
Outro dia fiz um texto-ranrinza-reclamação denunciando a grande quantidade de bandas que tem por aí, a partir de uma observação de um camarada no orkut que dizia que a Trama Virtual era o grande mal do novo século, o fim da linha para os independentes. Ou algo que o valha. Quis o destino – ou a sincronicidade do rock’n’roll – que eu fosse convidado para ser jurado num concurso de bandas promovido pela Revista Capricho, em parceria com a... Trama Virtual. Funcionava assim. O integrante de uma banda com músicas cadastradas na Trama enviava um e-mail para a produção do concurso com o link correspondente, e a produção ajuntava tudo e remetia, por e-mail, para os jurados escutarem e selecionarem as preferidas, até se chegar nas seis finalistas que tocariam no evento – três em cada dia – e a grande vencedora, que faria um show maior no terceiro dia. Foi assim que recebi umas 350 músicas para ouvir em dois dias.
Primeiro a boa notícia. A maioria absoluta era de bandas de rock, em todas as suas vertentes. Outra? Numa primeira peneirada selecionei umas trinta bandas legais – a julgar pela solitária música, o que corresponde a mais ou menos dez por cento do total. Parece pouco, mas não é. E dessas trinta para chegar nas dez que a produção pediu foi bem difícil. É bem verdade que muitas dessas bandas eu já conhecia de alguma maneira, e outras já até tinha visto ao vivo, o que ajuda muito, para o bem e para o mal. Isso deixou as coisas mais claras, porque ouvir só uma música, e em mp3, numa caixinha de computador, é dose.
Agora, a ruim. E tem muito ver com a tese de que muito espaço para bandas novas pode não ser lá uma coisa interessante. Digo isso depois de pensar um milhão de vezes e com vontade já de retificar. É que tem bandas com músicas cadastradas no Trama Virtual, que na verdade nem bandas são. Percebe-se, sem entrar no mérito de gêneros e estilos dentro do rock, que tem gente ali que nunca subiu num palco, nunca gravou uma demo com o mínimo de qualidade para apresentar-se como banda, e muito, muito sem noção de como as coisas funcionam. Gente que, como já disse, sequer possui um único amigo para lhe aconselhar a fazer algo decente ou, então, partir para outro ramo de atividade. Como tudo isso está misturado, lá no site, com artistas da cena independente que já têm certa projeção e reconhecimento, configura-se um samba do crioulo doido dos diabos.
Mesmo assim, todas essas bandas que ninguém nunca ouviu aparecem lá previamente enquadradas em gêneros e subgêneros da música, com textos até elaborados (outros precários) como se tivessem certa relevância. Parecem, no mundo virtual, que estão inseridos em algum mercado da música pop e são ouvidas por muita gente. São, por assim, dizer, como aquelas celebridades televisivas reveladas em reality shows. Não são nada, mas por um momento, são tudo. É preciso evidentemente separar o joio do trigo, porque, como disse, tem muita banda boa e até razoavelmente estabelecida por lá. Mas, grosso modo, o resto desfruta dessa modernidade fútil e superficial.
Vejam bem. Não me interpretem mal. Não quero com essa falação toda defender redução de espaços para novas bandas ou cercear iniciativas que podem ser, mais pra frente, interessantes. Ou, por outra, não desejo que bandas novas não apareçam aos montes, muito ao contrário. É de bandas novas que se nutre o rock, que, aliás, tem uma capacidade de renovação formidável, aqui e em qualquer lugar do mundo. Mas é preciso se situar, saber o que acontece ao seu redor. E, antes de disponibilizar uma música num site desses, ter em mente que banda, como sempre digo, foi feita para tocar; uma banda só é banda mesmo depois de encarar uma certa quantidade de palco por esse Brasilzão.
Falei, falei, falei e já estava me esquecendo de uma coisa importante e positiva nesse tipo de site. Mal ou bem, mesmo ouvindo “só” 350 artistas num site que tem banda a rodo, e descontando ainda essas aberrações que eu falei, é possível se ter uma amostragem razoável das tendências que estão sendo seguidas pelo mercado. Por exemplo. Grande parte das bandas que ouvi iam cegamente na onda emocore/hardcore melódico. Outra quantia está agarrada naquela coisa de banda indie que se mistura com mpb à Los Hermanos. Mas tinha também aqueles que revivem a jovem guarda, uma cópia bisonha de Cansey de Ser Sexy, hard rock pesadão das antigas, hard rock com punk à Forgotten Boys e até o uma única banda de gothic pop metal parecida com o HIM. Nesse aspecto, embora com ferramentas modernas, ocorre a mesma coisa de tempos atrás, quando as demos que eu recebia para resenhar, em plenos anos 90, ou eram de bandas de hardcore melódico/poppy punk, ou iam na linha desbocada de Raimundos ou do rap com rock do Planet Hemp. Mudam-se os tempos e as ferramentas, e o ser humano, como dizia o Mestre, continua o mesmo. Um idiota.
Até a próxima, e long live rock’n’roll!!!
Pô, Marcos, se a crise está tão grande se o apocalipse e o ragnarock aí estão, qual é a solução meu irmão??????????????????
Acho que hoje tá havendo uma explosao demográfica de bandas. Muita porcaria. E tem mais os róotulos que nao me dizem nada, Los Hermanos é rock?
O que tem que fazer uma banda de rock pra acontecer? Botar o pée na estrada e tocar, tocar, tocar? Com que dinheiro? Equipamento, transporte, gasolina etc. Como te admiro muito, me responda.
Bere, antes de "acontecer", uma banda tem que ser banda de verdade, e para isso tem que tocar, não digo "na estrada", mas em tudo o que é canto em sua cidade. Tem que ter dinheiro, sim, como em toda profissão que se inicia, não tem jeito.
E Los Hermanos deixou de ser rock há muito tempo. Procure aqui no site que eu já escrevi muito sobre isso.
Abraço!
Olá! Gostaria muito de saber como faço pra me apresentar com minha banda em qualquer lugar?
É preciso pagar?
Por favor me responda.
Beijocas da Rê
Marcooosss!
Preciso muito saber como faço para gravar um demo?
E qual o melhor lugar, mas que não seja caro?
Obrigada por saber informar as pessoas...
Beijocas da Rê!!!
O sucesso (em qualquer situação) tem que ser uma CONSEQUêNCIA, e não um objetivo principal. Para que isso aconteça você tem que ser o melhor possível e inovar.