abril 29, 2008

Fisioterapia do Fenômeno termina em delegacia

Rio de Janeiro (Chora cavaco) – De férias depois de ter feito um transplante de joelho, o atacante Ronaldo Nazário, o Fenômeno, se envolveu numa encrenca das piores. Acusado por um travesti de não pagar por um programa e de consumir cocaína, o rotundo artilheiro teve que se explicar na 16ª Delegacia da capital, aquela que fica logo depois da 15ª. Para o delegado o artilheiro da Copa de 2002 alegou que pensava que os travecos (eram três) fossem apenas garotas de programa feiosas e, quando reparou que cada uma delas tinha um algo a mais, propôs R$ 1 mil para que seguissem seus rumos. André Luís Ribeiro Albertino, um dos travestis, não aceitou a unidade e queria meia centena para livrar a cara do jogador do Milan, que encarou o pedido como extorsão. Como resultado, todo mundo para a delegacia.

Garotos, garotos. O que foi acima é um resumo do último episódio envolvendo o outrora craque brasileiro, hoje um ex-jogador em (quase) atividade. Não sou um grande fã do esporte bretão desde que o Liberato de Castro afundou-se em crise e praticamente fechou e fiquei mais desiludido ainda com a derrota do Potiguar de Mossoró na final do campeonato do Rio Grande do Norte, mas, uma coisa que ninguém pode negar é que o Fenômeno foi um grande jogador e ajudou bastante o escrete canarinho. O que também nunca não se pôde negar é a predileção dele pela noite.

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outubro 11, 2007

O Encontro 2 - Panqueique, Mengão e o indefectível som de fritura

Ronsley era uns dois anos mais velho que eu e uma espécie de ídolo de todos na passagem Coelhinho. Bom de bola, bonitão, gente da melhor qualidade, era muito querido, em especial pelas meninas. Curiosamente, nunca se viu com nenhuma delas por mais de uma noite. "Esse aí não quer compromisso, quer apenas 'cortir'", diziam os mais velhos. O único defeito do mancebo é que não era afeito aos estudos. Achava que a esperteza lhe bastaria para ganhar a vida.

Lá estávamos nós dois, frente à frente num banco desconfortável de ônibus. Eu com a cara melada de um dia de trabalho. Ele com o rosto branco de tanto pó compacto e os lábios cuidadosamente contornados por um batom magenta-tropical. Ronsley mirava a mim com um espanto poucas vezes visto num homem maquiado. Confesso que o sentimento era o mesmo do meu lado. Ao mesmo tempo em que não conseguia desviar o olhar das marcas de chupões do pescoço dele, as reminiscências da juventude vinham a mim como uma pá de panqueique de baixa qualidade.

O Ronsley fazia o tipo magrelo, mesmo assim as meninas se encantavam. Ele, tal como um Chico Buarque que teve o bom senso de não se meter a cantar, era dito como um bom entendedor do sexo oposto e tinha um olho verde - era de vidro, mas verde. Ele passava horas com elas. Nunca ninguém desconfiou dele, nem quando foi ao show do Information Society num estádio de futebol aqui perto. Lembrei de uma época em que ele desapareceu por uns dois meses e voltou diferente. O nariz, antes achatado e parecido com uma bola, voltou que era uma beleza, fininho como o de um cantor pop que deixasse a negritude de lado.

Eu já não tinha mas nenhuma dúvida de que era meu velho conhecido e ídolo de juventude. Aquela tatuagem quase apagada do Mengão não tinha igual. Beque central de responsa nas peladas e torcedor fanático do rubro-negro carioca, ele costumava dizer que nada no mundo era mais refinado que o Moser. "Esse aí joga bonito. Repara só na posição das pernas dele. É um cara que anda ereto. Muito bem", Ronsley era dado a comentários mais profundos quando assistia a TV.

- Errr..aahhh... - não conseguia puxar papo com ele.

Não era para menos. Outrora orgulho viril da Coelhinho, ele agora era uma caricatura mal feita de uma mulher sofrida. E, amigos, vou lhes contar, ele não tinha muito bom gosto para as combinações. Usava uma saia mais justa que o Altíssimo e que deixava a bochechinha da bunda para fora, o que denotava uma vulgaridade que em nada deixa alguém atraente. O salto era tão alto e fino que uma desequilíbrio equivaleria a uma queda do segundo andar. O top era de um tecido de nome engraçado como tafetá e parecia mais uma sobra de cortina de motel barato, tudo com muita cor e brilho. Era uma combinação que tinha tudo para dar errado e deu. Mesmo assim ele não devia estar desprovido de algum atrativo. Antes de conversar com ele dois outros caras passaram ao lado e fizeram com a boca aquele indefectível som de fritura para demonstrar cobiça. Ele estava quase irreconhecível e mal sabia o que falar. Quando o estupor inicial passou eu consegui puxar um papo para quebrar o gelo.

- Ronsley, tu tá diferente mas não sei no quê.

Conclui na próxima quinta-feira.

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"Fiz um desenho novinho pra vocês", não sei quem o Waldez tenta enganar. Tá na cara que ele só recortou e colou o desenho antigo. Mas, como ele não ganha nada aqui no blog, nem bom dia, não podemos reclamar.

outubro 5, 2007

O encontro - Um ônibus, um olhar e uma brecada

Todo dia tomava aquele ônibus em direção ao estágio. Nem lotado, nem vazio. Nunca, nem na hora do rush. Certa feita fui chamado para auxiliar um serviço que varou a madrugada. Ganhei uma diária que era maior que a ajuda de custo. Uma moleza. Seis horas da manhã e lá estava eu voltando pra casa. O bolso recheado e o dia de folga. O coletivo estava quase vazio. Quase. Duas cadeiras à minha frente havia uma moça com traços até atraentes, embora quase que escondidos sob pesada maquiagem. Trocamos um olhar. Aliás, ela me olhou. Não dei muita confiança, juro. Há tempos tinha olhos apenas para Gleice. Olhou-me de novo, mas dessa vez rapidamente e virou o rosto como quem quisesse escondê-lo. Foi então que me veio a idéia fixa de que a conhecia de algum lugar.

Passei para a cadeira seguinte e fixei olhar. Ela já não mais se virava. Debaixo daqueles blush, glóss e outros produtos da Avon com nomes engraçados, sob aqueles cabelos esticados, maltratados e descoloridos eu poderia jurar que era uma conhecida. Lá no meu setor, a Passagem Coelhinho, tinha muitas meninas e as conhecia todas, no entanto, não conseguia lembrar daquele rosto. Seria irmã de algum amigo? Ex-namorada não era. Não sou dado à bebida, portanto não esqueço dessas coisas. Mas, quem?

A viagem até em casa ainda demoraria demais e não passaria todo o trajeto com essa dúvida. Pior, veio-me a lembrança da possibilidade dela sair do ônibus antes de mim. Não poderia ficar com essa angústia. E, não poderia deixar de dizer que tal rapariga tinha lá seus atrativos. Se não nos conhecêssemos poderia ao menos tentar puxar papo com o fato dela ter me olhado primeiro. Tomei coragem, coisa rara em minha trajetória, e sentei-me ao lado dela.

- Olá. Tudo bem?

Não obtive resposta, fui ignorado. Mas já estava o lado dela e continuei. Respirei fundo – quase tive uma viagem lisérgica devido à quantidade de perfume barato que ela usava – e fui em frente. Apresentei-me, disse onde trabalhava e onde morava. Contei a ela sobre os colégios que freqüentei e do nefasto período em que fui membro da Juventude com Cristo é Mais Legal (Jucrimal). Ela permanecia calada e isso já me irritava. Quando já me preparava para voltar ao meu lugar uma curva mal feita e todos se segurando não caírem me deu a revelação esperada. Ela teve que se virar e pude ver bem melhor aquele rosto que tanto me intrigava. Lembrei-me! É claro que conhecia a quem pertencia aqueles olhos gateados, aquelas maçãs de rosto salientes e a tatuagem mal feita do escudo do Flamengo no ombro direito.

- Ronsley?!

Continua na próxima quinta-feira

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Reconstituição fiel aos fatos acima descritos feita pelo Waldez, o desenhista mais prafentex que existe.

junho 21, 2007

A beleza selvagem de Cláudia Ohana

Garotos, garotos.

Uns dias atrás o menino Doda, em seu blog pessoal, desafiou-me a listar as cinco melhores Playboys que já li. Antes de respondê-lo disse-lhe uns impropérios porque quem lê a Playboy usa a revista do jeito errado. Depois, ainda um pouco puto da vida, avisei que por causa de motivos afetivos listaria seis e não cinco. A maioria das edições que me emocionaram e fizeram minha alegria em momentos de pura solidão é antiga. A primeira remete ao ano de 1978, quando a publicação ainda chamava-se de Homem, e, a última, de 1991. Guardo essas e mais algumas revistas no meu imaginário, já que caí na besteira de deixá-las na sala de espera da Hidrovácuo's e alguns filhos-das-putas fizeram o favor de surrupiá-las.

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abril 25, 2007

A festa começou e não tem hora pra terminar

ressaca_wins_hermanos2.jpg Depois que os chapas dos Los Hermanos anunciaram aquela que promete ser a mais alegre de todas as suas composições seus não-fãs resolveram comemorar o anúncio do aparente fim da banda. Após uma rápida mobilização popular uma multidão se reuniu na praça Mangabeira Unger, em Mossoró, para um pequeno carnaval fora de época. "Meu filho tava perdido. Num saía da cama. Vivia triste, parecia um cabra com hora marcada pra morrer. Depois que esse conjunto terminou ele ficou mais animado. Fez a barba, voltou a sorrir e, dizem por aí, tá até namorando com mulé", comentou entre lágrimas Madalena Pantoja, residente na metrópole riograndense-do-norte. Segundo o major Jebadão Júnior, comandante do 17º Posto de Policiamento Aquático, Terrestre e Aéreo de Mossoró (Popatamo), cerca de 900 mil de pessoas dançaram até o sol raiar numa das maiores manifestações de alegria coletiva já presenciada no Brasil.

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Messias Jardan quase não consegue fazer os retratos da festa devido ao riso incontido que tinha na face. Mesmo assim ele mostrou profissionalismo e registrou esse singelo momento de alegria extrema.

abril 7, 2007

Os (quase) Papas mais históricos do mundo

Adis-Adis Babawana - Um caso perdido. Na verdade o cardeal africano nunca chegou nem perto de ser papável, mas ele se inscreveu nas três últimas eleições pra o cargo. Um iludido. Apesar do bom coração e de ter sido inocentado em todas as acusações de canibalismo em seu país natal, o Burundi, Adis-Adis se esquece que na igreja católica só há lugar para um preto de responsa e ele é São Benedito. Amigo de infância de Cruzmaltino Bandeco, o religioso se tornou os olhos, os ouvidos e o tato do Ressaca Moral no Vaticano. Teve papel fundamental na cobertura da morte de João Paulo II e na eleição de Bento 386, na qual teve o voto anulado ao escrever o próprio nome na cédula eleitoral.

Pepino - Esse quase chegou lá. Aliás, segundo alguns historiadores da religião, foi um dos grandes pecados da instituição não tê-lo como Santo Padre. Sagaz, justo, culto, carismático, estudioso, amado pelo povo, era o candidato ideal. Mas, estávamos no século XIV e, como se sabe, nessa época a igreja estava infestada de gente da pior qualidade. Desgostoso com as sete perdas consecutivas na escolha do Papa (na época quem ocupava o cargo não durava muito), ele se auto-isolou na ilha italiana de Capri e largou a batina. Como era muito famoso, não demorou muito para casar e constituir família, da qual veio e o famosíssimo pepino de Capri. Muitos dizem que teria sido esse o maior pecado da igreja ao não torná-lo papa.

Frei Damião - A simples menção do nome do religioso italiano que adotou o Brasil como lar causou comoção em várias metrópoles do país, especialmente em Mossoró. Considerado santo pelos nordestinos, o frei realmente era gente da melhor qualidade. Homem do povo e amado, de fato, um santo em vida. Mas, tinha um grave problema que nunca foi tolerado pelos manda-chuvas de Roma: a corcunda. Apesar de se formado em Teologia Dogmática, Filosofia e Direito Canônico pela Universidade Gregoriana, os cardeais não viam com bons olhos aquela mochila eterna que Damião tinha nas costas. Parecia um dromedário, o coitado.

Torquemada - O espanhol Tomás de Torquemada era o cara na época que a igreja católica não dava refresco pros hereges. Neguinho que viesse com papo de querer se divorciar era logo queimado. Quem espirrava na missa ia pra forca. Mulher que levantasse a cabeça na rua levava logo uma pedrada. Não tinha esse papo de confissão. - Padre, eu pequei - dizia a fiel.
- Entonces toma hijo de puta - respondia Torquemada antes de cortar a cabeça de quem bobeava a fazer coisas erradas.
Em 1468 teve uma eleição para papa e o espanhol foi chamado. Ficou sabendo que haveria um pleito ele ficou indignado. Deixou o Vaticano xingando a todos de "¿Eres fresco?". Tivesse sido eleito as coisas teriam sido diferente. Ah, se teriam.

O Ressaca Moral cobrirá com exclusividade a visita de Bento 386 ao Brasil no final de maio.

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O atual papa, Bento 386 (esq.), num descontraído encontro com o Papai Noel (dir.) dois meses antes do Natal do ano passado. O bom velinho estava de agasalho esporte se preparando para o esforço hercúleo de entregar presentes a todas as boas crianças do planeta. O click ecumênico é de Messias Jardan.

março 8, 2007

"Coisas que não tenho peito pra fazer" ou "Um plágio descarado"

Garotos, garotos.

Hoje em dia sou um quase recluso. Poucas vezes saio da minha rotina casa-trabalho-casa. Vivi bastante e não me faz falta as outras coisas (vejam bem, algumas coisas vêm a mim, aí sim fica bem legal). Com a internet - idéia que tenho certeza vingará num futuro próximo - meu dia-a-dia ficou mais fácil. Pornografia, notícias, esporte, pornografia, humor, músicas, pornografia e tudo mais que gosto está ali, bem ao alcance da minha conexão discada. Uma das coisas legais, além da pornografia, é encontrar blogs de pessoas que saibam escrever e tenham senso de humor. A maioria se limita a fazer um diário virtual ou a escrever como se fosse a dona da verdade. Fujo desses.

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outubro 31, 2006

Tempo bom não volta mais

Garotos, garotos.

Metade da minha vida passei em puteiros, bares e entre amigos que viviam na esbórnia e luxúria. Aos 12 anos comecei a beber, um ano depois de ter experimentado o primeiro de muitos cigarros. Mal freqüentava a escola. Preferia sumir para o meio do mato com as coleguinhas da mesma idade, imberbes, mas com os mesmos pensamentos pecaminosos. Não demorei a experimentar outras coisas. Era a época das bolinhas, artanhe principalmente. Anos de loucura.

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outubro 12, 2006

Terror nas alturas

Depois de Snakes on a Plane, sucesso antes mesmo de estrear mas, que depois, se revelou uma bomba, Hollywood não perdeu tempo e tratou de lançar filmes relacionados. O próximo será Plane Dead, com uma aeronave recheada de zumbis. Várias produções estão sendo finalizadas e o Ressaca Moral adianta a sinopse de algumas delas.

Capivaras on a Plane - A premissa é ter bicho exótico e enlouquecido nos aviões. Um jovem e promissor cientista embarca com alguns inofensivos espécimes do citado roedor para uma palestra em Mossoró. O que ele não contava é que a mistura entre altitude e péssima comida transforma as capivaras em animais assassinos. O que vem adiante é um banho de sangue, vísceras e escatologia. Não fosse a intervenção de um biólogo que por coincidência estava na classe econômica a tragédia seria bem maior. No final o avião cai no arquipélago de Fernando de Noronha, dando a deixa para a continuação.

Los Hermanos on a Plane - Um jovem e inescrupuloso produtor musical contrata quatro rapazes do Rio de Janeiro para um show em Mossoró. Durante a viagem eles conseguem um violão e começam a cantoria. Os demais passageiros entram em depressão. Desgostoso da vida, o comandante não consegue mover um músculo e a aeronave entra em rota de colisão com a Serra da Capivara (nenhuma relação com o filme anterior, já que é de um estúdio concorrente). Para salvar o dia aparece o skatista Chorador, que dá um pau na cara dos barbudos, come a mocinha e ganha um disco de ouro.

Galvões Buenos on a Plane - Um jovem e idealista acadêmico de jornalismo consegue uma passagem numa promoção de uma empresa aérea e finalmente vai conhecer aquela menina que conheceu no Orkut. Mas, ele não contava com os planos maléficos de um cientista maluco que quer dominar os meios de comunicação global com uma arma letal: uma tropa de clones do Galvão Bueno. É "beeeeeeemmmm amigos..." para todo lado e as pessoas desesperadas tentam se jogar. Mas, o tal estudante, cheio de Debray, Adorno, Horkheimer e Baudrillard na cabeça, salva o dia apenas com um canivete suíço e um bloco de anotações.

Josés Mayers on a Plane - O galã é o maior pegador da TV brasileira. Já carcou coroa e garotinha, empregada e grã-fina, preta e branca. Ninguém passou incólume a ele. Num vôo noturno um jovem e apaixonado casal encontra-se sozinho no avião com o ator. Turbulência, saquinhos de amendoim e serviço de bordo deficitário elevam a libido do vetusto artista. Ele já não dispensa nada e quer pegar a todos. As aeromoças são as primeiras a sucumbir, mas os recém casados conseguem fugir pelos corredores da nave. Destaque para a cena em que rapaz tenta fugir a moça grita "encosta na parede", no qual recebe a resposta "não adianta, ele quer que eu chupe". Não conto mais para não estragar o final

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"Lucianas Vendraminis on a Plane", esse sim era um filme que eu queria ver. MEU PAI ETERNO!! Um avião cheio de ex-paquitas é um sonho recorrente. O clique à prova de Síndrome de Pânico é de Messias Jardan.

agosto 17, 2006

Em defesa das minorias

Garotos, garotos.

Não sou nem gosto dessa onda politicamente correta, mas tenho que dar o braço a torcer quando se trata da defesa das minorias. Humilhadas, tolhidas em seus direitos e vítimas de preconceitos, as pessoas que fazem parte de um nicho têm que conviver com uma série de situações inusitadas e com o cerceamento de seu comportamento. Quando tentam proteger seus direitos são taxados de tudo quanto é coisa ruim. Ninguém gosta delas. Particularmente faço parte de um grupo que, há anos, sofre com esse tipo de patrulhamento, o dos homens heterossexuais.

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junho 30, 2006

O futebol ficou mais feio

Berlim - A sexta-feira 30 de junho de 2006 ficará marcada para sempre na história do esporte bretão. Dia para ser lembrado que o futebol feio, bobão e cara-de-melão derrotou a arte, habilidade e tango no pé. A Alemanha ganhou da Argentina por 4 a 2 nos pênaltis, depois de um empate por 1 a 1 no tempo normal. Foi um placar tão injusto que nem fiquei impressionado ao ver boa parte da torcida germânica se sensibilizar com a derrota do futebol muito mais bacana dos sul-americanos. Não raro, os branquelos jogavam suas bandeiras no chão e gritavam em uníssono "Nicht für mich schreien Argentinien".

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Las mamacitas portenhas não mais serão vistas nos estádios europeus. "Mi hija sacudare esta bandera", gritava Messias Jardan em seu espanhol sofrível enquanto fazia o click.

Para piorar, no final do jogo os teutônicos, não satisfeitos em terem frustrado a maior parte da torcida mundial, ainda partiram para a covardia. Xingaram, cuspiram e fizeram gestos obscenos em direção aos argentinos. Nossos irmãos platinos, polidos como são, não ligavam para as provocações. Porém, o meia Schweinsteiger (pronuncia-se Zeferino) mexeu com Las Madres de la Plaza de Mayo, o que se sabe não se faz. O capitão e cover da Maria Bethânia, Juan Pablo Sorín, deu o grito de ordem para que houvesse a defesa da honra nacional. Perderam na bola, mas ganharam no pescoção.

Jornalista e micro-empresário do ramo do Hidrovácuo há 39 anos, eu, Wilson Maria McNamara y Lampurdos Cremonese, nunca vi uma arbitragem tão tendenciosa quanto a do eslovaco Lubos Michel. Uma infâmia. Pelo menos três pênaltis não marcados para os platinos, sem falar da faltas desclassificantes feitas pelos alemães. A Copa do Mundo foi maculada. Para nós do Ressaca Moral perdeu a graça. Corre o risco do Brasil ganhar de novo e aumentar de vez a desigualdade na América do Sul.

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Jogador alemão tenta beijar à força o argentino. Não fosse a atuação de Sorín o pior teria acontecido. O click sem homofobia é de Messias Jardan.

junho 28, 2006

Es la hora de la onza beber la agua

Argentina.jpg Garota de Berlim (Nina Hagen) - Os maiores entendedores do futebol mundial voltam seus olhares para o estádio de Berlim às 21 horas (horário de Samoa Ocidental) dessa sexta-feira (30/06). Nesse exato momento a seleção fair-play da Argentina encara os pesadões da Alemanha. Como se sabe, os germanos são os donos da casa, dos estádios, das bolas e, tais quais meninos mimados, querem fazer valer dessa vantagem para intimidar os sul-americanos.

NÃO VÃO CONSEGUIR!

Brasileiros como somos vamos todos torcer pelos nosso vizinhos. Desde que o Ressaca Moral acampou a idéia de apoiar nossos irmãos mais elegantes e bons de bola os bons fluídos têm chegado em profusão a Tevez e companhia.

E tem mais, se os portenhos chegarem à final talvez seja contra a gente. Não seria ótimo? Brasil e Argentina na final com o clima amistoso que sempre permeou esses confrontos. É o clássico da fidalguia.

AVANTE ARGENTINA! VIVA EL PIDE D'ORO!

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Sempre à procura de um melhor ângulo o laureado retratista Messias Jardan mostrou mais uma faceta da beleza do futebol portenho.

junho 6, 2006

Vaso ruim não quebra

Ressaquinha (MG) - Desde que era moleque convivo com essa história de fim do mundo. Todo final de ano minha mãe nos vestia com a melhor roupa, levava a gente pra cortar o cabelo, pra se confessar, fazia uma muda com toda nossa bagagem e costurava uma etiqueta com o nome e os dizeres “Católico e batizado”. “Minino, se o mundo acabá seja educado com os hômi lá de cima viu!?”. Margarido, um dos meus primos que moravam com a gente e que era um piadista retrucava “E se a gente num for lá pra riba e sim pra baixo”. Mamãe se limitava a dar um pescoção. Como sempre ria eu levava um também. E haja reza.

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junho 3, 2006

A Panóplia Delirante

Garotos, garotos.

Não posso negar que o futebol é uma de minhas paixões e o Liberato de Castro é o maior time que já defendi. A bem da verdade foi o único. Em 1965 eu dividia meu tempo entre uma comunidade hippie-carateca e o juvenil do Bólido do Guamá. Nunca fui muito à frente no esporte bretão. Abandonei uma promissora carreira como beque-central porque o departamento médico do clube não possuía a técnica necessária para curar uma frieira crônica que tinha no pé esquerdo. De fato, não havia DM no clube, apenas o massagista Mariano Bloonfield III, o Bandalheira. No tempo em que passava em tratamento ele me contava as histórias do clube, em especial o do time de 1927, terceiro colocado no grupo H da segunda divisão do campeonato paraense. Foi o escrete que mais deu alegrias à imensa torcida do clube. Muito do sucesso daquela equipe se deve à voluntariedade dos jogadores e, principalmente, dos esquemas revolucionários do técnico Izidoro Singular, uma lenda.

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maio 1, 2006

Pochete, eu uso

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Ressaquinha (MG) - O número de adesões à campanha Eu Quero Voltar a Usar Pochete é surpreendente. Gente de todo o Brasil tem procurado as várias sucursais do Ressaca Moral no país e no exterior para manifestar o apoio a causa. Para nossa felicidade pessoas públicas, artistas principalmente, não têm se furtado a gritar para todo mundo ouvir que usam ou usaram pochete. Seja você também mais um a dar um tapa na cara da sociedade de consumo que tenta renegar esse tão precioso utensílio do vestuário masculino e mande para cá seu depoimento. Abaixo estão as bonitas palavras de algumas celebridades que ousaram não se calar. Os clicks são todos do não menos famoso Messias Jardan, o retratista pocheteiro.

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março 30, 2006

Casa, comida, roupa lavada, dois mil paus por mês e não se fala mais nisso

Garotos, garotos.

Recentemente li um texto no excelente site nominimo que tratava sobre casamentos e suas agruras. O ganho da matéria do jornalista Roberto Kaz, "As letras miúdas do casamento", era o caso do casal estadunidense Travis e Ruth Frey. O figura formulou um documento in titulado "Contrato de expectativas quanto à esposa" antes de se unirem. Nele, entre outras coisas, ficava estipulado que "Ruth deveria raspar-se 'de três em três dias' (...) Determinava, também, o - digamos assim - 'corte capilar' que Ruth poderia utilizar: no formato retangular, 'centrado sobre a abertura da vagina, cuja altura não lhe exceda em mais de ¾', ou em qualquer formato, desde que 'centrado sobre a abertura da vagina e cuja área não exceda a de um triângulo eqüilátero de altura equivalente a ¾ da abertura vaginal'". Vai ser detalhista assim lá longe. Enquanto recomendava - e ainda o faço - a reportagem a amigos, fiquei matutando comigo mesmo o que incluiria num documento semelhante se fosse o caso do meu casamento.

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março 6, 2006

Era simplesmente um luxo

Terra do Pé Junto - Morreu semana passada Athayde Patreze. Apresentador de TV e bom vivant, foi ele o responsável pela minha entrada no mundo das letras e das artes. Em 1994, seis anos depois de adquirir o mundialmente famoso microfone de ouro, entrevistou-me no não menos famoso Athayde Patreze Entrevista em uma reportagem sobre os bastidores do mundo do hidrovácuo. O resto é história.

Deixou esse plano para brilhar num outro. Espero que seus males sejam relevados no além. Tenho certeza que sim, pois era, como seu próprio bordão deixava claro, "Simplesmente um Luxo". Como a morte só concerne aos que ficam, resta a saudade. Devia muito a ele, mas agora que tá comendo capim pela raiz eu não vou pagar nada.

Athayde também deixou como legado ao Ressaca Moral o fotógrafo anabolizado Messias Jardan. O retratista começou sua carreira ao lado do luxuoso homem de imprensa durante um evento no Iate-Clube de Mossoró, em 1986. Foi com o dinheiro de sua demissão que o retratista GlobeTrotter comprou sua Rollerflex 79 tunada.

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Athayde entra para a história e merece de todos um beijo no coração.
Emocionado, Messias Jardan não apareceu para trabalhar por três dias e mandou uma foto de seu arquivo pessoal.

fevereiro 16, 2006

Contos da Passagem Coelhinho: Fair-Play, futebol arte e umas bolinhas

Mal conseguia acreditar que tinha sido tão fácil. Saiu da farmácia depois de comprar três caixas de Revitam e não fora nem admoestado pelo farmacêutico. Ou era um simples balconista? Laurindo Mascarenhas, de nome pomposo, era conhecido como "Jacaré". Técnico do Batalhadores da Matinha, equipe tradicional que não aceitava essa história de fair-play. Troféu de time mais disciplinado era insulto para o escrete.

No entanto, nos idos de 1969, não possuia uma formação das melhores. Havia se classificado heróicamente para a decisão do Torneio Gregório Mascarenhas, o mais importante da Passagem Coelhinho. A competição homenageava o herói local campeão paraense de porrada de 1917 (o campeão morreu no mesmo ano e, como segundo colocado, assumiu o título). Gregório vinha a ser tio de Jacaré, mais um motivo para o Batalhadores vencer o Gregorão.

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fevereiro 10, 2006

Contos da Passagem Coelhinho: o pai, o filho e as pernas do centroavante

Lá onde moro, na Passagem Coelhinho, aconteceu uma situação meio estranha há uns seis meses atrás. Meu vizinho da direita, o pai de Hermes, desconfiava que o filho era afeminado demais. Dezoito anos e nunca teve uma namorada sequer. Sabedor disso e para não ter problemas com o pai, que o ameaçava deserdá-lo, combinou com Samira uma visita à família. Menina moça e sempre apaixonada por Hermes, ela não pensou duas vezes. Colocou a roupa de ir à missa aos domingos para fazer bonito.

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