O Homem Baile
01 de maio de 2006
Em grande forma, Echo And The Bunnymen resgata o melhor dos anos 80
Grupo precursor do pós punk inglês faz o melhor show no Brasil desde as clássicas apresentações de 1987.

Se fazer um show histórico é bom para uma banda, o fantasma que ela passa a carregar pode ser fatal. No caso do Echo, é simplesmente impossível voltar a vê-los no palco sem lembrar dos shows de 1987, no Canecão. Era esse o assunto mais comentado em entre o parco público que compareceu ontem à noite no Claro Hall, no Rio. Mas o show de 87 foi o Pelé dos shows, coisa de outro mundo. Só vale comparações se for com as outras duas vezes em que a banda esteve aqui nos últimos anos. E, aí, sim, conclui-se que o show de ontem foi muito melhor.

Primeiro que em “Siberia”, o último disco deles - leia-se Ian McCulloch e Will Sergeant – a sonoridade oitentista que encanta a todos está de volta, e isso fez do repertório, com três das novas, renovado. Depois, Will, visivelmente mais magro, está mais do que nunca empenhado e fazer sua guitarra vibrar como nos bons temos. Por último, Ian, se já não possui aquela voz de outrora, tem aprendido a usá-la de modo a não se encontrar vencido pela ausência dela. E, convenhamos, o cara tem estilo para ser o que é. Que os músicos de apoio, incluindo um tecladista, são competentes e fazem o feijão com arroz certinho é desnecessário ressaltar.

O som não estava muito bem ajeitado quando “Going Up”, a tradicional música de abertura foi executada, e Ian, por sua vez reclamava as pampas do microfone. “Show of Strenght”, desenterrada do álbum “Heaven Up Here” é a segunda – mais tarde “The Disease”, também desse disco, entraria na roda, e com “Stormy Weather” o grupo começa a mostrar as novas. Com o som melhor equalizado, começam a ter destaque a pegada do baterista Simon Finley e a genialidade de Sergeant. O guitarrista permanece no canto esquerdo do palco cercado de guitarras, amplificadores e pedais. Sob franjas desalinhadas, à vezes parece estar num outro mundo, mas se concentra em refazer todo o trabalho que inventou, ajudando a moldar a sonoridade pós punk nos anos 80. Assim acontece em “Seven Seas”, a primeira das clássicas, em “Lips Like Sugar”, já no bis, e em “Never Stop”, com introdução pré-gravada, uma das mais cantadas pelo público.

Em uma das músicas mais pesadas do disco novo, “Scissors In The Sand”, as duas guitarras mandam um riff rascante e contagiante, mostrando um Echo em sintonia com nossos tempos. Na ótima “Villiers Terrace”, pescada de “Porcupine”. Ian faz a clássico medley com o Doors, desta vez citando “Roadhouse Blues”. Em “Nothing Lasts Forever”, outra do bis, é vez de Wilson Picket (“Midnigth Hour”) e Lou Reed, com “Walk On The Wild Side”, entre outras. Outros momentos de grande interação aconteceram, claro, com o clássico “The Killing Moon”, e no encerramento, melancólico, com a bela “Ocean Rain”. Um show praticamente impecável. Se a turma que freqüenta as festas do tipo anos 80 descobrisse o que era bom naquela década certamente teríamos um público maior.

O único senão foi o tamanho do set. Uma hora e meia de show para um grupo prestes a completar 30 anos de estrada é um tanto decepcionante. Por isso, talvez clássicos como “Do It Clean”, “Crystal Days” e “Pictures On My Wall” tenham ficado de fora; e o Echo tenha praticamente ignorado a fase pós “Ocean Rain”, à exceção das músicas de “Siberia” e de “Nothing Lasts Forever”, de ”Evergreen”. Os homens coelhos bem que poderiam rever isso, não é não?

Set List completo

1- Going Up
2- Show of Strenght
3- Stormy Weather
4- Seven Seas
5- Bring On The Dancing Horses
6- The Disease
7- Scissors In The Sand
8- All That Jazz
9- The Back of Love
10- The Killing Moon
11- In The Margins
12- Never Stop
13- Villiers Terrace
14- Rescue
15- The Cutter

Bis

16- Nothing Lasts Forever
17- Lips Like Sugar
18- Ocean Rain

Veja também: resenha do novo disco do Echo And The Bunnymen

em maio 4, 2006 03:12 PM [Carlos Bragatto]

E aí grande irmão? O show foi lindo, mesmo :-)



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