

Imagine uma banda que está no final de turnê e não agüenta mais cantar, pela milésima vez, o grande hit que tocou em todas as rádios no último verão. Agora pense que ela toca essa mesma música há cerca de... Trinta anos. É o que acontece com o Deep Purple, que ontem à noite, mais uma vez, levou uma boa horda de fãs ao Claro Hall, no Rio. A banda iniciou, pela segunda vez na história, uma turnê pela América Latina, desta feita para o lançamento do álbum “Rapture of The Deep”. Durante a semana, fez outros dois shows em São Paulo, e agora parte para uma turnê na Europa e Estados Unidos.
O Claro Hall mais uma vez pisou na bola ao colocar cadeiras na parte da frente, separadas por uma grade que deixou uma boa parcela do público a uma distância considerável. Como na área das cadeiras todos se aglomeravam o mais perto possível do palco, um vazio enorme tomou conta da parte intermediária. Nada, entretanto, que tirasse a inabalável empolgação dos músicos, todos beirando os 60 anos.
Como de hábito, o Purple mostrou algumas músicas novas, envolvidas pelos grandes clássicos da carreira, e considerando somente as fases em que o vocalista Ian Gillan esteve à frente a banda. A única coisa que não dá pra entender é o pano de fundo, usado desde a turnê do último álbum, com o logo da época do disco “Stormbringer”, que tinha o desafeto David Coverdale como frontman. Entre as músicas novas, “Wrong Man” é que mais tem cara de hit, com um pelo e pesado riff marcando toda a música e um solo que mostra como o ótimo guitarrista Steve Morse anda bem adaptado ao estilo Purple – ele entrou na banda somente há quatro álbuns. Antes, na abertura, as clássicas “Pictures of Home” e “Strange Kind of Woman” (que havia ficado de fora na turnê de 2003) deu uma agitada geral no público. A expectativa pelo duelo vocal/guitarra, de outro lado, foi frustrante: Gillan já não alcança as notas mais altas, ainda na segunda música parece fazer um esforço sobre humano para cantar. E olha que nem estamos falando de “Child In Time”. Também pudera, ele é praticamente o inventor do agudo no rock e passou os anos 70 se esgoelando pelos palcos. E é pela história que bem embutida que vale ficar frente a frente com o Deep Purple.
“Contact Lost”, única do álbum anterior, “Bananas”, é tocada toda instrumental, e somada à “Well Dressed Guitar” se transforma praticamente num solo de Morse. Na seqüência é a vez de Don Airey mostrar os dotes, em um número que inclui sua criação mais famosa – a introdução para “Mr. Crowley”, de Ozzy Osbourne – e ainda lamentáveis citações à bossa nova, para fazer uma média certeira com a platéia. O final do solo é a deixa para a genial “Perfect Strangers”, faixa título do álbum que marcou a volta da banda em 1984, e que contém a também ótima “Knocking At Your Back Door”, esta omitida no repertório. “Highway Star” começa com uma mini jam entre Steve Morse e Roger Glover, mas a bateria de Ian Paice entrega e logo o público identifica a música e vai ao delírio. O solo é o único momento em que se sente a falta de Ritchie Blackmore – só ele para tocar um clássico desses. “Smoke On The Water”, aquela que eles tocam há trinta anos, e que tem um dos maiores riffs da história, encerra o show.
No bis, “Lazy”, numa versão mais econômica, a “pré-histórica” “Hush”, como bem disse Gillan, e a indispensável “Black Night”, cujo refrão já vinha sendo cantarolado desde que a banda subiu ao palco. Depois de cerca uma hora e quarenta, a impressão que fica é que sempre vale a pena ter um encontro com a história do rock que um show do Purple representa, e que, dado o estado da voz de Ian Gillan – que chegou a tossir em algumas músicas – este talvez tenha sido um dos últimos.
Set List
1- Pictures Of Home
2- Strange Kind Of Woman
3- Wrong Man
4- Kiss Tomorrow Goodbye
5- Demon's Eye
6- Rapture Of The Deep
7- Contact Lost / Well Dressed Guitar
8- Solo de Don Airey
9- Perfect Strangers
10- Highway Star
11- Space Truckin'
12- Smoke On The Water
Bis
13- Lazy
14- Hush
15- Black Night
Já vi que não percebes nada de guitarristas, se dizes que faltou o R. Blackmore para tocar um solo, de certeza que não conheces nada de Steve Morse, porque tanto o "Well Dressed Guitar" como o "Cascades" sao solos fenomenais só alcançados por um excelente compositor e extraordinário guitarrista como Steve Morse... Caso não saibas no mundo da música profissional Steve Morse é tido como o guitarrista mais dificil de imitar em todo o mundo...
Tá bom, Valter... Portugal é eliminado da Copa e você vem aqui ensinar o padre a rezar a missa? Tá bom...