É quase uma unanimidade entre os fãs mais conversadores do Yes que a volta da banda, em 1983, com Trevor Rabin, é uma das piores fases do grupo, que o guitarrista teria dado à banda uma sonoridade pop demais e assim por diante. Mas nenhum deles consegue explicar o sucesso do álbum “90125”, que inclusive trouxe o grupo ao Brasil pela primeira vez, no Rock In Rio de 1985. O fato é que só com Trevor o Yes conseguiu fazer um “up grade” para sobreviver, em plenos anos 80, com a sonoridade dos 70. Tanto que o disco rendeu desdobramentos até 1987, época do apenas razoável “Big Generator”. Dali em diante turnês revivalistas reunindo integrantes de vários períodos tomaram conta da banda, na chamada fase “Union”.
Isso até 1994, quando, com a mesma formação em que Rabin se destacou, o Yes veio com “Talk”, um dos álbuns que está sendo relançado agora. Com boa parte das músicas compostas por Jon Anderson e Trevor Rabin, o disco tenta mesclar as duas fases: a renovada que gravou “90125” e aquela que se preocupa em reviver os anos de ouro do progressivo. Embora tenha boas músicas, como “The Calling” – que reaparece em duas versões, uma um pouco maior – e “I Am Waiting”, o disco não passa a barreira do razoável. Primeiro porque os “ares de renovação” de Rabin, 11 anos depois, já não são tão renovadores assim – “State of Play” tenta, mas não é nem sombra de “Owner of a Lonely Heart”. E, depois, do lado conservador, menos ainda. Apesar de ter faixas de duração longa, coisa compatível com a história do Yes, no fim das contas aqui aparece mais um grupo pop – Walls é retrato fiel disso - do que o ícone do progressivo de outrora.
O outro álbum recém relançado é “Open Your Eyes”, de 1997, o primeiro de inéditas do Yes desde “Talk”. Aqui, o guitarrista é o idolatrado Steve Howe. Mais técnico e vidrado em cordas, ele cria climas por todo o álbum, e realça as composições, creditadas coletivamente, embora haja muito da duplinha Chris Squire/Jon Anderson, que é quem segura a onda do Yes na hora de mostrar material inédito. Mas Howe não leva a banda de volta ao início dos anos 70, quando brilhou no clássico “Close To The Edge”. Tampouco Squire e Jon mantêm os resquícios da era Rabin, e o resultado é quase uma espécie de crossover entre esses dois períodos, com a sonoridade do primeiro e a veia pop do segundo. Nem todas as músicas são brilhantes, mas quando são, não decepcionam os fãs. Entre essas estão “Universal Garden”, com show vocal de Anderson, e “Man In The Moon”. Por ter Steve Howe de volta, “Open Your Eyes” não é um disco comum do Yes, mas também não chega a ser a salvação da lavoura.