
Falava outro dia da abundância de shows internacionais e hoje já penso: haja grana para ficar frente a frente com ídolos e bandas que nos chamam a atenção. O indie, então, está praticamente arruinado neste segundo semestre. Vai para o exterior (Curitiba) no próximo final de semana ver Weezer, Raveonettes e Mercury Rev, mas já pensa no TIM Festival com Strokes e outras novidades mais novinhas em folha. Falo no indie, mas não deveria. Porque, a bem da verdade, não é possível o indie duro. Ou, por outra, o indie sem dinheiro é uma farsa em si próprio. Um verdadeiro rascunho, na verdade um projeto de indie sem habite-se. Para os produtores, o indie não preocupa: ele está sempre sacando do bolso a quantia necessária para obter um ingresso. Isso é certo. Mesmo em Curitiba, no exterior.
Penso, na verdade, no fã de rock em geral. O de metal, por exemplo. Tem nesse final de semana, o imperdível Slipknot – mais pela festa e algazarra que pelo som, e os menores, porém não menos interessantes Pain Of Salvation e Evergrey. Não existe o indie duro, é fato, mas o fã de metal, ao contrário, é, por excelência, um desprovido de grana. É sem dúvida a coisa mais underground que existe, talvez fique em segundo lugar se incluirmos na conversa o rockabilly. Ao mesmo tempo (e volto aos shows) a bonequinha Avril Lavigne e o Nokia Trends, que entre outros traz de volta o Asia Dub Foundation, povoam o mesmo final de semana. Sim, eu disse o mesmíssimo final de semana. Ou isto ou aquilo, pregava Cecília Meireles. E eu, como Raul, vou fazer o que eu gosto.
Não existe lugar melhor para se estar do que de frente para o palco, com uma banda tocando. Isso é fato. No caso de uma artista internacional, o que conta na platéia é a expectativa, a emoção, o resultado de anos de espera que chegam ao fim, e vá lá, a adrenalina. Se o local é pequeno e tocam bandas novas, conta a curiosidade, o encontro com o novo e também a emoção. As luzes, as fumaças dos cigarros, as pessoas com as latas/copos de bebidas nas mãos, passando de lado a lado, se empolgando com essa ou aquela banda, essa ou aquela música. Um festival, então, com bandas novas ou consagradas, é o verdadeiro paraíso rock’n’roll. Não existe lugar melhor para se estar do que de frente para o palco, com uma banda tocando.
Num momento “should I stay or should I go”, é preciso estar atento e forte. Porque, vamos e venhamos, não há escolha completa nesse tipo de tomada de decisão, e não será raro o comentário de um ou outro incauto do tipo “estou aqui, feliz, mas gostaria de estar lá”. Aquela típica dor de corno de quem gosta de rock no jeito tudo ao mesmo tempo agora. Mas, de novo Cecília, ou se calçam as luvas ou põem-se os anéis. Do jeito que a coisa anda, logo não será preciso escrever nada para concluir uma coluna como esta. Mas sim montar um quebra cabeça de frases chaves, clichês e chavões. Gosto disso.
Mas falava de rock. E de shows. Não existe uma coisa sem a outra. E aí me lembro daquelas cidades, aqui no Brasil, onde as bandas internacionais não se apresentam. Meus amigos do Nordeste vivem a reclamar que já está na hora dos artistas internacionais passarem por lá também. Público é o que não falta, dizem eles, dando como exemplo os shows realizados em Recife por Deep Purple e Silverchair nos últimos anos. E eu acredito, porque cobrindo festivais como Abril Pro Rock e Mada, vi que sai gente de tudo o que é canto par ver um grande artista, ainda mais um internacional. Mas se tem público e não tem shows, devem faltar lugares apropriados e/ou contratantes mais ousados. Em todo caso, já estou sabendo, um grande abaixo assinado está sendo feito pra que o Pearl Jam toque por lá. Espero que dê certo, já que foi assim, por exemplo, que o Cure veio tocar no Brasil no Hollywood Rock de 1996. Se servir de consolo, vale registrar que mesmo no Rio, esse tipo de coisa acontece. O Megadeth, por exemplo, que já fez no mínimo uns cinco shows com excelente público por aqui, desta feita tocará só em São Paulo. O mesmo aconteceu como o MC5, que tocou no modesto Campari Rock e deixou a Cidade Maravilhosa a ver navios.
Felizmente, um grande empecilho para que as bandas toquem em todos os lugares possíveis e rentáveis está caindo por terra. Falo da famigerada cláusula de exclusividade, que impede que bandas que todos querem ver se apresentem em outras cidades que não aquela onde o evento em questão se realiza. Assim, o TIM Festival acontece este ano só no Rio, mas os Strokes, além de um show extra no Rio mesmo, tocará ainda em São Paulo e Porto Alegre. Só o CRF (ex-CPF) ainda usa desse artifício. O que tira, repito, Curitiba do mapa do Brasil. Mas vamos lá que o Weezer não pode esperar.
Até a próxima, e long live rock’n’roll!!!