
Pode parecer esquisito, mas este documentário dos Beatles não tem nenhuma música deles, e nem sequer imagens da banda tocando ao vivo. O filme é todo picotado por imagens de programas de TV e entrevistas feitas com a banda, sobretudo na primeira fase da carreira, antes do LSD. O texto, de narrativa quase simplória, destaca aspectos menos evidentes do início da beatlemania, como o sotaque diferenciado dos rapazes e os disfarces que a polícia bolava para que eles chegassem ao destino sem ser assediados pela histeria coletiva.
O documentário é bem curto, e as imagens em que Paul, John, Ringo e George aparecerem, via de regra, passando uma imagem de engraçadinhos – coisa que virou padrão no pop contemporâneo – são alternadas com uma vinheta bem chatinha, que mostra uma agenda com as datas mais significativas. Boa parte do filme se ocupa com a reação aos cristãos conservadores o sul dos Estados Unidos à famosa declaração de John Lennon, segundo a qual os Beatles seriam mais populares que Jesus Cristo. Tanto que, nos extras, outro documentário, “Beatles Across America”, aborda somente essa questão. Um intrépido repórter entrevista o DJ que desencadeou o protesto, solicitando que os ouvintes enviassem à rádio os discos dos Beatles para que fossem queimados numa grande fogueira. O repórter ainda conversa com vários fãs, lojistas, um pastor e até integrantes da Ku Klux Klan, que, cristãos, queriam impedir a realização de um show dos Beatles. Esse mini documentário acaba sendo a parte mais engraçada do DVD, por bizarro que é o acontecimento em si.
Outro “extra” é a íntegra de uma entrevista dos fab four à uma TV inglesa, com a presença do comediante Ken Dodd (quem?), gravada em 1963. O difícil é rir com as gracinhas de Dodd, muito embora os meninos (e ele próprio) se divirtam a valer. No frigir dos ovos, esse DVD só deve interessar a quem já tem tudo dos Beatles, e quer completar a coleção com as tais cenas “raras”.