No Mundo do Rock
19 de janeiro de 2006
Mais progressivo e menos metal, Dream Theater amadurece e aprimora gênero que ajudou a criar
Grupo símbolo do prog metal tocou no Brasil depois de sete anos e o vocalista James LaBrie falou ao Rock em Geral. Fotos: Divulgação/Warner e Flávio Hopp (ao vivo)

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Jordan Rudess (teclados), John Myung (baixo), James LaBrie (vocal), John Petrucci (guitarra) e Mike Portnoy (bateria)
Para muita banda às vezes é difícil ver o tempo passar tendo que tocar sempre as mesmas coisas, ainda mais dentro do heavy metal, gênero que preza pela fidelidade, o que pode soar como repetição. Não é à toa que sempre vemos por aí que banda tal tenta se reinventar, outra precisa fugir do lugar comum de tal subgênero e assim por diante. Não é esse, entretanto, o caso do Dream Theater. Talvez por viver a mistura de duas vertentes do rock – metal e progressivo – o quinteto nova-iorquino está sempre criando moda. Conta com músicos técnicos e habilidosos que contrariam a lógica da chatice instrumental, compondo músicas das mais cativantes, e se renova a cada novo álbum – às vezes até a cada show.

O último deles, “Octavarium”, tem tudo que os outros tantos discos deles têm (a banda é de 1987), e mais um pouco: um “quê” de contemporaneidade que abraça o passado, faz um up grade para os nossos dias e ainda aponta para o futuro. É a banda em movimento, madura e sem medo de ser feliz. Tanto que, ultimamente, quando possível, eles têm voltado aos tempos dos covers, executando um álbum clássico do rock progressivo ou do heavy metal. Alguns escolhidos? “The Number Of The Beast”, do Maiden, “Dark Side Of The Moon”, do Pink Floyd, e assim por diante. Nessa turnê, no segundo show de São Paulo, eles coverizaram a si próprios, tocando a íntegra do clássico “Scenes From a Memory”. No show, digamos, comum, citações também não faltaram. Tem que ter moral pra fazer isso, não é, não?

Na semana em que os shows do Rio e São Paulo aconteceram, em dezembro, conversamos com o vocalista James LaBrie, por telefone, direto de Santiago, no Chile. Labrie falou da turnê, da dificuldade em viajar com tanto equipamento, de “Octavarium”, e de como sua voz mudou ao longo dos anos. Confira a entrevista exclusiva:

Rock Em Geral: Como está indo a turnê sul americana?

James LaBrie: Está espantosamente bem, é incrível, o tempo todo os fãs estão sendo extremamente receptivos, são pessoas muitos legais. Estamos nos divertindo muito e um pouco assustados, porque a recepção deles é bem maior do que aquela que esperávamos.

RG: Em algumas cidades vocês fazem um segundo show tocando um álbum clássico na íntegra, mas nunca divulgam qual...

LaBrie: Nunca falamos para ninguém, todos devem esperar. Sempre sabemos qual disco tocaremos antes, temos de estar preparados em bem ensaiados para não fazer feio. Mas nunca falamos pra ninguém, senão perde a graça.

RG: Por que vocês não fazem isso no Rio também?

LaBrie: É que faremos só uma noite no Rio, e só fazemos essa coisa de tocar um álbum clássico do rock quando temos dois shows na mesma cidade. É uma espécie de noite especial para os nossos fãs, e um momento muito legal para nós também.

RG: Da última vez que vocês tocaram no Rio, em 1997, parece que houve problemas com o pagamento do cachê da banda, você se recorda disso?

LaBrie: Não exatamente. Para ser honesto, a única razão para nós não termos ainda voltado nesse tempo todo é porque nós nunca pudemos coordenar a nossa agenda em cada cidade. Uma turnê do Dream Theater é feita com muita produção, muitos equipamentos, temos literalmente milhares e milhares de equipamentos viajando conosco. E isso custa muito dinheiro para colocar dentro de um país. Tivemos que achar um empresário que nos levasse e fornecesse todas as condições para o nosso show, e ainda assim, para tocar no Rio nesta turnê, tivemos que ceder em alguns pontos. Não trouxemos tudo o que geralmente levamos para as turnês, porque é muita coisa e sairia muito mais caro. Nós não estivemos na América do Sul por quase oito anos, e decidimos reduzir na produção e equipamentos, para ao menos tocarmos para os nossos fãs dessas cidades. Mas mesmo com esse recuo, estamos capacitados em todos os sentidos para fazer um grande show.

RG: Então o show daqui não é o mesmo que vocês fazem no resto mundo?

LaBrie: Tem menos coisa na produção, mas pouca coisa perceptível para o público. Vocês não terão os telões, que geralmente usamos no palco. Mas quase tudo o mais será a mesma coisa. Essa turnê está indo realmente muito bem, teremos todos os arranjos de palco, a mesma bateria e tudo o mais. A única coisa que não teremos serão uns efeitos de luz e os telões na parte de trás do palco. Mas o resto é quase tudo igual.

RG: O álbum anterior ao “Octavarium”, “Train of Thoughts”, foi um dos mais pesados na carreira da banda, e o “Octavarium” é mais voltado para o lado do rock progressivo. Vocês planejam colocar os dois elementos - prog e metal - na mesma medida num álbum?

LaBrie: Em geral costumamos conversar antes sobre o que iremos fazer no disco seguinte, quando estamos concluindo a turnê do disco anterior, e discutimos para onde queremos ir, o que queremos fazer, que direção devemos colocar nossa música. Por causa disso nós deixamos claro a idéia quando entramos em estúdio, sobre o que temos que fazer, e que tipo de música estará no disco. “Train of Thoughts” foi um disco extremamente pesado, e era isso que queríamos fazer, era exatamente o álbum que queríamos ter criado naquele momento. Quando chegou a hora de definir o que faríamos para o “Octavarium”, sabíamos que queríamos trazê-lo mais para a direção da música progressiva. Mas nos preocupamos para não fugir muito do nosso estilo, e assim o disco tem partes pesadas também.

RG: Há muitos elementos em “Octavarium”, a música, que remetem a bandas clássicas do rock progressivo. Vocês a fizeram como uma espécie de tributo a essas bandas, dos tempos áureos do rock progressivo?

LaBrie: Bem, eu sempre ouvi essas bandas que provavelmente nos influenciaram muito no começo, nós crescemos ouvindo esse tipo de som. Então é claro que essas influências vão aparecer, e você pode percebê-las em “Octavarium”, claro pode. Essa música é muito mais o estilo clássico da música progressiva do que uma coisa mais contemporânea, dos dias de hoje.

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James LaBrie tem um técnico vocal desde 2003

RG: “Panic Attack” parece ter sido feita sobre o 11 de setembro...

LaBrie: Foi baseado neste evento, mas quando eu estava lendo essa letra, o que vinha a minha cabeça era o que levou a humanidade a esse ponto, o que nos levou a ignorar uns aos outros, não ter sentimento uns para com os outros, o fato de temos nos segregados em religiões. E isso é complicado. Não saber, não acreditar na crença da cada um. E infelizmente aquele que pensa numa certa direção pensa ser superior ao outro, e isso acaba criando muitas situações de ódio, de tragédia. Então é isso o que me preocupa. Usamos o 11 de setembro como exemplo, mas há mais coisa com que se preocupar. O que nos levou a criar tantas tragédias em nossas vidas. A música é sobre isso tudo.

RG: A sua voz mudou bastante nos dois últimos álbuns, hoje parece bem mais consistente. Você acha que isso é fruto de um processo normal para um vocalista que está amadurecendo, ou você simplesmente decidiu mudar?

LaBrie: As duas coisas, na verdade. Primeiro que há alguns anos eu estourei minhas cordas vocais, no finalzinho de 1994, e levei oito anos para me recuperar totalmente disso, acredite ou não. Minhas cordas vocais estavam muito ruins e havia muita competição por causa disso. Então minha voz está completamente boa agora, eu posso voltar a cantar do jeito que eu cantava antes, sem medo de ter os problemas vocais da idade. E também, em 2003 eu voltei a estudar com um técnico vocal, e isso também me ajudou a criar diferentes sons com minha voz, criar notas mais fortes e consistentes, e fazer ao vivo exatamente o que está nos discos. Tudo isso me ajudou a criar um novo jeito de cantar como eu canto hoje.

RG: O Dream Theater sempre grava músicas longas que passam dos dez minutes. Vocês se preocupam em não cansar o ouvinte, ao menos os de “primeira viagem”?

LaBrie: Se alguém vem ouvir a música do Dream Theater é porque foi indicado por alguém, está interessado nesse tipo de som. E não é só de músicas longas que nosso repertório é feito, mas de músicas com trechos acústicos, que abrange diferentes estilos de música. Quanto mais as pessoas ouvem com atenção, mais elas percebem que não se trata só de músicas longas e, digamos, progressivas.

RG: Falando do público, boa parte é formada por músicos. Você acha que eles estão sempre conferindo se vocês, no palco, estão tocando certinho o tempo todo?

LaBrie: Acho que sim, muitos deles vêm aos shows para ver se conseguimos reproduzir no palco o que gravamos em estúdio. Muitos dos nossos fãs são assim, provavelmente 60, 75 por cento deles são músicos e querem ver do que somos capazes de fazer.

RG: E vocês tentam realmente reproduzir tudo fielmente?

LaBrie: Sim, eu acho que colocamos toda a nossa força ao vivo para fazer tudo de que somos capazes de fazer, todos na banda se esforçam para fazer o melhor. Mas também somos humanos, e nem sempre atingimos o máximo. De outro lado tem a energia do próprio show, que você não ouve no disco. Mas nós estamos aptos a fazer no palco tudo que gravamos em estúdio.

RG: Vocês planejam um novo álbum já para este ano?

LaBrie: Vamos continuar em turnê até abril de 2006, com este álbum, e então provavelmente vamos dar um tempo até o segundo semestre, e em torno de setembro vamos planejar algo para gravar e lançar no início de 2007. E aí é cair na estrada de novo.

RG: Você acha que os projetos paralelos de cada músico acabam ajudando o trabalho do Dream Theater?

LaBrie: Acho que é bom, porque isso faz com que cada se desenvolva e cresça mais como músicos e artistas. Estar num estúdio fazendo música nova, gravando e produzindo é muito bom, e faz cada um ficar bem melhor, além de trazer novos elementos para a música do Dream Theater, quando começarmos a compor um novo álbum. Acho isso muito bom para todos.

RG: Você lançou um álbum solo em 2005, “Elements of Persuasion”. Como é o som?

LaBrie: Eu acho que você próprio deveria escutar, mas é hard rock com um pouco de progressivo. Mas é mais, eu diria, melancólico, dinâmico, mais atmosférico, e tem momentos de Dream Theater, mas eu sempre tento criar um novo som, numa nova direção, musicalmente. Aí o público pode sacar as diferenças entre o que eu faço no Dream Theater e o que eu faço num disco solo. Mas achei a experiência saudável, ficou muito bom.

RG: Você fez todas as músicas desse disco?

LaBrie: Eu fiz todas as músicas com o Matt Guillory, o tecladista. Mike Mangini tocou bateria, ele já tocou como Extreme e Steve vai. Bryan Beller é baixista, Matt também tocou piano, e na guitarra, Marco Sfogli, um novo e incrível guitarrista de 25 anos. Ele já tocou com o Steve Vai.

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Em São Paulo o Dream Theater tocou o álbum "Scenes From a Memory", na íntegra
em setembro 29, 2006 09:12 AM [thiago de freitas vieira ]

Sou um fã desses caras!
Gostaria de receber informações deles diariamente.
Obrigado!



em fevereiro 27, 2007 05:01 PM [Rodrigo Oliveira]

Se porventura puderem me informar sobre esta banda eu agradeço demais, obrigado.



em maio 10, 2007 04:57 AM [d1nkgo]

Good band



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