O Homem Baile
21 de maio de 2006
Menos banda e mais eletrônico, Sisters Of Mercy aponta mudanças com a nova formação
Grupo se apresentou ontem no Circo Voador, no Rio. Repertório privilegiou fases mais recentes e as novas músicas.

Quando esteve no Brasil em 1990 o Sisters of Mercy não deixou o mesmo estrago que o Echo uns anos antes, mas fez história com dois shows que marcavam a última formação da banda antes da atual. Era a época do disco “Vision Thing”, que, de tantas guitarras acabou flertando com o hard rock e com o metal gótico que a banda iria influenciar dali pra frente. Daí a expectativa por um show deles agora, às vésperas de ser lançado um novo álbum, ser das melhores.

A cortina de fumaça era tão grande quando a banda subiu no palco que o vocalista Andrew Eldritch, o visionário mago dos anos 80, com seus tradicionais óculos escuros e a voz do fundo das trevas só pode ser visto lá pela quinta música. Mesmo com o público disposto, farto e sortido, o show só começou a empolgar em “Dominion”, o primeiro dos hits – se é que podemos chamar assim – que foi cantado em uníssono, ao menos no refrão. “This Corrosion” foi outra contemplada pela participação do público e fez do álbum “Floodland”, o segundo deles, o preferido da noite.

O problema é que o som da grande fase do Sisters era marcado por um baixo à frente da guitarra, que investia em evoluções minimalistas e poucos solos. No fundo, uma bateria eletrônica e a cavernosa e inigualável voz de Andrew Eldritch. No show de ontem, o que se viu foi que somente Eldritch restou. Sem pressão, a bateria não sortia o efeito de antes, e a formação, sem baixo, cujo som às vezes aparecia pré-gravado, ficou descaracterizada e fez as músicas – novas e antigas – ficarem muito assemelhadas entre si. Os dois guitarristas (Chris Catalyst e Ben Christo) tocam praticamente a mesma coisa o tempo todo, nenhum deles faz as vezes do baixo. E , no caso do Sisters, isso foi crucial.

Andrew também ignorou aquela que é a melhor fase do grupo, que se encerra justamente com o lançamento do primeiro disco, “First And Last And Always” – e que teve a faixa-título como encerramento, já no segundo bis. O melhor do Sisters vem dos EPs e compactos lançados aos montes antes de a banda assinar com a gravadora. Desse período, só três músicas abrilhantaram o set: a genial “Alice”, “Temple Of Love” e “Anaconda”, essas duas últimas em versões bem descaracterizadas. Talvez pela formação com duas guitarras ele tenha optado por fazer o set com ênfase nas músicas do “Vision Thing”, já com uma banda toda renovada e com dois guitarristas, um deles Tim Bricheno, do All About Eve. Por isso músicas como “When You Don’t See Me”, que tem um riff arrebatador, e “Denotation Boulevard”, outra que só mostrou intimidade com o público no refrão, ganharam destaque nos cerca de 90 minutos em que a banda esteve no palco.

As músicas novas seguem a linha que a formação permite, onde o Sisters aparece menos como banda e muito mais como “projeto eletrônico”, em que pese a quantidade de sons pré-gravados e soltados pelo tecladista Nurse. Ele chegou a utilizar uma seqüência de “Giving Ground”, música gravada na época em que, impossibilitado de usar o próprio nome por uma disputa judicial, o Sisters atendia por Sisterhood. Se na gravação do primeiro disco dessa fase Andrew não cuidar com carinho das guitarras, e, ainda, deixar o baixo de lado, periga o Sisters entrar no caminho da eletrônica repetitiva e estéril. O que, convenhamos, seria uma pena.

em maio 24, 2006 05:24 PM [joão allioni]

Assisti ao show de São Paulo e fiquei muito chateado, pois esperava mais, principalmente do primeiro disco, foi muito ruim...



em julho 1, 2006 10:11 AM [Laura]

Tá na hora de atualizar isso aqui, hein?!



em abril 10, 2008 09:02 PM [matheus]

Já vi que quem fez esta resenha não acompanha os Sisters há muito tempo, o som deles nos shows de 2006 é o mesmo desde 1993, eu fui no show de São Paulo (2006), a bateria estava forte sim, o som do Rio deveria estar pior.
Outra, eu prefiro o som de 90 também, mas esta fase não é ruim, está mais poderosa, quem assustou com seqüências foram os caras que só conhecem a "Walk Away" dos Sisters e dizem que são fãs.



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