O Homem Baile
14 de abril de 2006
Pazuzus mostra fôlego na surf music nacional
Grupo carioca traz referências de filmes de terror em apresentação teatral, mas convence mesmo pela qualidade das músicas.

Por pouco a segunda noite do Campeonato Mineiro de Surf não foi uma espécie de “off surf”. É que das três bandas que se apresentaram, duas fugiram do conceito que motiva a existência do festival. Fato, no entanto, que pouco afetou a participação intensa do público, que voltou a lotar o Bar Dançante A Obra.

Quem abriu os trabalhos foi o Mordeorabo, de Belo Horizonte, um quarteto de rock instrumental que definitivamente nada tem a ver com o surf music propriamente dita. Na banda há dois baixistas, guitarra e bateria, que por vezes soam experimentais, e noutras mostram referências latentes. A maior delas é o The Police, patrocinada pelo baterista Pedro, que imprime o ritmo da banda no que o trio inglês tem de melhor: o andamento pungente e o ritmo dançante. Os dois baixistas tocam a mesma coisa o tempo todo, o que significa que um deles é inteiramente dispensável. O ideal seria um deles assumir a guitarra e buscar variações mais contundentes. O melhor fica por conta do guitarrista Bruno, que capricha nos andamentos e faz solos que são retrato da habilidade musical da banda. Todos - é bom que se registre - tocam muito bem e, juntos, têm uma boa idéia nas mãos. O problema é que ainda não descobriram como desenvolvê-la.

Se tem uma banda que já tocou nas edições anteriores do Campeonato Mineiro, Caipirinhas é o seu nome. Nesse ano, o grupo veio com uma veia punk bastante fortalecida, o que resultou, pela primeira vez nessa edição, em aberturas de roda no meio do público, uma delas motivada pela vocalista Mônica, mais possessa que nunca. A banda parecia ter esquecido as referências oitentistas de outras épocas, e fez um clássico show de punk rock. Até “Caipisurf” foi tocada como exceção, numa homenagem ao festival, assim como o clássico ”Miserlou”, numa versão quase irreconhecível. O mais legal de ver o Caipirinhas ao vivo, além da participação do público local, que já conhece bem o grupo, é constatar como os integrantes se divertem no palco, como se aquele fosse o show da vida deles. Quer coisa mais rock’n’roll que isso?

Coube aos Pazuzus tirar o “off surf” da noite e incrementar um show divertido e de rara beleza instrumental. O oculto grupo carioca faz uma surf music na linha “do espaço”, cuja principal referência é o Man Or Astro-Man? – tocaram “Surf Terror”, dos americanos, e usam macacões como uniforme. Além do quarteto de instrumentistas, um personagem trajando um camiseta com o a frase “Coisa Ruim” faz as vezes de demônio, múmia e do próprio Pazuzu – espécie de demônio mitológico – além de cantar em uma música. É ele também que “dá o play” em efeitos e falações pré-gravadas entre as músicas, e se joga no meio do público, o que resultou na abertura de rodas em todo o set. Essa alegoria bizarra e divertida, entretanto, é só um detalhe na música d’Os Pazuzus. O forte deles são as melodias bem sacadas e músicas que, mesmo instrumentais, carregam um excelente apelo pop. Exemplos disso são “There’s a Pazuzu In My Garage” e “Os Olhos Sangrentos da Mãe Madri”, que estão, de longe, entre as melhores composições de surf music já feitas no Brasil. Os títulos, por sua vez, escancaram as referências aos filmes b e batem com a performance do “animador” da banda. Uma versão para “Walk Don’t Run”, dos Ventures, garantiu um encerramento a altura das melhores noites do Campeonato.

Hoje tocam Lava Jets, thesurfmotherfuckers, Macaco Bong e Go!. A programação completa está aqui

em abril 15, 2006 06:17 PM [Bárbara Porto]

Oi Marcos
Legal ver que a noite foi boa.
Não fui ao show mas conheço o trabalho dos Pazuzus e fico feliz (mas não surpresa) em saber que foi tão bom. Agora ficamos torcendo pra eles virem tocar em casa, aqui no Rio.
Com respeito às outras bandas daqui, a cena carioca precisa de algo novo, diferente, mais ousado em atitude e música.

Abraços,
Bárbara



em abril 17, 2006 01:17 AM [surfer]

walk don't run, espertão...



em abril 17, 2006 08:10 AM [Bragatto]

Corrigido!



em abril 18, 2006 03:23 PM [Heliinho]

Ahahah, a "alegoria bizarra" só poderia ser o BELMIRO, não?

Se jogando no público, correndo pra lá e pra cá...

aheuaea

Valeu!



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