O Homem Baile
24 de janeiro de 2006
Rock Rocket, enfim, diz ao que veio
Grupo revelação da cena paulistana voltou a tocar no Rio, ontem, dentro do TIM Rock Hour; Silvertape e Medulla também se apresentaram.

Aconteceu ontem, na Melt, no Leblon, mais uma noite de rock dentro do projeto TIM Rock Hour. Tocaram as bandas Silvertape, Medulla e Rock Rocket. O projeto, que acontece todas as segundas, tem levado bom público. Mesmo num local pequeno e até um pouco inóspito para shows, a produção conseguiu ajeitar uma boa estrutura de som, o que tem garantido bons shows de todas as bandas, transformando uma boate de playboys da zona sul em mais um point rock do verão carioca.

Quem abriu os trabalhos foi o Silvertape. O grupo é de Paracambi, interior do Estado, e está preparando material para um novo álbum, sem previsão para lançamento. Apesar de um pequeno problema com o amplificador do guitarrista e de o público ainda estar chegando ao local, o grupo conseguiu passar a mensagem. O som deles mistura hardcore e metal, e tem ainda referências do rap/hip hop. O ponto alto do show foi a música “Faça a Coisa Certa” (essa bem identificada com o nu-metal), que tem sido tocada nas rádios.

Depois foi o Medulla, banda que recentemente lançou o primeiro disco pela Sony BMG e tem a imagem centrada nos gêmeos e menores de idade Keoops e Raony. Afora o visual excêntrico que eles ostentam, quem manda bem mesmo é a banda, formada por músicos experientes e que entendem muito bem do riscado. Por isso se destacaram os covers para “O Velho”, de Chico Buarque (tá moda regravar o mestre da mpb) e para “Manic Depression”, do Jimi Hendrix, esta com um show à parte do guitarrista Luciano. Ele, que já tocou com Engenheiros do Hawaii e Pitty, foi o destaque em todo set, com boas evoluções e impecáveis inserções entre as músicas. A casa já estava bem mais cheia, e o hit “Munição na Mamadeira”, conhecido de boa parte do público, também foi um dos pontos altos.

Mesmo escalada como headliner da noite, o Rock Rocket, ao subir ao palco, viu o público que antes enchia o show do Nebulla desaparecer subitamente. O trio, entretanto, que vinha tocando em tudo que é canto, pouco se importou: mandou um rock’n’roll potente, esporrento e com uma vontade aparentemente inédita em plagas cariocas – consta que os sucessivos porres tomados pelos integrantes da banda tinham atrapalhado os shows feitos no Rio até então. E isso sem falar que, tocando, a banda parece ter adquirido mais cancha para não precisar arrotar pose e prepotência sobre o palco, como já foi visto em outras oportunidades. Até o som do festival colaborou, sua nitidez permitiu ao público identificar facilmente as raízes garageiras do Rock Rocket, que estão muito além do um, dois, três, quatro do Ramones; há flertes com a surf music de raiz, o rock de Who e afins, e com a simplicidade sônica sessentista. Tudo servindo de pretexto para uma temática adolescente e rock por vocação. Música como “Filho do Rock And Roll”, “Cerveja Barata” (espécie de “Lugar do Caralho” etílico) e “O Babaca e a Meretriz” falam por si só, já nos títulos. A julgar pela apresentação de ontem, o Rock Rocket parece estar aprendendo direitinho com quantos palcos se faz uma banda de rock. Depois dizem que o rock não salva

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