
Não tenho simpatia nenhuma pelo Corinthians ou por qualquer outro clube de massa, mas gostei da humilhante derrota imposta ao time que não sabe perder. Se o futebol é, como disse, a síntese da vida, o castigo sofrido por aqueles que não aceitam a derrota veio a jato. No dia em que a direção do clube se desfez do técnico Gallo – não que ele seja brilhante – o time foi para o saco. Somada a isso a insensatez após a derrota para o mesmo Corinthians na Vila Belmiro (achavam que, só porque o jogo era remarcado, não deveriam aceitar perder) o Santos hoje é um time de peladas. Não ganha nem do time de garçons nas madrugadas do Aterro. E foi muito bom ver o mal educado projeto de goleiro falhando a rodo. Num dos gols de Tevez (o terceiro, acho, perdi a conta) ele sequer tinha noção de espaço, deixando a meta escancarada para um chute meia boca virar golaço na voz dos locutores.
Mas citei o Botafogo, e não por acaso. O glorioso não tem este título à toa, é historicamente um dos grandes clubes do futebol brasileiro. Mas, entre eles, é o menor. Sua coleção de títulos é ridícula, e, tal qual o Santos, não fosse Garrincha, talvez passasse em branco. Ou, por outra, não passa em branco por características tão peculiares, que sua tradução se dá numa frase que é outro lugar comum: “há coisas que só acontecem no Botafogo”. Domingo, por exemplo. Num clássico Flamengo x Botafogo não há resultado mais comum do que um ordinário 3 a 1. Mesmo sendo para um Flamengo modesto, com um jogador a menos, e de virada. Não vejo vergonha nenhuma, a não ser a dor da derrota, que, segundo consta, faz parte do jogo. Por isso não se justifica um gerente do clube, resgatado pela moderna gestão de Bebeto e Freitas, aparecer na TV, e, tal qual um torcedor de arquibancada, espinafrar os jogadores como se eles fossem de um time de peladas. Os jogadores foram mal? Chuparam sangue? Pode até ser verdade. Mas amador foi o diretor do Botafogo.
Também não citei o rubro-negro ao acaso. Se fosse um comentarista estatístico apontaria a campanha do Flamengo, nos últimos quatro jogos, sob o comando do matreiro Joel Santana, como uma das melhores do campeonato. Ao que tudo indica, o time deve permanecer na primeira divisão. Não sei se já disse isso aqui, mas sou contra o rebaixamento de time grande, ao menos nos moldes que temos hoje. Sou também contra o time pequeno. Ou, por outra, quero esses times bem longe, da segunda divisão para baixo. Como diria o anedotário popular, cada coisa no seu lugar. Isso, entretanto, é assunto para uma coluna específica, de preferência sem campeonatos em andamento.
Mas falava do Flamengo apenas para reivindicar para os jogadores, dirigentes e torcedores, o direito de comemorar essa arrancada rumo à manutenção do time na primeira divisão. É lógico que o Flamengo merece mais. Que o time que aí está é ruim, que a maioria dos jogadores são pernas de pau, que a campanha é pífia. Mas é isso o que há para salvar o time, mais uma vez, do rebaixamento. Então, para o torcedor, só resta colocar a cerveja pra gelar e torcer, pedir a São Judas Tadeu e o escambau. Tá valendo. E esses jogadores, embora ruins, vivem sob pressão, precisam desafogar quando atingem objetivos, mesmo quando eles são diminutos perto da grandeza do clube. E esse papo de que “seria bom o Flamengo cair para se recuperar” é coisa pra comentarista acadêmico. Melhor é ele não cair nunca e se recuperar na primeira divisão mesmo. Virado o ano, cabe à diretoria fazer a faxina geral. Aí cobraremos todos. Agora, não. Deixem os caras comemorar, afinal o futebol é a síntese da vida.
A CBF enfim resolveu festejar o campeonato brasileiro como ele merece e vai premiar os melhores do campeonato, numa escolha que a ser feita por jornalistas, técnicos e até jogadores. O resultado, no melhor estilo Oscar, acontecerá na segunda-feira, dia 5 de dezembro, e nos dias seguintes haverá um jogo entre o campeão e a seleção do campeonato. Boa medida. Como de hábito, a crônica esportiva já escolhe seus preferidos: Petkovic e Tevez, com ligeira vantagem para este, já que está no time campeão. Reparem que são dois estrangeiros, um sérvio e um argentino. Ambos são craques, mas não voto e nenhum dos dois. E não por xenofobia. Pet chegou no Fluminense em agosto, num campeonato que começou em abril, e não levou o time às primeiras colocações, como dizem os cronistas. O Fluminense já havia sido campeão carioca, vice da Copa do Brasil e nunca deixou de ocupar as primeiras posições do brasileirão. Pet só mantém o brilho do Flu. Isso quando não some em campo, como no domingo passado. Tevez tem seus méritos, mas, jogando num time bem armado, com bons laterais, um leão (Rosinei) e um craque (Roger) até o Beijoca faria o que ele faz: correr, agarrar, chutar e marcar.
O craque do campeonato é Robinho. Com ele o Santos tinha a cabeça no lugar, foi sempre um dos líderes do campeonato. Com ele o Santos seria campeão ou vice, como foi nos últimos três anos. Mesmo “de mau” com o Santos, se recusando a jogar e o escambau, Robinho era o Santos. E, claro, joga muito mais que Pet e Tevez.
Até a próxima, que com cinco por cento a mais de cada um chegaremos à vitória!!!