois é assim que é. Eu próprio poderia aqui desandar a contar histórias em que e vi sem saída e fui salvo pelo rock’n’roll, mas isso aqui não é blog, diário sentimental nem cadeira de terapeuta. Só toquei no assunto para ajudar a aplacar a ansiedade daqueles que se sentem órfãos da 89, fato que, aliás, já aconteceu comigo em outras épocas e circunstâncias. Acontece a toda hora. E o desfecho é sempre, invariavelmente, o triunfo do rock. Porque enquanto houver juventude, haverá invariavelmente o rock.
Até a próxima, e long live rock’n’roll!!!
Concordo com tudo que você veio a dizer. A respeito da 89, é um caso lastimável. Sou de Sampa e ouço a rádio deste 2000 e percebi uma certa mudaça de um ano para cá, mas agora o bagulho desandou de vez. Fico triste pois a 89 fez parte da minha adolescencia até hoje, e aqui, ela era a unica que conciliava clássicos com bons lançamentos.
Agora o que nos resta é esperar por dias melhores.
Sem desespero, hein? O rock acha o caminho, você vai ver...