Fazendo Historia
20 de fevereiro de 2006
Infinita highway
Texto sobre o roadie movie “Fuga Contra o Destino”. Publicado originalmente em fevereiro de 2003 na Tribuna da Imprensa, na coluna "Cinema e TV", assinada por Marcos Bragatto até junho do mesmo ano.

Kowalsky (Barry Newman) é um sujeito determinado. Ele precisa sair da cidade de São Francisco, na Califórnia, e chegar a Denver, Colorado, no meio oeste americano, em apenas um final de semana, pilotando um carro envenenado, de segunda mão. Concentrado, ele precisa tomar certos remédios que o mantenham acordado. Assim começa “Fuga contra o destino” (Intercine, Globo, 1971), um dos melhores road movies, ou, como queiram, filmes sobre carrões e perseguições em todos os tempos.

É que o nosso herói, a princípio é apenas um cidadão comum, e não há motivos para que ele seja perseguido ou capturado, já que sua função é apenas entregar o carro na tal cidade. Mas ele sofre de uma certa angústia, cujas razões vão sendo mostradas ou sugeridas durante o filme, que o faz correr desesperadamente, ultrapassando todos os limites de velocidade e colocando a polícia rodoviária no seu encalço nos diversos estados que atravessa até chegar ao destino final.

Estupefata e intrigada com a situação, a polícia inicia uma implacável caçada a Kowalsky, e descobre que será difícil de detê-lo. Nosso herói ignora solenemente qualquer gesto dos policias para dar uma “paradinha no acostamento”, e escapa espetacularmente de todas as situações. Tanto os policias quanto os espectadores descobrem que, no passado, Kowalsky era um grande corredor, mas que abandonou as pistas por algum motivo enigmático.

Durante a perseguição, os policiais se comunicam pelo rádio, e a conversa entre eles é captada por uma rádio comercial, onde o DJ Super Soul (Cleavon Little), que é negro e cego, além de tocar muito rock’n’roll, leva a história de Kowaslky para a mídia, transformando-o, de imediato, num herói que busca pela liberdade ao correr desesperadamente nas estradas.

À medida que vira lenda, e passa a ser ajudado pela população para escapar do cerco policial, Kowalsky vai percebendo que sua jornada se aproxima do fim, em meio a muitos flash backs que continuam tentando explicar, sem muito sucesso, a razão de sua atitude. Entre os o que o ajudam, está boa parte da sociedade americana pós-hippie (o filme é de 1971), ou seja, ele encontra só encontra figuraças no caminho.

Com um orçamento barato, um elenco reduzido e atores desconhecidos, o diretor Richard Sarafin fez um excelente filme com cenas de rara beleza, ajudadas por uma trilha sonora de arrepiar, que traz, entre outras músicas, o tema que seria apropriado pelo “Globo repórter”. Imperdível.

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