
Desde que saiu do Sepultura, há quase dez anos, Max Cavalera fez de tudo para se diferenciar do thrash metal de origem. Somando isso ao crescente interesse por culturas do terceiro mundo, o seu Soulfly acabou caindo numa mistura de ritmos com inúmeras variações e pouco rumo, que muita gente andou chamando de world metal.
Agora, em "Dark Ages", o quinto álbum, a banda aparece mais próxima das raízes de Max e do Sepultura. "Babylon", por exemplo, é puro peso dos tempos do álbum "Arise", antes de o próprio Sepultura incorporar os tais ''ritmos brasileiros''. Até as aliterações (imprescindíveis ao inglês macarrônico de outrora) voltam a aparecer, com várias palavras terminadas em ''ation''.
Outras músicas remetem àquela época já no título, como "Innerspirit" ("Inner Self"), a excelente "Arise Again", e ainda "(The) March", cuja guitarra vem de algum disco do Sepultura. Os versos não creditados de "Caçador da Noite", da banda carioca Dorsal Atlântica, grande influência no início do Sepultura, incluídos em "Fuel The Hate", são outra mostra dessa espécie de volta às raízes. Isso porque Max não fica só nas referências nem repete fórmulas. Se volta ao peso de origem, o faz usando sua própria vivência no meio e absorvendo a força do metal contemporâneo, garantida aqui pela mixagem de Terry Date, que fez fama na vanguarda do metal dos anos 90.
Inclui, também, muito do hardcore sujo e underground, e ainda continua a se valer das citações espirituais das quais ele nunca abriu mão, que aparecem salpicadas pelo disco e ocupam espaço generoso na orgânica "Soulfly V".
Em "Dark Ages", mesmo com ingredientes diversos, o Soulfly não parece perdido como em outros tempos, mas se recoloca na ponta-de-lança da música pesada mundial. E, paradoxalmente, aponta para uma inevitável volta de Max Cavalera ao Sepultura.