
No Brasil o programa chamou mais a atenção pelas circunstâncias em que estreou, do que pela idéia em si. É o que o SBT ganhou na justiça o direito de exibir, antes da estréia do “Big Brother”, o “Casa dos Artistas”, programa idêntico, comandado por Silvio Santos, só que com artistas de décimo escalão, mesmo tendo a Globo adquirido os direitos junto à Endemol, empresa holandesa detentora dos direitos de exibição do programa. E a “Casa” do Silvio foi um grande sucesso de audiência, desbancado o “Fantástico”, revista semanal da Globo e líder de audiência no horário, desde a sua criação, em 1973.
Em desvantagem, a Globo (que não é de hoje que contrata atrações para colocar na geladeira) levou o “Big brother” ao ar. Ao mesmo tempo, o SBT estreou o “Casa dos Artistas 2”, e, por ironia, não atingiu o sucesso da primeira edição, voltando a Globo a dominar a audiência em todos os horários. Desesperado com a queda, Silvio Santos passou a mudar as regras do jogo a cada programa, sem conseguir alterar a preferência do telespectador.
A Globo, por sua vez, investiu pesado na gincana, utilizando todo o conglomerado para promover o programa. Mas o resultado, para a emissora, não passou de satisfatório, sendo que a novela “O Clone” continua líder de audiência no horário nobre, e o futebol das quartas à noite apresenta um resultado melhor que o do “Big brother”. Entretanto, também tem alterado as regras do seu programa, de acordo com a resposta da audiência. A própria final só vai ao ar hoje porque a emissora concluiu que um domingo de Páscoa não era uma boa data, já que muitos estão retornando do feriadão. Outras manipulações também ocorrem nos dois programas, fruto da guerra pela audiência, sem dar importância ao nível da atração.
Assim, considerando (e torcendo para) que o sucesso repentino de “Casa dos Artistas” tenha sido um fato isolado, resta-nos torcer para que os ânimos entre Globo e SBT se arrefeçam, e que os dois programas não voltem mais ao ar.