
Rock em Geral: Por que você decidiu colocar uma noite inteira dedicada à música eletrônica nesta edição?
Paulo André: Não será uma noite de música eletrônica, mas sim uma noite para dançar. Aqui no Nordeste temos uma carência muito grande de casas legais para assistir ou dançar rock ou música eletrônica. Conseguimos viabilizar a vinda de três atrações internacionais do gênero, estes nomes nunca vêm no Norte/Nordeste do Brasil e, por isso, decidimos fazer uma noite pra dançar no Abril Pro Rock 2006. O Abril Pro Rock é um festival de música pop, e a eletrônica foi o gênero que mais cresceu no universo da música pop nos últimos anos, não tínhamos como ignorar isso. Teremos o Bloco Mega Hits, projeto novo do DJ Dolores, os cearenses do Montage, e os DJ set de João Gordo e Igor Cavalera. Além dos internacionais Stereo Total, Kook and Roxxy e Diplo.
RG: A noite de sábado tem se consolidado como a "noite do metal". Desde quando você optou por esse segmento e por que tem dado certo?
RG: Há opiniões que dão conta que o festival, revelador da cena de Recife, agora se resume ao domingo. Você concorda? Isso reflete um certo arrefecimento da cena local?
Paulo André: Os tempos são outros, estamos vivendo uma transformação da indústria da música, para todo mundo. Nos últimos anos apresentamos bandas como Mombojó, Bonsucesso Samba Clube, Karine Alexandrino, DJ Dolores: Aparelhagem, Cidadão Instigado, Daniel Belleza, Junior Barreto, Cabruêra e muitos outros que estão aí trabalhando, lançando CDs, dando continuidade às suas carreiras. Os festivais cumprem um papel importante neste ciclo de formação de platéia e divulgação para as bandas. Acabou aquela história de esperar o contrato com uma gravadora grande e "acontecer". Essa questão de revelador de bandas nós nunca deixamos de ser. É só ver a programação destes anos todos, mais da metade das bandas do festival não tem potencial de público. Nós oferecemos a elas uma boa estrutura e uma grande visibilidade. Mas estamos vivendo uma época em que existe um verdadeiro circuito de festivais no Brasil, não nos preocupamos em revelar uma banda todo ano, nos preocupamos é em contribuir para a aceleração do processo de renovação da música brasileira, investindo numa nova geração. Estamos muito felizes em ter fechado com a Petrobrás, pois assim podemos reforçar o caráter e a proposta do Abril Pro Rock. Com um patrocinador deste porte, não temos que ficar preocupados com um possível prejuízo, como já aconteceu algumas vezes. O domingo é um dia como foi o primeiro Abril Pro Rock, em um inesquecível domingo... Diversidade, frescor e, sem barreiras... Viva nossa cultura popular!
Paulo André: Ficamos muito felizes por ter fechado este patrocínio, nos permite ser o que somos e não querer ser um mega festival. Para ser um mega festival aqui no Nordeste, teríamos que apelar e esquecer o conceito do festival. O Abril Pro Rock influenciou o aparecimento de festivais por todo o Brasil, somos um exemplo de um festival que cresceu acreditando na música local, na produção local, e desde a primeira edição unimos nos mesmos palcos a cena rock e pop com a nossa cultura popular, com muito orgulho. O patrocínio do governo do Estado de Pernambuco foi fundamental para a nossa continuidade, eles sabem o quanto promovemos a música e o Estado. As grandes marcas privadas, como as de bebidas e telefonia, criaram seus próprios eventos, estão institucionalizando o patrocínio. Já ouvi de patrocinador perguntas do tipo "por que você não traz um Capital Inicial?". Imagine se a renovação da música brasileira dependesse desses caras? A música brasileira se resumiria ao lixo comercial musical que impera no Brasil. Se nós quiséssemos ser um Ceará Music ou um Festival de Verão de Salvador, poderíamos ter sido, desde o final dos anos 90. Mas acreditamos mesmo é na música e na nossa cultura popular. Espero que estejamos juntos com a Petrobrás na festa de 15 anos do Abril Pro Rock. Faremos livro, DVD e uma grande festa.
Paulo André: O patrocínio não tem a ver com a ABRAFIN. Estamos neste momento criando de fato a ABRAFIN, e estaremos juntos para que não seja tão difícil promover a nova música brasileira. A nova música brasileira passa por estes festivais. Os festivais são ligados a selos, bandas e gravadoras independentes, não são apenas festas. Mas a maioria deles acontece no peito e na raça, na guerrilha todo ano. As bandas que tocam nos festivais não tocam nas rádios, mas tocam no palco. Hoje são festivais em todas as regiões do Brasil, e estamos nos fortalecendo para ir além das nossas próprias produções. Precisamos de rádios no Brasil, a situação das rádios é deprimente, não reflete o Brasil que somos.
Veja também: a programação completa do Abril Pro Rock 2006 e o site oficial do festival
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