Cecília cantou bem músicas pouco inspiradas
Numa noite que reuniu professora e aluna, Cecília Spyer e Katia Dotto fizeram shows distintos no Humaitá Pra Peixe. Preparadora vocal e experiente corista de vários artistas da mpb, Cecília mostrou as músicas que estarão no seu primeiro disco, já gravado e à espera do lançamento. O show alternou bons e maus momentos, dada a irregularidade do repertório. Entre as músicas que embalaram o público com um pouco mais de energia estavam “Fora de Si”, de Arnaldo Antunes, curiosamente tocada mais tarde pela aluna Katia Dotto; “Repara”, a faixa-título do CD, umas das melhores do set; e a releitura de “Can’t Find My Way Home”, clássico de Steve Winwood que ficou famosa com o Blind Faith. Na voz suave de Cecília, a canção ganhou novos contornos e foi o ponto alto do set. Que a cantora tem uma boa voz e sabe usá-la (às vezes até cantarolando demais) isso é fato, mas talvez não seja o suficiente para engrenar um trabalho próprio. Para isso é preciso boas músicas, coisa que, neste show, ela ficou devendo. Mesmo com alguns músicos experientes no palco, como um tímido Billy Brandão, a coisa não fluiu como poderia. Como o público também não era lá muito grande – na verdade bem apático – e composto por conhecidos e pupilos da cantora, ficou tudo certo.
Katia tocou muitos covers
Respaldada pela classificação para a finalíssima do festival Oi Tem Peixe na Rede, Katia Dotto subiu ao palco para fazer um show de rock. Sua banda conta com músicos já com certa experiência e que dão conta do recado, e ela própria tem dois discos independentes lançados e bagagem razoável tocando em outras bandas. Ou seja, repertório é o que não deve faltar à garota. Do seu trabalho mais recente, ela mandou, e muito bem, a interessante “Go Tell”, com seus suaves versos em inglês, e a ótima “Eu Te Digo”. Em geral, no palco as músicas de Kátia soam mais pesadas e com mais “pegada” que no disco, mas dessa vez a cantora optou em fazer um mini set acústico do meio do show que soou como um anticlímax. Não pela qualidade musical em si, mas pela quebra de ritmo que chegou a desmotivar o público. Outro artifício pouco louvável adotado pela cantora foi a inexplicável adoção de covers em profusão, incluindo Queens Of The Stone Age, Metallica e Arnaldo Antunes – justamente a mesma música cantada por Cecília Spyer. Ora, se o Humaitá Pra Peixe é um espaço para os novos artistas mostrarem seus trabalhos, pra que ficar redundando o sucesso dos outros? A dúvida que fica no final das contas é se havia repertório suficiente para pouco menos de uma hora de show.