
Difícil não falar de Rolling Stones sem usar os clichês de sempre, uma vez que o grupo já há muito tempo virou um clichê de si próprio. O que, no caso dos Stones, é um elogio e tanto. Este é o primeiro disco de inéditas desde “Bridges To Babylon”, de 97, portanto depois de um hiato oito anos - fato amplamente tolerável se consideramos o avançar da idade de cada integrante e a impressionante e perene manutenção da fama alcançada pela banda.
“A Bigger Band” por si só, entretanto, foge ao menos de três clichês impressos diariamente nos jornais de todo o mundo: não é uma “volta às raízes”, nem “a banda tentando se renovar” ou “o melhor disco desde...”. É, sim, o grupo tocando rock simples e, salvo uma ou outra exceção (talvez a soul “Rain Fall Down”) com poucos rebuscamentos, seja em termos de composições ou nas letras. Acontece que, para fazer isso do jeito que eles fazem, só mesmo sendo os Stones, uma banda/instituição que permanece impávida diante do passar do tempo. Assim, não há nenhuma superação de desempenho de nenhum dos integrantes: Mick Jagger canta como sempre cantou, Keith Richards toca do mesmo jeito, e segue o jogo.
Há que se destacar, ao mesmo tempo, a capacidade sem fim que a dupla Jagger/Richards tem de fazer boas músicas, e pisando em terrenos variados. Algumas dessas pérolas são “It Won’t Take Long”, a melhor do disco, com um riff sensacional e belo solo; a balada gospel “Streets of Love”; o country blues de “Back of My Hand”, na qual Jagger toca quase tudo, inclusive harmônica e slide guitar; a “dance” “Look What The Cat Dragged In”; o rockão dançante “Oh No Not You Again”, e por aí vai. O ponto fora da curva vai para a bela “This Place Is Empty”, que, cantada por Richards, cuja voz já foi para o saco há tempos, se transformou num verdadeiro fiasco. O mesmo acontece em “Infamy”, que passa raspando por causa do arranjo.
No fim das contas vale mesmo o clichê: é só mais um disco dos Stones, but we like it.
estive no show, Rio de Janeiro em 1995, foi o maximo legal..... muito show