
Mas uma coisa é intrigante. Por que cargas d’água o U2 não consegue fazer um show decente no Rio? Que os Stones se apresentem só no Rio, e não toquem em São Paulo, isso é uma coisa normal e compreensível, mesmo porque quem está bancando o evento é a Prefeitura do Rio. Mas o U2 não tocar na Cidade Maravilhosa, para mim chega a ser um escândalo. Cheguei até a sugerir uma pauta sobre o assunto para um colega jornalista que trabalha num grande jornal daqui, mas ele declinou. Achou irrelevante. Até porque oficialmente o que circula na mídia é que a banda não tocará por aqui por falta de datas no Maracanã, ocupado com o Campeonato Carioca. Mas eu não acredito nisso.
Vejam bem, não estou aqui querendo passar por fã de rock inconformado por sua banda preferida não tocar na sua cidade. Primeiro que não sou fã, segundo que não tenho banda preferida, e terceiro, que, já disse, é mole atravessar a Dutra assistir a um show e voltar rapidinho. Já fiz isso pra ver bandas bem menores, por que não faria para ver um dos maiores espetáculos da terra? A questão é que, ao não tocar no Rio, o U2 e seus produtores, enquanto empresa, estão perdendo uma grana preta. Ou alguém duvida que um show da banda na cidade seria totalmente lotado, independente do local ou preço do ingresso? Ainda mais com o grupo estando já no Brasil, com tudo em cima e pertinho. E isso sem falar na mídia envolvida. O Maracanã não pode? Pior pra ele, que deixará de colocar lá no seu belo museu mais um quadro, ao lado dos da Madonna, Frank Sinatra e Kiss, entre outros. Lugar aqui é o que não falta. Os Stones. Já tocaram no maior do mundo, na Praça da Apoteose e agora vão para a Praia de Copacabana. Outras sugestões? Cidade do Rock, Jóquei Clube, qualquer estádio de futebol de menor porte, como o do Flamengo (o Metallica tocou lá), Autódromo de Jacarepaguá, Rio Centro...
Imagino que a produção do U2 deve estar escaldada com o fiasco da organização do show de 1998, no Autódromo, mas é daí justamente que se deve tirar as lições. Se naquela ocasião a falta de um esquema de transporte público embolou tudo, que façam agora o planejamento necessário. Mesmo porque Bono e sua turma sabem da importância do Rio para uma turnê do U2. Não por acaso, em 2000, quando decidiram divulgar maciçamente o lançamento do disco “All That You Can’t Leave Behind” na América Latina, eles escolheram o Rio, e o Copacabana Palace. Jornalistas de todo o continente vieram ao tradicional hotel pra uma coletiva, e o U2, além de fazer um show para a TV, circulou pela cidade e gravou cenas que mais tarde foram utilizadas em vídeos da banda.
Disse lá em cima que não acreditava na informação de que o show o U2 não vai acontecer no Rio por causa do Campeonato Carioca. E explico. Em 2002, por exemplo, num final de semana perfeito, o Rush tocou no Maracanã num sábado, e no domingo já estava lá acontecendo uma das quartas de final do Brasileirão, com show de Romário e o escambau. Ok, o palco do U2 é especial e demora mais pra ser montado e desmontado. Que se adiem ou se transfiram os jogos. O Maracanã está fechado desde maio de 2005 (reabre parcialmente no domingo que vem) e os times do Rio, durante esse período, se exibiram a torto e a direito em vários estádios de menor porte por todo o estado, de Volta Redonda à Ilha do Governador. Um outro argumento seria o de que as obras, ainda em andamento, não permitiriam um fluxo de público tão grande. Estive no Maracanã por esses dias e vi o belo gramado prontinho. Grosso modo, a única coisa que falta é a colocação das cadeiras (as tradicionais) e as novas cadeiras no espaço onde antes era a saudosa Geral. Pois que se faça o show lá, com o público no gramado e arquibancadas. Já dá espaço suficiente para a demanda de público.
Ontem, tomando cerveja barata num posto de gasolina, um amigo levantou uma bola esquisita. Para ele, a prefeitura e os administradores do Maracanã (que é do Estado) estariam fazendo pouco caso do show do U2, e apostando tudo no do Rolling Stones. O orgulho da Cidade seria “dar ao povo” um show de graça com a maior banda de rock em todos os tempos, enquanto, do outro lado Dutra, caros ingressos seriam vendidos para o show do U2. No início o assunto virou imediato motivo de chacota, mas pode, sim, fazer sentido, ao menos do ponto de vista das vaidades que os nossos governantes possam ter. O que não dá pra acreditar, é que, se pensam assim, estão perdendo dinheiro com isso, e isso é burrice. A mesma dos empresários do U2 e dos promotores do show. Mas vejam, são só hipóteses.
Outra insanidade é trazer de lambuja o Franz Ferdinand. Que a banda é boa e eu quero ver, isso é outra história. Mas trazer os caras para tocarem junto com o U2? Nada a ver. A maioria vai só se aporrinhar enquanto espera o U2, e os parcos modernos que gostam da banda nem vão conseguir vê-los direito, dada a magnitude da estrutura do palco. Melhor se viessem para shows menores, e em lugares fechados. Ontem também, no mesmo posto, ouvi dizer que estão tentando fechar um show no rio, no Claro Hall. Aí tá certo. Como diz o anedotário popular, cada coisa no seu lugar. E eu, daqui, fico torcendo para que algum jornalista genérico iluminado resolva investigar os motivos para que o U2 não toque no Rio.
Até a próxima, e long live rock’n’roll!!!
Pior é em Belo Horizonte , onde estaremos à mercê da Tati Quebra- Barraco.