
Se este disco fosse lançado há uns dez anos certamente passaria batido, assim como o da Saci Tric, antiga banda de Ronei Jorge, passou. Hoje, entretanto, com a consolidação de um nicho pop rock que não é rock nem mpb, no qual o Los Hermanos é a principal referência, a mistura de elementos de ambos cai muito bem aos ouvidos mais descolados. E pode até agradar aos menos também. E isso é bom.
Ronei fornecia, antes, músicas para a Penélope, e uma delas, “Circo”, reaparece aqui numa versão bem mais interessante, sem demérito para a anterior. Nas demais prevalece um conjunto de referências a vários subgêneros da mpb, sobretudo o samba e à parte do rock alternativo quem vem se encontrando com a bossa e a música brasileira. Nem sempre, contudo, isso aparece no traço certo, o que pode desandar o produto final. Às vezes o disco parece um exercício de experimentação bastante empírico e pouco testado, de modo que algumas músicas precisariam, digamos, de mais acabamento, sobretudo nos arranjos. Em outras Ronei parece não ter conseguido homogeneizar esses elementos (na boa “O Drama”, por exemplo), e volta a impressão de que, com mais tempo, essas músicas renderiam mais, mesmo porque compor, a julgar por essas doze faixas, é com ele mesmo. De outro lado não se pode condenar um trabalho justamente pela inventividade artística, coisa tão em falta nas prateleiras hoje em dia. Ronei Jorge também nem é um cantor de mão cheia, mas nesse tipo de som isso não é tão relevante.
O disco tem músicas bem legais, como “Obediência” (que já estava num CD demo), a triste e bonita “Coragem”, que tem a ajuda vocal de Jussara Silveira, a bem arranjada “Lugar Qualquer”, e a minimalista quase indie “Noite”. Mas é mesmo “Circo” que mata a pau, num trabalho longe de ser definitivo, mas auspicioso pelas possibilidades que oferece e por contribuir com uma certa renovação na caquética mpb.
Veja também: entrevista com Ronei Jorge
Não gostei da resenha. Muito rotulada, dividindo as musicas em estilos. Tenho impressão que foi finalizada ao som dos Los Hermanos, tamanha comparação feita aqui sem necessidades, claro. Meu velho, vá ouvir o CD novamente e dessa vez deixe Penelópe e Los Hermanos de lado.
Engraçado, Raul. Reli a resenha e não vi nenhuma comparação com os Hermanos, muito menos com Penélope. Também não vi um rótulo sequer, o que aparece é uma dificuldade justamente de dar um nome à música deles. Vamos fazer o seguinte: enquanto eu escuto o CD de novo, você relê a resenha com mais atenção, ok?
Abraço!
Pô, este CD é muito bom. E realmente não tem nada ver com Los Hermanos ou Penélope, mas também hoje realmente é dificil você falar de uma banda pop/rock/mpb que não remeta aos Hermanos.
Um brinde a vc, Roney & seus comparsas delatores!