
Primeiro, o Lava Jets, de Belo Horizonte, tentou transformar o show numa discoteca. Quase conseguiu, exceto quando o dublê de guitarrista desandou a fazer solos dos mais desafinados. A formação, inóspita, não tem bateria e inclui um operador de computador e um anotador de comandas de bar, que trataram de ofuscar a música produzida por um guitarrista e um baixista, únicos músicos que estavam no palco. No repertório, praticamente só covers óbvios da surf music tradicional, além de citações ao hip hop e ao reggae totalmente dispensáveis. Experimentação louvável... Já o resultado...
O thesurfmotherfuckers veio decidido a desfazer a má impressão do ano anterior, já que a banda agora só faz shows episódicos, uma vez ao ano e olhe lá. Melhor ensaiada e com o som tinindo, fizeram um dos melhores shows da noite e do festival. No repertório, poucas músicas próprias e muitos covers, entre eles “Rock Man”, do Go!, que tocaria em seguida; “Vacalgada”, do Estrume’n’tal, que toca hoje; e “Casbah”, dos Straitjackets. Com os guitarristas Daniel Todeschi e Fernando Americano possuídos, o show foi basicamente uma apresentação de guitarras, com direito a um total desgoverno no final do set, onde guitarras foram abrasadas no teto da casa. Americano, assim como o Lava Jets, também utilizou eventuais efeitos de teclado, uma tendência seguida comum de ontem. No ano passado, vale lembrar que o The Dead Rocks foi pioneiro no assunto.
Com o avançar da hora o Go! Pegou um público que já se esvaía, mas como é conhecido pelas participações em outras edições do Campeonato Mineiro, não teve problemas. Sem baterista, a banda contou com a participação de Daniel, do Emo., que literalmente desceu o braço. O trio fez a platéia se render já nas três primeiras músicas: “Bizarrotron”, “Destrua o Meu Chip” e “Você Está Se Tornando Um Ser Humano Galático”, todas já clássicos do grupo carioca. Apenas uma música que estará no segundo disco do grupo foi apresentada, com o baixista Ingo cantando. Numa das músicas, o trio levou riffs conhecidos de grupos como Metallica, Queen e AC/DC, o que também levantou o público. “Profiteroles” fechou o show, antes de uma – entre milhares em todo o festival – versão para “Comanche”.
Quem esperava do Macaco Bong, de Cuiabá, mais um combo surf, se surpreendeu com um grupo completamente distante das guitarras consagradas por Dick Dale e afins. A música do power trio é intrincada, cheia de mudanças de andamento, virtuose e acordes nada fáceis, do ponto de vista da execução e também no quesito “cativante para o público”. Referências a guitarristas solos contemporâneos como Tony Macalpine e Joe Satriani são latentes, assim como a grupos que, nos anos 70, enveredaram pelo rock pesado e progressivo – caso do Rush, por exemplo. Com músicas longas e alternativas diversas dentro de cada música, o Macaco Bong confundiu o público, que por vezes não sabia se tal música havia ou não chegado ao fim. Pesado e urgente, o som do grupo chega a perder o rumo em algumas passagens, desaguando em pseudo-improvisações que nem sempre caem bem aos ouvidos menos atentos. Talvez fosse o caso de planejar melhor a concatenação entre as várias partes de cada música, de modo a se chegar a algum lugar. Em algumas passagens até mesmo o metal de vanguarda dos anos 90 – Primus, Kyuss e Tool – foi evocado. Se seguir este exemplo, o Macaco Bong corre o risco de entrar para a história como eles: adorado por poucos e ignorado por quase todos.
Hoje, no último do festival, os shows acontecem no Lapa Multshow. Tocam Proa, La Pupuña, Estrume’n’tal, Retrofoguetes e Autoramas