
BANDAS MAIS NOVAS SOBREVIVEM AO PALCO DE CIMA E VANGUART SE DESTACA
Outro que foi bem naquele canto do Teatro foi o Violentures, no domingo, mas isso não é novidade. Mesmo só agora lançando o primeiro disco, “Garage Busters”, os caras já têm boa rodagem para se garantir sob condições adversas. Na mesma linha, o Dead Rocks começou meio desorientado na sexta, mas logo cativou o pequeno público. A surf music multifacetada do trio, que estreava um novo baixista, se mostrou um eficiente elemento de conquista.
Misturando indie rock inglês com raízes interioranas do Paraná, o Charme Chulo, mesmo tendo à frente um vocalista tipo “Morrissey da roça”, pouco acrescentou em relação às suas referências. Parece faltar uma medida à esta experiência O mesmo aconteceu com o Headphone, que repetiu gêneros conhecidos, e não mostrou boas músicas. Pior foi o Tchopu, que inexplicavelmente tocou pela segunda vez seguida no Ruído e não soube prender o pequeno público de domingo.
GRAFORRÉIA SE REPETE E CANASTRA OLHA PRA FRENTE
Já o MQN, tocando na madrugada de domingo para segunda, não teve tanto público assim – pior para quem não foi. O grupo teve de longe o melhor som do Ruído, e massacrou a platéia com riffs pesados e cativantes. Já há tempos o visual vermelho “from hell” foi abortado, mas o show em si não retrocedeu um milímetro sequer. Uma música nova, “Buzz In My Head”, foi apresentada entre as já conhecidas dos dois discos anteriores. Nervoso, enfim, depois de muito se repetir e lançar um disco e remixes, parece interessado em dar um passo à frente. No show do Ruído, seu grupo mandou várias boas músicas novas. “Candidato a Amigo”, inclusive, é uma já bem conhecida. Foi o show perfeito que aqueceu o público da Graforréia.
Quem completou o primeiro time dos melhores shows foi o Zefirina Bomba, um trio porra-louca cujo principal mérito é o de converter um violão em guitarra, através de distorções pouco comuns para um instrumento essencialmente acústico. O grupo conta a história do rock fundindo passado e presente, buscando o futuro. Um final arrebatador com citações a Pink Floyd e o tal violão/guitarra esfacelado no chão garantiu os aplausos.
RÁDIO DE OUTONO E SAPATOS BICOLORES MOSTRAM POTENCIAL
O Sapatos Bicolores, de Brasília, completou a noite “jovem guarda” do sábado, emplacando músicas que foram surpreendentemente cantadas em coro pelo Odisséia. É verdade que o rockabilly – já no nome - também bate forte na lista de referências da banda, mas o forte deles são mesmo as boas composições. Na rabeira do festival ficaram os Irmãos Rocha, cujo rock engraçadinho mal foi percebido na alta madrugada de sexta para sábado por uns gatos pingados; e o Jumbo Elektro, espécie de Cansey de Ser Sexy de calças compridas, praticamente só fez playback. Lamentável.
PLACAR DO HOMEM BAILE
Charme Chulo: abriu o festival em péssimas condições, mas até que foi bem. Nota 7
The Dead Rocks: meio sem jeito no início, acabou saindo aplaudido. Nota 7
Canastra: um dos melhores shows do Ruído 2006. Nota 9
Jumbo Elektro: quando o som de uma banda é idêntico ao som mecânico, sua existência não se justifica. Nota zero.
Zefirina Bomba: quem converte um violão numa guitarra só pode ter boas intenções. Nota 7
Irmãos Rocha!: não disse ao que veio. Nota 5
Sábado, dia 11
Headphone: uma boa banda, mas que pouco acrescenta. Nota 6
Vanguart: a revelação do festival, mas que ainda precisa se desenvolver. Nota 8
The Pop's: intruso num festival de bandas novas, deu chilique por causa do atraso e não tocou. Nota zero.
Nervoso & Os Calmantes: parece finalmente que vai sair do lugar. Nota 8
Sapatos Bicolores: boas músicas, boas letras, bom público. Nota 7
Graforréia Xilarmônica: clássico é clássico. Nota 8
Domingo, dia 12
Tchopu: com muitas baladas, não soube segurar o público. Nota 4
Violentures: outro que superou as dificuldades do palco de cima. Nota 7
Lava: pareceu desanimado, apesar de ter um público só seu. Nota 6
Drosóphila: boa banda que deve também crescer. Nota 6
Rádio de Outono: mesmo sem guitarrista, mostrou que está evoluindo. Nota 7
MQN: rock de verdade. Nota 8
Primeira vez que passo por aqui, graças ao e-mail que vc mandou acabei conhecendo o site e o blog, está de parabéns. A matéria do Ruído tá sensacional.
Boa sorte Bragatto
Abra Thiago (paredevinil)