
O domingo de domingo passado parecia um domingo de 1968. Não que eu tenha vivido um deles, mas pelas histórias que todos lemos diariamente com os mestres da crônica esportiva. Naquela época, dizem eles, Santos e Botafogo tinham timaços e ganhavam títulos a rodo. Hoje, é notório, Botafogo e Santos têm times fracos, mas foram campeões por méritos e estão de parabéns.
O Botafogo ganhou por eliminação. As equipes do Rio foram dando mole e se auto-eliminando do campeonato, e sobrou para ele deitar e rolar sobre a reculhamba dos pequenos. O jogo de domingo foi pobre, fraco e carente de boas jogadas. Os dois times são ruins, e o Botafogo, que já entrou com dois gols de vantagem, tratou de fazer valer suas tradições. Depois dizem que camisa não ganha jogo. Ganha sim. Até a Fátima Bernardes sabe disso. O show, entretanto, foi da torcida. Ciente de que seu time era campeão antes de entrar no gramado, tratou de comemorar desde que deixou os limites de sua residência. A torcida botafoguense, pouco acostumada a vitórias – imagine ganhar 18 títulos em cem anos – sofre de uma hiper-sensibilidade latente. Qualquer lateral supostamente invertido pelo árbitro é motivo de revolta. Mesmo com um generoso placar de 5 a 1. Um chute que passa ao largo da baliza produz um “uhhhhh” como se ele tivesse tirado tinta do poste. Mas o que ficou foi mesmo a emocionante participação da torcida que não parava de cantar o hino do clube. Emocionante mesmo.
O Santos fechou o campeonato bandeirante como se esperava: fez sua parte e um abraço. Não é nem de longe o Santos vitorioso dos últimos anos, mas sim um time que sabe que é fraco, e joga um feijão com arroz que satisfaz a fome sem deixar água na boca. Só o São Paulo, todavia, é melhor. Um pouquinho melhor, porque joga torto o tempo todo, e tem a mania de dar baile no domingo e levar um passeio na quarta. E foi só. O resto foi o resto.
O que marcou mesmo o paulistão desse ano foram as arbitragens confusas e mal dirigidas pela federação. As boas medidas adotadas não surtiram efeito – não ainda – e vimos uma lambança atrás da outra. No Brasileirão vai ser um perigo ter esses árbitros paulistas em campo. Não podemos esquecer que Edílson Pereira de Carvalho saiu de além Dutra. Não é à toa que para lugar dele, no quadro da FIFA, foi indicado o “carioca” Djalma Beltrami, que mesmo fraco pareceu mais confiável para a CBF.
Marcou também a deselegância – pra ser gentil – de Wanderley Luxemburgo, que sabe ganhar título, mas ainda não aprendeu a se expressar educadamente. O episódio em que ele acusou Rodrigo Cintra (o expulsinho) de tê-lo paquerado só não foi pior do que a explicação de que era tudo uma estratégia para “tirar o foco da derrota” santista. Patético. Tudo o que ele faz, agora, é uma estratégia planejada e de sucesso. Sei...
Voltam-se as atenções agora, num nível doméstico, para a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro. Na primeira, por conta da ausência de certos clubes grandes e o fraco desempenho de outros, que já foram para o chuveiro mais cedo, já tá cheio de clubes pequenos invadindo as oitavas de final, que começam na quarta. Um perigo, porque depois ganha o certame clubes como o Santo André e o Paulista, e dá-lhe vexame na Libertadores. Para mim, no caso de, por um descuido, um pequeno ser campeão, deveria ir o vice para a competição. Seria mais sensato.
No Brasileiro... Bem, eu acho que o Brasileiro só vai começar pra valer depois da Copa, que é quando os clubes vão voltar a se reforçar, dispensar os cabeças de bagre, fazer a tal da pré-temporada que os técnicos adoram e assim por diante. O time que, ainda assim, conseguir um bom desempenho nesse mês e meio antes do Mundial, já sai com uma boa vantagem. Os favoritos são os de sempre, e como o regulamento despropositado rebaixa quatro, num universo de 20, eis aí o perigo, uma fonte de fortes emoções, principalmente para os pequenos abelhudos que insistem em se meter com os grandes.
Até a próxima, que vai cair neve no sertão!!!