O Homem Baile
18 de janeiro de 2006
Revelação de 2005, Moptop mostra no Humaitá Pra Peixe que ainda precisa crescer
Mutreta também tocou na noite em que o rock mostrou força de público e qualidade musical. Fotos: Joca Vidal/Divuilgação.

Na noite em que as guitarras finalmente solaram, duas das novas bandas da nova safra do rock carioca arrastaram um bom e interessado público ao Espaço Cultural Sérgio Porto. Embora diferentes entre si, Moptop e Mutreta foram atentamente acompanhados e aplaudidos praticamente pelo mesmo público, que, curioso, parecia ter ali o primeiro contato com as bandas.

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Mutreta
Primeiro foi o Mutreta, que já tem até um bom disco lançado pelo selo T-Rec. No show, entretanto, tudo parece muito melhor, já que a banda não dispensa uma única deixa para mergulhar em passagens instrumentais das mais interessantes, com evoluções e solos realmente empolgantes. O problema é que as músicas em geral são muito lentas, e nas partes cantadas o pique do show cai sensivelmente, sendo retomado outra vez em mais uma dessas ótimas jams. Sinal de que nas músicas faltam um riff, uma levada de guitarra mais ousada ou até um pouco mais de inspiração na hora de compor. Quando o vocalista Fred Entringer anunciou “Mister”, uma música nova que - esta sim - era conduzida por um pesado riff, ela foi a que levantou a platéia pela segunda vez – a primeira foi na boa cover para “Refazenda”, de Gilberto Gil. Como era o final do set, a animação permaneceu até que o show acabasse, nas duas últimas músicas, nas quais o guitarrista Guilherme solou impiedosamente e arrancou aplausos.

O Moptop ainda não gravou seu disco de estréia, mas o CD demo deles foi sem dúvida uma das melhores coisas lançadas em 2005. E a banda já nasceu pronta, até pinta de artistas os integrantes têm. No show de ontem, mesmo com o élan de banda que está na eminência de estourar, o quarteto mostrou que o caminho deve ser longo para eles também. Isso porque, mesmo fazendo uma boa apresentação, não chegou a empolgar a platéia, que mais observava que vibrava, sinal de que muita gente ainda não conhece o repertório deles.

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Moptop

E falta ainda, honra seja feita, um pouco mais de bagagem para a banda realmente empolgar em cima de um palco.

Dito isso, difícil é não se render à força de músicas como “Tão certo”, “Ninguém Pra Te Esquecer” e “O Rock Acabou” – o nome é horrível, mas a música é um achado e colocou o público para pular. Poucas bandas iniciantes conseguiram fazer tantas músicas tão boas de uma vez só. Ao vivo, elas crescem ainda mais, e mesmo com um certo ar contemplativo da platéia, mostraram que o grupo pode se superar no palco, coisa que no show de ontem nem sempre aconteceu, apesar das excelentes projeções que acabaram dando uma força. De outro lado, já se vê um bom número de seguidores do Moptop, e ter público próprio quando se é iniciante não é pra qualquer um, não. Outras músicas de destaque foram “Moonrock” e “Sempre Igual”, e até um inesperado bis com “Bem Melhor”. Mas a banda ainda toca músicas da fase que cantava em inglês, o que não acrescenta no processo. No frigir dos ovos, um show muito bom, mas que precisa (e deve) crescer muito.

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