Som na Caixa
21 de março de 2006
Helloween – Keeper Of The Seven Keys – The Legacy
Baixado da Internet

helloweenthelegacy.jpg

Quem, a partir do título, estiver esperando um disco na linha dos clássicos “Keeper Of The Seven Keys” pode ir tirando o cavalinho da chuva. O nome, além de atender aos fãs chatos que querem sempre voltar no tempo, representa mais uma investida em forma e estrutura do que em conteúdo. Porque é impossível voltar atrás para dar continuidade a um conceito, ainda mais com outra formação e sem duas peças tão fundamentais – para a época – como Michael Kiske e Kai Hansen. Mas é cabível, a partir de um formato, criar novas composições boas o suficiente para manter esse tal “legado”. E foi assim que a banda (entenda-se Andi Deris e Michael Weikath) decidiu pinçar o elo perdido entre aquele Helloween histórico e este que aí está.

Assim, as longas “The King For 1000 Years” e “Occasion Avenue” (cuja introdução mostra uma rádio sendo sintonizada ao som de músicas dos “Keepers” originais), abrem o primeiro e segundo discos, respectivamente, e investem no jeitão que consagrou “Helloween” e “Keeper Of The Seven Keys” – as músicas, enquanto as demais coadjuvam o álbum. Emblemáticas, essas duas maratonas musicais, com mudanças de andamento e ênfase em diferentes instrumentos, dão um caráter épico ao disco, e ainda se assemelham à melhor fase da banda com Deris nos vocais, caso dos discos “The Time Of The Oath” e “Better Than Raw”. Mesmo com o elogiável esforço em buscar a conexão com o passado “Keeper”, é muito difícil completá-la com Deris cantando – e muito bem, diga-se. Ou seja, ao olhar para o passado atrás de um ponto de partida para este disco, o Helloween, acabou se valendo não de um elo perdido, mas de vários. É como se a banda tivesse feito uma regressão musical para agora alçar novos vôos. Porque, convenhamos, não deve ser nada fácil, para um grupo copiado aos borbotões, se renovar ele próprio sem perder o mínimo de respeito por sua história.

Excetuando-se as músicas de longa quilometragem, o Helloween cai nos tempos mais recentes, e as composições deste disco não decepcionam de jeito nenhum. Weikath continua mandando bem (nos dois sentidos) com riffs certeiros e que são a cara da banda. Seja nos andamentos ou solos, o guitarrista está em plena forma. Inspirado e criativo, ele conseguiu colocar Deris “nos eixos” de novo, fazendo deste “The Legacy” um disco bem superior à “Rabbit Don’t Come Easy” e “The Dark Ride”, os dois anteriores. Os integrantes mais recentes (o batera Dani Loeble e o guitarrista Sascha Gerstner) também estão muito bem. Músicas que comprovam isso são a quase jazzística “Born On Judgment Day”, a colante “Invisible Man”, “Come Alive”, pesada, com início à Megadeth e refrão baba, e “Mrs God”, que tem um riff infalível.

“The Legacy”, enfim, não é um “Keeper”, mas sim um dos grandes discos do Helloween pós Andi Deris. Quem venham outros.

Veja também: entrevista com Markus Grosskopf

ESCREVA UM COMENTÁRIO

Nome
Email
Site
Salvar informações pessoais?
Sim       Não
Comentário (you may use HTML tags for style)















desenvolvido por
Gabriel Lupi / zupa.net

ilustrações por
Flávio Flock


© 2005 - 2006 - Rock em Geral: gardenal.org/rockemgeral
Os textos publicados em Rock é Rock Mesmo podem ser reproduzidos total ou parcialmente, desde que sejam citados fonte, autoria e endreço do site. O sistema de comentários disponibilizado aos leitores do Rock em Geral é exclusivamente para a publicação de opiniões e comentários relacionados ao conteúdo deste site. Todo e qualquer texto publicado na internet através deste sistema, assim como os links oferecidos, não refletem, necessariamente, a opinião de seu autor. Os comentários publicados através deste sistema são de exclusiva e integral responsabilidade e autoria dos leitores que dele fizerem uso, e podem ser excluídos, a critério do autor do site.