Som na Caixa
26 de maio de 2006
Testament – Live At Filmore / Demonic / The Gathering / First Strike Still Deadly
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Enquanto o Testament excursiona pelos festivais europeus na cola do CD/DVD “Live In London”, que reuniu a formação clássica da banda, quatro discos são relançados no Brasil. O melhor deles, de longe, é “The Gathering” (1999), que trazia ninguém menos que Dave Lombardo (da formação original do Slayer) na bateria e Steve DiGiorgio, baixista dos mais conceituados e que já tocou com Death e King Diamond. Essa cozinha renovada deu liga com os demais integrantes (Chuck Billy, vocal; Eric Peterson e James Murphy, guitarras) e o resultado é assustador, tanto em termos de consistência sonora, como na parte criativa do grupo. Há tempos o Testament não conseguia reunir músicas tão pesadas – realçadas por uma produção impecável, a cargo de Andy Sneap – com a criatividade que sempre lhe marcou. Músicas como a sinistra “Eyes Of Wrath”, que traz a reboque um solo arrebatador e as inconfundíveis viradas de Lombardo; “True Believer”, que mistura a essência thrash com um apelo acessível e cativante; “Riding The Snake”, verdadeira lição thrash, cadenciada e com base cheia de variantes; ou ainda “Legions Of The Dead”, uma porrada à Slayer de tirar o fôlego, são só alguns exemplos do achado que é este álbum.

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O disco anterior é “Demonic” (1997), que nem chega ser um álbum ruim, mas está longe do nível atingido na seqüência. Produzido pela própria banda (entenda-se Chuck e Eric) e com apenas Eric nas guitarras, o material aqui soa chocho, com pouco peso e músicas não tão inspiradas assim, muitas investindo em clichês que até para um subgênero do metal que precisa muito deles como o thrash não caem bem. Mesmo o vocal de Chuck parece preso a uma forma só de cantar, de maneira mais lenta e quase “recitada”, se é que se poder usar o termo para vocais sujos. Cai muito bem em algumas músicas, como em “The Burning Times”, que é realçada por um solo de guitarra assustador, mas em outras soa repetitivo. Eric Peterson é o autor de dez das onze faixas, mas não parecia estar numa fase muito boa para compor. Quando brilha, entretanto, faz a diferença nas músicas mais legais, como na nervosa e curta “Marky Waters”; “Hatreds Rise”, que tem um “que” de pop e “Ten Thousand Thrones”.

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“Live At The Filmore” (1995) é um ao vivo gravado na terra natal da banda, antes de “Demonic”. Na formação estão Greg Christian (baixo, cujo solo na instrumental “Urotsukedoji” é de arrepiar), James Murphy (guitarra) e Jon Dette (bateria), além de Chuck e Peterson. Apesar de ter vários clássicos – como “The Preacher”, “Into The Pit”e “Practice What You Preach” – a mistura com as músicas recentes, do álbum “Low”, que trouxe mudanças para o grupo, não deu uma boa liga. “Low” marcou a estréia de James Murphy substituindo o querido Alex Skolnick, e nesta primeira experiência numa gravação ao vivo se saiu bem. Seria apenas mais um disco ao vivo, se no final não fossem gravadas três faixas no formato “acústico”: "Return To Serenity”, “The Legacy”e “Trail Of Tears”. Mas peraí, thrash metal acústico? Aí não dá, né?

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Fazer regravações de clássicos originais sob o pretexto de obter um up grade tecnológico pode ate ser uma boa idéia, mas quem disse que o thrash metal, tal qual foi concebido nos anos 80, precisa disso? Os caras do Testament acham que precisa e gravaram “Firts Strike Still Deadly” (2001) só com músicas dos dois primeiros álbuns deles, “The Legacy” e “The New Order”. É óbvio que a gravação ficou melhor do que a de 13, 14 anos antes, ainda mais com a turbinada garantida por John Tempesta (bateria) e Steve DiGiorgio (baixo). Mas soa um tanto limpa se comparada às originais, fato comprometedor para uma banda – e um gênero musical – que nasceu fazendo apologia ao sujo, underground e espontâneo. Isso por si só faz do disco um trabalho desnecessário e que deve servir apenas como curiosidade para os “die hard fãs”. Aos neófitos, melhor buscar os originais, ou coletâneas e ao vivo.

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