
A cortina de fumaça era tão grande quando a banda subiu no palco que o vocalista Andrew Eldritch, o visionário mago dos anos 80, com seus tradicionais óculos escuros e a voz do fundo das trevas só pode ser visto lá pela quinta música. Mesmo com o público disposto, farto e sortido, o show só começou a empolgar em “Dominion”, o primeiro dos hits – se é que podemos chamar assim – que foi cantado em uníssono, ao menos no refrão. “This Corrosion” foi outra contemplada pela participação do público e fez do álbum “Floodland”, o segundo deles, o preferido da noite.
O problema é que o som da grande fase do Sisters era marcado por um baixo à frente da guitarra, que investia em evoluções minimalistas e poucos solos. No fundo, uma bateria eletrônica e a cavernosa e inigualável voz de Andrew Eldritch. No show de ontem, o que se viu foi que somente Eldritch restou. Sem pressão, a bateria não sortia o efeito de antes, e a formação, sem baixo, cujo som às vezes aparecia pré-gravado, ficou descaracterizada e fez as músicas – novas e antigas – ficarem muito assemelhadas entre si. Os dois guitarristas (Chris Catalyst e Ben Christo) tocam praticamente a mesma coisa o tempo todo, nenhum deles faz as vezes do baixo. E , no caso do Sisters, isso foi crucial.
Andrew também ignorou aquela que é a melhor fase do grupo, que se encerra justamente com o lançamento do primeiro disco, “First And Last And Always” – e que teve a faixa-título como encerramento, já no segundo bis. O melhor do Sisters vem dos EPs e compactos lançados aos montes antes de a banda assinar com a gravadora. Desse período, só três músicas abrilhantaram o set: a genial “Alice”, “Temple Of Love” e “Anaconda”, essas duas últimas em versões bem descaracterizadas. Talvez pela formação com duas guitarras ele tenha optado por fazer o set com ênfase nas músicas do “Vision Thing”, já com uma banda toda renovada e com dois guitarristas, um deles Tim Bricheno, do All About Eve. Por isso músicas como “When You Don’t See Me”, que tem um riff arrebatador, e “Denotation Boulevard”, outra que só mostrou intimidade com o público no refrão, ganharam destaque nos cerca de 90 minutos em que a banda esteve no palco.
As músicas novas seguem a linha que a formação permite, onde o Sisters aparece menos como banda e muito mais como “projeto eletrônico”, em que pese a quantidade de sons pré-gravados e soltados pelo tecladista Nurse. Ele chegou a utilizar uma seqüência de “Giving Ground”, música gravada na época em que, impossibilitado de usar o próprio nome por uma disputa judicial, o Sisters atendia por Sisterhood. Se na gravação do primeiro disco dessa fase Andrew não cuidar com carinho das guitarras, e, ainda, deixar o baixo de lado, periga o Sisters entrar no caminho da eletrônica repetitiva e estéril. O que, convenhamos, seria uma pena.
Assisti ao show de São Paulo e fiquei muito chateado, pois esperava mais, principalmente do primeiro disco, foi muito ruim...
Tá na hora de atualizar isso aqui, hein?!
Já vi que quem fez esta resenha não acompanha os Sisters há muito tempo, o som deles nos shows de 2006 é o mesmo desde 1993, eu fui no show de São Paulo (2006), a bateria estava forte sim, o som do Rio deveria estar pior.
Outra, eu prefiro o som de 90 também, mas esta fase não é ruim, está mais poderosa, quem assustou com seqüências foram os caras que só conhecem a "Walk Away" dos Sisters e dizem que são fãs.