

A idéia é juntar o bom e velho pop rock com a sonoridade interiorana vinda do Paraná. Daí a capa mostrar, aparentemente, uma foto de colonos pioneiros daquela região. Por isso também, o encarte mostra que um dos integrantes toca viola caipira, e percebe-se, já em “Piada Cruel”, que abre o disco, intervenções de harmônica e um vocal feminino à Tetê Spíndola – que é da região e chegou a vencer um daqueles festivais promovidos no passado pela Globo.
Que a receita sugere algo de original isso é fato, mas se o resultado soa bem e faz jus à proposta, aí já são outros quinhentos. Porque, de fato, há muito mais da sonoridade dita interiorana do que do rock e do pop, tal qual conhecemos. Se, à semelhança do que acontece nos Estados Unidos e Europa, a intenção era cunhar uma espécie de alt country ou folk rock, respectivamente, à brasileira, o caminho parece bem mais longo e precisa ser mais bem desenvolvido, em forma, esteticamente falando, e conteúdo.
Há que se notar, de outro lado, que, a despeito da embalagem – a tal estética – vale ressaltar boas músicas como a faixa-título, que também é um bom exemplo de peça bruta a ser lapidada, ou desdobrada para algo mais que seus parcos dois minutos e pouco. “Ai de Você José!” e “O Que é Que Foi, Piá?”, com um certo punch rock são outras candidatas à pérola pop. Já “A Beleza e a Dor de Sua Alma” cai no lugar comum já freqüentado, no passado, por uma banda paulista chamada Dotô Jeka – e aí há que se ter muito cuidado. Contato: www.charmechulo.com.br ou (41) 243-8184