Andi Deris se esgoelando
Era de se esperar, já estava tudo meio “telegrafado”. O Helloween manteve a íntegra do repertório que a banda vem apresentando na turnê mundial desde o ano passado, e que este site inclusive
havia antecipado. Só que ao vivo, na hora do show em si é que se percebe com nitidez a intenção do grupo, que recentemente lançou uma “continuação” dos dois álbuns que são um verdadeiro marco na história o heavy metal, os “Keeper Of The Seven Keys” Partes 1 e 2. A idéia é fazer um espetáculo – que durou pouco mais de duas horas – com ênfase na temática “Keeper”, juntando quatro músicas do disco novo, e nada menos que seis dos “Keepers”. O set foi completado com músicas dos dois álbuns mais recentes da banda, “The Dark Ride” e “Rabbit Don’t Come Easy”, e a fase de maior destaque com o vocalista Andi Deris foi praticamente omitida, já que só “Power” foi tocada. Um ato de coragem e até de simplicidade do próprio Andi.
Sacha Gerstner, Michael Weikath e Markus
Grosskopf em coreografia ensaiada
Como em toda a turnê, “For Those About To Rock (We Salute You)”, clássico do AC/DC, precedeu a entrada da banda para executar a quilométrica e interessante “King For a 1000 Years”. Andi Deris começa o show bem à vontade e brinca com o público a cada intervalo, seja nos tradicionais apelos para a participação da platéia, ou fazendo um ou outro elogio do tipo “vocês cantaram ‘Eagle Fly Free’ melhor do que o pessoal de São Paulo” – a banda tocou sábado na capital paulista, onde gravou um DVD. Na primeira hora de show o clima “Keeper” é mais enfático, com direito a própria música, e até a esquecida “A Tale That Wasn’t Right”, que precede o solo de bateria de Dani Loeble. Ele tem uma disputa com o baixista Markus Grosskopf, que toca num mini kit montado para a brincadeira. Depois, no solo de guitarra de Sascha Gerstner, é a vez de Loeble tocar uma guitarra de brinquedo. Pequena brincadeiras que divertem, mas acabam subtraindo do show o tempo para a inclusão de umas duas outras músicas.
O discreto Michael Weikath
A segunda hora vem com “Occasion Avenue”, onde Deris parece estar em grande forma, alternando vocais mais altos com outros mais graves. O problema é que há tantos efeitos em seu microfone que às vezes é difícil saber se é ele próprio cantando ou alguma sustentação extra. “Mr. Torture” e a excelente “If I Could Fly” perfazem o momento “Dark Ride”, disco espinafrado até pela banda, mas que tem lá seus méritos. Depois do solo de guitarra, “Power”, a única da melhor fase com Deris, é tocada e acompanhada aos gritos pelo público. Enquanto Deris e Grosskopf brincam à vontade durante as músicas e Sascha exibe todo o seu desengonçar, é curioso ver Michael Weikath discreto e burocrático do lado direito do palco. O chefão do Helloween só se empolga nos solos dos clássicos, e sequer participou do solo de Sascha. Até que seria interessante um duelo entre eles. “The Invisible Man”, outra das novas, fecha o show e abre caminho para dois bis: um com Mrs. God, o single do disco novo, e “I Want Out”, e o outro com a solitária “Dr. Stein.
Markus Grosskopf também fez seus solos
Quem sempre cobrou um show do Helloween repleto de clássicos da era “Keeper” não teve do que reclamar. Mas o que o futuro do alemães promete, depois desse retorno aos “Keepers”, é a volta da banda aos eixos de sua carreira, o que inclui grandes músicas e grandes álbuns. Como tem sido nos últimos 22 anos, aliás.
Antes, o grupo paulistano Shadowside se encarregou de fazer a abertura. Prejudicados pela equalização do som – novidade - quase viram o tiro sair pela culatra. A banda faz um metal pesado e com músicos dos mais competentes, com destaque para a vocalista com cabelos de fogo, que canta com voz grave e gritada. Pena que, com tão pouco tempo para mostrar serviço, o grupo resolveu tocar dois covers.
Veja também: entrevista com Markus Grosskopf e a resenha do disco "Keeper Of the Seven Keys - The Legacy"