Imagem e Tudo
20 de janeiro de 2006
Radiohead - The Astoria London Live
EMI

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Estamos no ano de 1994, e há quase um mês Kurt Cobain mandou uma bala na cabeça iniciando o fim da avalanche grunge. Mais ou menos no mesmo período uma modesta banda de Oxford, na Inglaterra, acaba de lançar o segundo disco pra mostrar que o pop inglês iria muito além de Oasis, Blur e todo o brit pop. No dia 27 de maio, o Radiohead estava lançando “The Bends” no tradicional Astoria, no centrão de Londres.

O vídeo, só lançado agora, quase 12 anos depois, registra o show de uma banda simples, quase na eminência de alcançar o sucesso mundial, e certamente com um bom disco nas mãos. É notável, por exemplo, uma certa falta de intimidade com o palco e com o público e suas reações, apesar da casa cheia e de todos ali cantarem tudo de cor e salteado. E ainda como Thom Yorke, antes de ter pirado, era um rapaz franzino e, aparentemente, muito bem intencionado. Ele faz lá suas caras e bocas, como se estivesse num transe durante as músicas, mas nos intervalos aparenta uma tímida simplicidade. Ele faz questão de anunciar as seis músicas novas (hoje todas manjadas) pelo nome, como aquela banda que você vê tocando ali na espelunca mais próxima da sua casa.

O repertório é pesado e até nervoso (praticamente só uma balada), e é dividido entre as músicas de “The Bends” (umas seis) e “Pablo Honey”, o disco de estréia que deu o grande hit de início do Radiohead, “Creep”. A música, aliás, parece ter inspirado toda uma forma de compor e tocar, não só da banda, mas de uma geração inteira: aquele que alterna momentos de silêncio com outros de esporro, como bem escrevia a cartilha do Sonic Youth em seus dias mais calmos. É assim em “Blow Out”, que fecha o show, “Stop”, comentada por York como “um single que nunca foi um single” e “Anyone Can Play The Guitar”, escolhida para encerar (antes do bis), e que leva o público ao delírio. Em “Prove Yourself” e “Creep” a apoteose indie da platéia é também assustadora. Já “My Iron Lung” e “Just” lembram (citam) Nirvana, e “Pop Is Dead”, uma das melhores músicas do Radiohead em todos os tempos, fica no meio do bis.

O DVD não traz nenhum dos extras comumente encontrados em outros produtos do gênero, o que deixa o show em si com contornos próprios: é como um show mesmo, você chega vê a banda e salta fora, não precisa de aulas e mais aulas da história do rock. Ao menos não na hora do show.

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