
Mas, como dizia, tem gente que acha que as disputas nacionais não devem parar para a Copa. Nesse caso, só vai saber desses campeonatos quem for aos jogos. Ontem, por exemplo, só se falou de seleção, listas, adversários, Copas, etc. Sob o mote da divulgação da lista dos jogadores que irão à Copa, deixou de se falar – ou se falou bem pouco – da rodada do final de semana e das copas Libertadores e do Brasil. Não se falou, por exemplo, que tem árbitro brasileiro marcando impedimento em lateral e deixando de marcar banheira de mais de dois metros. E árbitro que vai para a Copa. Não se falou, que, ao invés de um time misto, o Fluminense mandou para Florianópolis um cata-cata que nunca fez um treino sequer. Que o Vasco perdeu uma invencibilidade de 12 jogos. Que o Corinthians contratou, enfim, um técnico. Que o São Paulo, único time que joga sem meias de que se tem notícia, tomou um sacode do Inter. Que o Santos, sem time, é o líder do campeonato. Com a Copa, nada disso tem a menor importância.
No escrete que vai para a Alemanha, como eu – e todo o mundo do futebol – tinha previsto, poucas novidades. A rigor, nenhuma novidade mesmo, bem ao estilo cauteloso de Parreira. Lembro quando o sósia do Bronco assumiu a seleção. Todos queriam saber das mudanças. Faziam as contas da idade de cada jogador e perguntavam se eles iriam para a Copa, isso uns três anos antes. Parreira sempre respondia com cautela, e aos poucos foi mexendo onde achava necessário e acrescentando os novos talentos – como Robinho, Cicinho, Kaká. Eliminou preferências do treinador anterior, como Anderson Polga, Vampeta, Luizão e que tais. Reclamavam, nas eliminatórias, que a defesa era fraca e estabanada. E era mesmo. Hoje, ela está arrumada, só com o Lúcio de estrupício, e olha que ele melhorou bastante. Reclamavam do meio com Rivaldo, e Kaká se encaixou ali. Tínhamos dúvidas se Cafu e Roberto Carlos agüentariam chegar até a Copa, e eles agüentaram. Disse até a Copa, porque se no início o Brasil precisar de gente mais nova por ali, Parreira não hesitará em barrar um, outro ou os dois. Exatamente como fez com Raí, em 1994. Assim como não vacilará em barrar Adriano para dar lugar a Robinho ou mesmo para reforçar o meio, com a entrada de Ricardinho ou Juninho. Podem anotar.
Das novidades ou quase novidades da lista, a mais interessante é o nome de Rogério Ceni, que, por força da contusão de Marcos, Parreira e principalmente Zagalo vão ter que engolir. Fred só não era considerado figura certa por quem, como eu, ficou deslumbrado com os gols de Nilmar aqui no Brasil. Se atuasse no exterior, a briga pela última vaga seria, no mínimo, mais acirrada. Gilberto tem cara de ser um mero coadjuvante na Copa. Arrisco dizer eu ele só entra se for para, eventualmente, reforçar o meio. Se Roberto Carlos sair, dará a vez a Zé Roberto. E quanto ao Cris, vamos torcer para que nunca precisem dele...
Sinto-me um tolo fazendo essas análises. Porque já disse, repito e vou provar, logo, logo, por a + b, que o Brasil não ganha essa Copa. Vejo isso com a clareza que tenho ao ver o sol nascer da minha janela lateral, como se fosse o Milton ou o Brant. Mas faço isso – essas análises – porque sou, acreditem, um otimista de plantão. Tanto que, mesmo com a certeza da derrota, não desisto de torcer pelo Brasil. Não tem jeito. Confesso que até já tentei, em 1982, contra a União Soviética, por questões políticas, conjunturais e circunstanciais. Mas durou pouco. Como resistir a uma equipe em que o jogador recebe um bola rolando na entrada da área, a levanta e, com o mesmo pé, sem deixá-la cair, desfere uma bomba indefensável, mesmo para o goleiro que seria considerado o melhor daquela Copa?
Disse isso porque, agora, é hora de colocar a cerveja pra gelar, comprar a bandeira pra pendurar na janela, pintar a rua, esquematizar com o patrão a saída mais cedo, planejar em qual TV assistir aos jogos e partir para o abraço. A frase, entretanto, não é minha. Mas de um colega de trabalho das antigas, que, em 1998, enquanto todos discutiam a lista de Zagallo, não quis nem saber de conversa e mandou: agora é só colocar a cerveja pra gelar.
Até a próxima, e que a torcida do Corinthians encare o PCC!!!