Som na Caixa
09 de fevereiro de 2006
Wry – Flames In The Head
Monstro Discos.

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Eis aqui uma banda indie que sempre esteve conectada com o mundo. Se de um lado representava o típico espírito indie de guitarras melosas e melodias sofisticadas ou em “vias de”, o Wry sempre teve uma carga de peso que mostrava uma certa sintonia com o rock e seus elementos, encontrados em outros subgêneros.

É o que volta a acontecer neste “Flames In The Head”, o primeiro disco composto, produzido e finalizado totalmente na Inglaterra, uma vez que toda a banda se mandou pra Londres há alguns anos. De novo Mario Bross e seus comparsas conseguem misturar – e muito bem – o rock de guitarras melosas, a tristeza típica do universo indie e a melancolia inerente ao estilo com uma certa dose de peso e, até certo ponto, um sarcasmo discreto, mas que não passa desapercebido. Algumas músicas mostram uma certa mudança de pensamento em termos conceituais daquilo o que é o pop, como a candidata a hit “In The Hell Of My Head”. Ela cativa logo de cara, seja pelo coro ao fundo, pelas evoluções de guitarra ou o jeito “inglês” de Mario cantar. “Come And Fall”, a seguinte, segue o mesmo caminho, também com cara de rádio. E a senha deixada pelo auspicioso início não decepciona em nenhum momento. O disco é um trabalho conciso, tem toda uma aura conceitual – não no plano das idéias, mas musical, que se torna um excelente handicap para a banda, ainda mais agora, inserida num mercado volúvel e superficial como britânico. Outras legais são “Cancer”, espécie de “In The Hell Of My Head 2”, com grande carga dramática, “Bad Bad Bad”, totalmente brit, e a alegrinha “Powerless”.

O disco é bem mais curto, talvez por questões econômicas, com faixas urgentes e diretas. Mas o resultado final acaba fazendo desse lamento uma virtude e tanto. “Flames In The Head” tem o tamanho exato, e teve as arestas muito bem arredondadas, considerando que as dez músicas tiveram três produtores diferentes, entre eles Tim Wheeler, o guitarrista do Ash, e Gordon Raphael, responsável pelos dois primeiros dos Strokes. O próprio Mario Bross tomou conta de quatro faixas.

Seria muito difícil para eles fazerem um disco melhor que o anterior, “Heart-Experience”, e talvez eles não tenha conseguido mesmo. Mas aqui o que faz a diferença é justamente uma nova direção a ser seguida, determinada pelas mudanças que o Wry encarou nos últimos tempos. Tomara que seja apenas o começo.

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