Bola e Bola Mesmo
09 de maio de 2006
Cadeia, dragas e a unanimidade
Enquanto em São Paulo futebol vira caso de polícia, o Rio sorri e Parreira tem o time, a imprensa e o povo brasileiro nas mãos.

O futebol, quem diria, voltou a virar caso de polícia. Muito já se falou sobre isso, mas urge que se coloque na cadeia os que não sabem perder. A prefeitura de são Paulo tem que cobrar do Corinthians os custos pelos danos causados ao Estádio Municipal do Pacaembu. A Federação de Futebol Sul Americana deve proibir equipes cujos torcedores não se comportam de participar de suas competições por um período de no mínimo cinco anos. É preciso ter severidade num momento desses, porque uma partida de futebol tem o objetivo precípuo de divertir, jamais se transformar numa batalha campal como se viu na última quinta.

Falando nisso, em que draga foi parar o futebol paulista, hein? Palmeiras e Corinthians nem técnico têm, um não consegue vencer há uns sete jogos, se a memória não me falha, e o outro virou freguês de argentinos – e olha que o time do River Plate anda bem fraquinho. O Santos, embora campeão paulista e líder do brasileiro, tem um time fraco de dar dó. No domingo, vejam vocês, teve como destaque Rodrigo Tiuí, aquele mesmo que sobrou no elenco do Fluminense. E o São Paulo, dado como um exemplo de planejamento e organização, não consegue sequer contratar um meia. Acreditem, trata-se do único time de futebol que não tem meias de que se tem notícia. Resultado: têm vencido os jogos com gols de laterais, cabeças de área e... Do goleiro. É mole?

Enquanto isso, do lado de cá da Dutra a coisa vai bem obrigado. Primeiro que o Rio é a única cidade do Brasil a ter quatro times grandes. Depois, está com três semifinalistas da Copa do Brasil, sendo o Fluminense invicto há 14 jogos, e o Vasco, há 11. O clube da colina, inclusive, se dá o luxo de atuar com equipes reserva e segue sem perder. Até o Flamengo, motivo de chacota generalizada nos últimos tempos, está achando um caminho para não fazer feio. E o Botafogo relaxa sobre o título carioca desse ano antes de crescer no Brasileiro. E pensar que há poucos dias falava-se de crise. Vai ver que ela pegou a ponte aérea e foi parar em além-Dutra.

Falar de outras praças é até covardia. Vamos anotar que Norte e Nordeste estão definitivamente fora do mapa. Em Minas, de dois grandes um está na segunda divisão. O que restou na primeira, com um time meia boca e um discípulo de Luxemburgo, virou freguês do Flu. No Sul, o Internacional é o grande destaque, com N partidas de invencibilidade e um elenco de dar gosto. Só tem um problema: Abel Braga, apesar de ser um bom técnico, no final das contas se recusa a ser vitorioso. O resto, meus amigos, é tudo time pequeno.

Podem falar o que quiser de Carlos Alberto Parreira, menos que ele não é organizado e não sabe se planejar. Quando assumiu a seleção brasileira depois da campanha do penta Parreira foi cauteloso. Foi exigido dele uma renovação imediata que, àquela altura, ninguém poderia prever se (e em que nível) seria necessária. O tempo foi mostrando os caminhos, e Rivaldo – o melhor jogador do Brasil nas Copas de 1998 e 2002 – deu lugar a Kaká. Nossos laterais, que muitos pré-julgavam, estariam aposentados, hoje estão aí, titulares absolutos. Ronaldinho, hoje, é unanimidade. Nossa zaga, frágil, se encorpou. Juninho ganhou vaga ao menos entre os 23 e até um quarteto, quiçá quinteto mágico, conseguimos arranjar. Desde 1982, como o losango de Telê Santana, não se tinha uma figura geométrica de tanta qualidade.

Vejam que estou dizendo isso a uma semana de sair a lista oficial dos convocados. Isso porque a seleção brasileira hoje é, graças a Parreira, uma unanimidade nacional, e, diria eu, em todo o mundo. Reli há pouco os textos que escrevi antes das Copas anteriores, e a única coisa em comum em todos eles, nesse período pré-convocação final, é a incerteza generalizada. Em 94 cheguei a publicar a “minha” seleção, com dois jogadores para cada posição. A incerteza era tanta que cada um tinha uma, lembram? Em 98 a mesma coisa, já incluindo o fator Romário, convocado e logo em seguida cortado. Em 2002, então, nem se fala. Com uma campanha ridícula nas eliminatórias, a custa de treinadores ruins ou mal preparados, mal se sabia que era titular, e todos queriam, até o último segundo, que Felipão levasse Romário. Hoje não. Praticamente não há dúvidas na cabeça de Parreira. Um goleiro – dada a contusão de Marcos, um lateral esquerdo, um atacante, e a decisão se Edmílson vai para a zaga, barra Roque Júnior e abre vaga para mais um meia (Renato, Júlio Baptista, Alex...), ou se fica no meio mesmo. O resto é líquido e certo.

Para não ficar no muro, eu mesmo resolvo a parada para Parreira. Eis a lista:

Goleiros: Dida, Marcos e Júlio César

Laterais: Cafu, Roberto Carlos, Cicinho e Júnior

Zagueiros: Juan, Lúcio, Luisão e Roque Júnior

Meias: Emerson, Zé Roberto, Kaká, Ronaldinho, Gilberto Silva, Edmílson, Juninho e Ricardinho

Atacantes: Ronaldo, Adriano, Robinho e Nilmar

Até a próxima, e que a draga foi para o lado de lá!!!

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