
Considerado uma das pernas do tripé do thrash metal americano dos anos 80 (junto com Slayer e Metallica), o Anthrax tem nesse disco o seu melhor momento. “Among The Living” capta o espírito do subgênero do metal que o aproximou do hardcore sem medir conseqüências. As palhetadas dominam as nove músicas – que enchiam um LP na época – quase todas eternizadas por si só. São desse disco clássicos como “Indians”, “Caught In The Mosh”, “A Skeleton In The Closet” e “Efilnikufesin (N.F.L.), só para ficar em quatro títulos.
Embora não houvesse diferença estética entre as bandas, o Anthrax se destacava por transitar numa espécie de meio termo entre a agressividade satânica desenfreada do Slayer e a tendência à técnica mais apurada do Metallica, muito embora todos esses elementos apareçam aqui, com uma ênfase muito grande no lado hardcore da coisa. Tanto que quase todas as músicas têm partes aceleradas e outras cadenciadas, apropriadas para o pogo, marca registrada do subgênero. Outro fato notável são as letras de cunho politicamente correto, como a de “Indians”, por exemplo, o que de certa forma conflitava com o despojo típico do thrash. E, por último, como a produção, mesmo considerada de boa qualidade na época, hoje soa como se fosse de uma demotape, dado o avanço tecnológico nos vinte anos que separam a gravação deste relançamento.
Mesmo sem ter seguido uma carreira duradoura no mainstream como a do Metallica, por exemplo, não resta dúvida de que o Antrhax alicerçou as bases do thrash metal hoje copiado, recriado e desenvolvido em todo o planeta, e que este “Among The Living” foi uma de suas principais obras.